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Roberta Metsola promete resposta a caso de eurodeputados vítimas de deepfakes

Presidente do Parlamento Europeu diz que instituição vai usar "todos os meios ao seu alcance" para combater deepfakes. 60 deputadas foram alvo de imagens de IA em sites de pornografia.

Agência Lusa
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A presidente do Parlamento Europeu disse esta segunda-feira que a instituição vai responder “com todos os meios ao seu alcance” após cerca de 60 eurodeputadas terem sido vítimas de imagens geradas por inteligência artificial em sites de pornografia.

“Fui informada de que cerca de 60 membros desta casa foram alvos de deepfakes [imagens, vídeos ou áudios gerados por inteligência artificial] em sites de pornografia que publicam imagens falsas e manipuladas, sobretudo de mulheres”, afirmou Roberta Metsola no início da sessão plenária do Parlamento Europeu (PE), em Estrasburgo.

A presidente do PE frisou que “a violência contra as mulheres, tanto offline como online, é inaceitável e deplorável” e garantiu que a instituição que lidera vai reagir com “todos os meios ao seu alcance”. “Não se trata apenas de imagens, por muito perturbadoras que sejam para todos nós. Trata-se de uma tentativa de visar e atacar políticos eleitos que estão a cumprir o seu dever”, denunciou, garantindo que quem está por detrás destas imagens “vai falhar” nos seus objetivos.

“Em vez de nos humilhar, vai tornar-nos mais fortes. Em vez de nos silenciar, vai fazer-nos falar ainda mais alto. Em vez de nos assustar, vai tornar-nos ainda mais determinadas”, disse, perante os aplausos dos eurodeputados que se encontravam no hemiciclo.

Roberta Metsola considerou que este tipo de situações não se pode tornar o “novo normal” e insistiu que o PE vai fazer “tudo o que tiver ao seu alcance para o impedir”.

A presidente do PE recordou que, a partir de 2 de dezembro, os sistemas de inteligência artificial que geram imagens sexuais vão ser proibidos na UE, mas avisou que “a lei não vale o papel em que está escrita se não for aplicada”. “Por isso, os Estados-membros têm de se preparar desde já. Têm de garantir que a proibição é cumprida, reforçar a aplicação do Regulamento dos Serviços Digitais e transpor a diretiva relativa ao combate à violência contra as mulheres, que criminaliza a divulgação pública, sem consentimento, de deepfakes sexuais”, apelou.

Para Roberta Metsola, a UE deve isso “a todas as pessoas que foram alvo destes ataques e a todas as jovens que estão a iniciar um percurso político e que se perguntam se há lugar para elas na política e a que preço”. “A nossa resposta tem de ser clara: vocês pertencem aqui, a vossa voz pertence aqui e nós estaremos ao vosso lado”, disse, recebendo aplausos da câmara.