Mais de 256 mil manifestantes saíram esta terça-feira às ruas de várias cidades francesas, segundo as estimativas do Ministério do Interior (equivalente ao da Administração Interna em Portugal), naquela que é a terceira semana de mobilização dos estudantes do ensino secundário. Há liceus fechados em Paris, Lyon, Marselha, Bordéus, Estrasburgo e Nantes. O Presidente francês, Emmanuel Macron, irá reunir-se de emergência com os vários ministros no Palácio do Eliseu na noite desta terça-feira.
De acordo com o balanço mais recente do Ministério da Educação francês, as atividades letivas foram afetadas em 891 dos 3.700 liceus do país, entre bloqueios, encerramentos preventivos e outras perturbações. A união sindical dos estudantes apresenta, contudo, um número mais elevado e fala em “1.800 liceus” bloqueados ou com a atividade afetada esta terça-feira. “O nível de mobilização atingiu um novo recorde”, disse o sindicato, que apela a “todas as escolas secundárias para que se juntem às manifestações, com prudência e determinação”, cita a BFMTV.
Desde o início dos protestos, já foram detidas 5.060 pessoas, de acordo com os dados do Ministério da Justiça. 87% dos detidos são menores de idade. Mais de 1.800 pessoas foram alvo de processos judiciais, das quais 1.483 são menores. Os confrontos nas ruas provocaram ainda ferimentos em 215 jovens e pelo menos 715 polícias.
Esta é a terceira semana de protestos dos estudantes franceses, que exigem melhores condições no ensino público. A contestação começou nos subúrbios de Paris, mas chega agora a outros pontos do país. Vários dos protestos têm sido marcados pela violência: esta segunda-feira, um jovem de 15 anos perdeu a mão devido à explosão de uma granada. Já esta terça-feira, as forças de segurança recorreram ao gás lacrimogéneo após vários confrontos para dispersar os manifestantes.
https://observador.pt/2026/10/05/franca-jovem-de-15-anos-perde-a-mao-apos-a-explosao-de-uma-granada-ja-sao-quase-200-os-estudantes-feridos-nos-protestos/
Entretanto, a revolta dos estudantes ganhou o apoio de diversos sindicatos, noticia o jornal Le Figaro. Os estudantes têm bloqueado liceus e ocupado as ruas, gritando palavras de ordem. Em alguns pontos do país, professores e pais juntaram-se aos protestos.
Em Paris, a marcha só se iniciou às 14 horas locais, mas começou a sentir-se logo alguma tensão. À margem da manifestação principal, “um grupo de cerca de 300 indivíduos hostis” tentou atacar a polícia. As autoridades tentaram dispersar este grupo, para permitir que o cortejo chegasse à Praça da Nação. Foram avistados alguns arremessos de projéteis.
A polícia francesa reforçou os dispositivos em vários pontos do país. Em Paris, alguns comerciantes estão a proteger as montras, conforme escreve o Figaro, que viu barreiras nas montras desde a Praça da República até à Praça da Nação.
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O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, acusou, entretanto, a esquerda radical de pretender “lançar o país no caos” antes das eleições presidenciais de 2027 e de alimentar a violência nos protestos estudantis. “A realidade é que vocês são ambíguos em relação à violência porque a violência faz parte do vosso projeto político de lançar o país no caos entre agora e as eleições presidenciais”, afirmou esta terça-feira.
“Mentir sobre as intenções do Governo não vos salvará eleitoralmente. Semear o caos, como fazem desde o início do movimento estudantil, é um escândalo”, afirmou Lecornu durante a sessão de perguntas ao Governo na Assembleia Nacional à presidente do grupo parlamentar da França Insubmissa (LFI, esquerda radical), Mathilde Panot, que tinha criticado duramente o executivo.
Trump diz que França vive uma situação de “migração em massa fora de controlo” e culpa o Islão
O Presidente norte-americano afirmou esta terça-feira que a situação em França é resultado de uma “migração em massa fora de controlo”. Numa publicação na Truth Social, Donald Trump rejeitou a ideia de que os problemas no país estejam relacionados com as escolas e afirmou que, na sua opinião, estão ligados ao Islão. “Isto não é sobre escolas, isto é sobre o Islão querer tomar conta de um país que já foi grande“, escreveu.

Já o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, acusou França de aplicar “dois pesos e duas medidas” na forma como responde a manifestações no Irão e em território francês.
Numa publicação na rede social X, Baghaei recordou que, em janeiro, Paris apelou a Teerão para garantir o “direito de manifestação pacífica” e mostrar contenção perante os protestos. O responsável iraniano comparou essa posição com a resposta das autoridades francesas às manifestações de estudantes, classificadas como “violência urbana”, e criticou os apelos ao uso da força para restabelecer a ordem. “O problema não é a contestação; o problema são os dois pesos e duas medidas“, escreveu.
https://twitter.com/IRIMFA_SPOX/status/2107421821611999298
Artigo atualizado às 17h20 desta terça-feira com mais informações relativas ao número de manifestantes nas ruas