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Moedas alerta que a República "está à prova" na segurança e Habitação: "Lutas ideológicas nunca deram casa a ninguém"

Presidente da Câmara de Lisboa elege a habitação como "maior desafio de hoje" e pede meios para bombeiros e política. Moedas critica "julgamento do dia" das sondagens e comentário político.

Miguel Pereira Santos
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O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, defendeu, no discurso da cerimónia solene do 5 de Outubro, que a República “está à prova” ao nível da segurança, do estado social local e da habitação. Moedas disse mesmo esta segunda-feira na Praça do Município que a habitação “é hoje o nosso maior desafio”, mas avisou que a resposta não passa por fundamentalismos ideológicos. “As lutas ideológicas nunca deram uma casa a ninguém”, afirmou Moedas.

Quanto à questão da segurança, o autarca defendeu que “uma cidade que não protege os seus não é livre”, porque não se “pode deixar cada pessoa entregue a si própria”. Moedas acrescentou que a República “deve meios” aos polícias e bombeiros, que “avançam quando todos têm de recuar”. De seguida, o presidente da Câmara afirmou que as autarquias são a cara da proximidade do Estado: “É a República à porta de casa.”

Moedas tinha começado o seu discurso do 5 de Outubro por assinalar que se tratava da primeira sessão solene do 5 de Outubro que contava com a presença do atual Presidente da República. “Sabe que pode sempre contar com a Câmara Municipal de Lisboa. Esta casa é a sua casa e este primeiro momento ficará marcado na história da nossa cidade”, disse a António José Seguro. No seguimento, Moedas aproveitou para falar também da história da República, lembrando que esta foi proclamada “numa casa do poder local” há 116 anos. Porém, o autarca alertou que o regime não está garantido. “A República nasceu nesta varanda e vive, ou morre, na rua”, defendeu Moedas.

O presidente da Câmara de Lisboa evocou ainda Aristides de Sousa Mendes, por este ter escolhido a “consciência” em detrimento da ordem que tinha à sua frente, quando era cônsul em Bordéus durante a Segunda Guerra Mundial. “Assinou vistos a milhares de pessoas que fugiam da guerra e da perseguição. O poder castigou-o, afastou-o da carreira e ele morreu pobre, mas a memória de um povo pode ir mais longe do que o poder de um regime”, defendeu Moedas.

Esse foi o exemplo utilizado por Moedas para assinalar que a República “começa a morrer quando os seus cidadãos deixam de acreditar nela” e que a indiferença, apesar de “fazer menos ruído” do que os outros perigos, “esvazia” a democracia. “A República é um tecido que se tece de fios pequenos. A associação de moradores, os bombeiros voluntários, a junta de freguesia, a coletividade e, quando esses fios se soltam, nenhum discurso os volta a atar”, continuou.

Por fim, Carlos Moedas quis igualmente clarificar a quem os políticos têm realmente de responder. “Há o julgamento do dia — a sondagem, o comentário, a audiência — e há o julgamento que fica: o das pessoas cuja vida ajudámos, ou não, a melhorar. O primeiro muda ao sabor do vento. O segundo exige tempo, trabalho e consequências.”