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(A) :: Não teve o caminho pensado mas chegou de novo ao destino: Djokovic soma 34.ª vitória consecutiva e conquista Open de Pequim

Não teve o caminho pensado mas chegou de novo ao destino: Djokovic soma 34.ª vitória consecutiva e conquista Open de Pequim

Depois da derrota no tie break do primeiro set, Alex de Minaur foi assistido, fez o 1-0 mas não aguentou mais e desistiu. Djokovic prolongou a série de triunfos seguidos em Pequim... mas não festejou.

Bruno Roseiro
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Quando Novak Djokovic, que assinalava o regresso ao Open de Pequim depois de mais uma década ausente, começou a esticar as pernas após o primeiro jogo de serviço frente a Nuno Borges, tudo parecia condenado ao fracasso. Não ia dar, mesmo que ainda passasse a ronda inaugural frente ao português – como viria mesmo a acontecer, embora o melhor jogador nacional tenha deixado sempre a imagem de que podia chegar a outro resultado se conseguisse alguns pontos em momentos-chave. E não ia dar por questões físicas, pelo quadro que teria de enfrentar, pelo momento que atravessava após raras duas derrotas seguidas na carreira logo a abrir o Masters de Cincinnati e o US Open. Não ia dar, afinal deu. E o sérvio, a poucos meses de completar 40 anos, conseguia voltar à final daquele que ficará como o “seu” torneio extra Grand Slams.

https://observador.pt/2026/09/30/ate-a-jogar-a-meio-gas-continua-a-encher-o-balao-djokovic-regressa-com-triunfo-frente-a-nuno-borges-e-faz-o-30-0-em-pequim/

Após vencer Nuno Borges por 6-3 e 7-6 (2), num filme com várias parecenças ao que se tinha visto na época passada do ATP de Atenas, Djokovic superou Bu Yunchaokete, que teve um wild card, em três sets depois de perder o tie break do segundo parcial e enfrentou de seguida Alexander Zverev, alemão que venceu Roland Garros e o US Open e que está a ter um dos melhores anos da carreira. Lá está, a tal barreira “impossível”… ou talvez não: Nole perdeu o set inicial após sofrer um contra break para o 6-4, venceu o segundo parcial com um único break no décimo encontro (6-4) e chegou à vitória com mais um break numa longa décima partida do terceiro set já depois de ter evitado break points (6-4). As meias-finais estavam garantidas.

Não quero entrar em detalhes, pode parecer que procuro desculpas para algo. Este ano tem sido uma grande luta mas tenho encontrado soluções para continuar a competir. Não é a resistência, é a saúde”, frisara o sérvio após nova paragem para assistência médica contra Bu Yunchaokete.

https://observador.pt/2026/10/04/djokovic-protagoniza-reviravolta-diante-de-zverev-e-soma-mais-um-recorde-no-tenis/

“Foi um grande jogo. Para mim foi mais complicado fazer mais winners porque estava bastante frio e a bola não saía tão bem. Provavelmente foi um dos melhores jogos do Novak este ano, o nível foi realmente alto. O seu jogo do fundo do court foi basicamente como jogava há cinco anos”, comentou Zverev depois da partida. “Foi um ténis de alto risco por momentos mas sabia que tinha de ser assim, caso contrário seria complicado ganhar. Quando as escassas oportunidades aparecem, tens de aproveitar”, salientou Djokovic.

https://observador.pt/2026/10/05/djokovic-na-final-de-pequim-apos-desqualificacao-de-medvedev/

Podia ter sido a final, eram apenas os quartos. E o próximo passo era tudo menos fácil: Daniil Medvedev, outro dos jogadores mais próximos que tem no circuito e que lhe impôs uma das derrotas mais pesadas na final do US Open de 2021. Mais: perante o acumular de tempo de jogo e sem dias de descanso, o sérvio parecia destinado a reduzir ao máximo a duração de todos os pontos para “sobreviver” a mais uma batalha contra o russo. O argumento saiu ao contrário, o epílogo foi o mesmo: apesar da desqualificação de Medvedev por ter acertado com uma bola num espetador na parte final do segundo set, Djokovic voltou a dar um recital com mais de uma dezena de break points evitados e um triunfo quando estava 7-5 e 5-3.

Estou um pouco chocado. Lamento pela pessoa e espero que ele não esteja lesionado. Também sinto muito pelo Daniil [Medvedev], porque sei exatamente o que é ser desqualificado num encontro por isto. Fui desqualificado no US Open de 2020. Estava a três pontos da vitória. Foi uma batalha incrível”, comentou o balcânico após a partida, recordando o momento polémico há seis anos em Nova Iorque quando foi desqualificado por um gesto com parecenças a este.

Mais de duas horas e meia depois, estava confirmada mais uma final de carreira e “reforçado” outro recorde histórico: o sérvio de 39 anos, que está fora do top 10 pela primeira vez desde 2018 (11.º), ultrapassou mais um registo de Rafa Nadal ao tornar-se o primeiro jogador na Era Open a vencer 32 encontros consecutivos no mesmo torneio (o espanhol conseguiu 31 em Roland Garros). Contra Medvedev, conseguiu ganhar o 33.º. As atenções agora estavam centradas no 34.º, que podia significar o sétimo título em Pequim, no dia em que o sérvio igualava Ivan Lendl com a 146.ª final (18.ª em ATP 500, onde é recordista), só atrás de Jimmy Connors (164) e Roger Federer (157). No entanto, o adversário era tudo aquilo que o sérvio não queria depois de duas “maratonas”: Alex de Minaur, que jogava a sua décima decisão em torneios ATP 500.

https://twitter.com/DjokerNole/status/2107466198581399931

O australiano, atual nono da hierarquia mundial do ATP, é daqueles jogadores que nunca dá uma única bola como perdida. Vai a uma, vai a outra, vai outra vez, vai mais uma vez. Com isso, “provoca” vários erros não forçados dos adversários, com essa vantagem de nunca mostrar estados anímicos dispersos ao longo do jogo. Foi isso que se viu nos encontros iniciais da final em Pequim, já depois do regresso às vitórias de Carlitos Alcaraz na decisão do ATP de Tóquio frente a Jiri Lehecka: muito jogo de fundo do court, grande velocidade de reação a todas as bolas, poucos erros nos encontros de serviço. De Minaur ainda teve uma oportunidade de ouro para ganhar vantagem no sexto encontro, quando Djokovic sacou do melhor passing shot da partida para evitar o break e segurar o 3-3. O parcial foi mesmo para o tie break, com o sérvio a chegar de forma rápida ao 4-1 antes de fechar o triunfo por 7-4 em mais um passo de gigantes para novo triunfo.

https://twitter.com/TennisTV/status/2107436373250633869

Foi isso mesmo que aconteceu mas com uma história bem diferente daquela que todos esperavam: depois de Djokovic ter recebido assistência médica de novo com problemas na zona abdominal, Alex de Minaur foi ao balneário com o médico do torneio, regressou, fez o primeiro jogo de serviço 13 minutos depois do final do primeiro set, ganhou mas não conseguiu aguentar mais, aproximando-se da rede para cumprimentar o jogador sérvio e anunciar a desistência. O sérvio fechava o 34-0 com o sétimo título em Pequim mas não festejou por respeito ao adversário, ficando sentado na cadeira à espera da cerimónia de entrega dos troféus. Ainda assim, ficou feita mais história. Uma história que deu outra confiança para… o Open da Austrália.

https://twitter.com/TennisTV/status/2107452193741722100