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Espanha: Pedro Sánchez convoca eleições antecipadas para 29 de novembro. Líder do PP celebra e diz que país pode "abrir novo capítulo"

Presidente do Governo espanhol antecipou ato eleitoral depois de um fim de semana em que auscultou membros do executivo e do partido. As próximas eleições legislativas deveriam ocorrer em 2027.

Tiago Caeiro
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O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou esta segunda-feira a antecipação das eleições legislativas, que só deveriam realizar-se em 2027, para o próximo dia 29 de novembro. Sánchez fez o anúncio numa comunicação ao país, a partir do Palácio de La Moncloa.

O presidente do Governo apelou aos cidadãos para que escolham entre “juntar-se à onda de extrema-direita que está a causar retrocessos onde quer que governe” ou dar a Espanha uma “maioria progressista mais ampla” para que o país “continue a ser um bastião da abertura e da justiça social”, uma “referência global para a paz, o feminismo e a prosperidade”.

“Devemos mobilizar-nos e garantir que o Parlamento nos conceda uma maioria muito mais ampla para derrotar as elites e continuar a transformar Espanha”, acrescentou Sánchez, citado pelo El País. “Para conseguirmos fazer mais, precisamos de renovar o apoio da população”, insistiu o presidente do Governo, sublinhando que estão pendentes as reformas de que o país “necessita para que a sociedade possa conseguir reduzir os níveis de desigualdade”.

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Depois de sublinhar que Espanha é atualmente “a economia que mais cresce e que cria mais emprego de toda a União Europeia” e do momento internacional “muito complexo”, Sánchez, que é primeiro-ministro desde 2018, afirmou que a nível nacional “há ainda muitas injustiças por corrigir, metas sociais para alcançar e muitos problemas para resolver” no âmbito “das desigualdades, serviços públicos e acesso à habitação”.

Sánchez passou o fim de semana a auscultar as sensibilidades entre membros do Governo, mas também entre figuras do PSOE e responsáveis dos parceiros de coligação. Já este domingo, a imprensa espanhola dava conta de que vários ministros e dirigentes do PSOE teriam defendido que o chumbo dos dois decretos propostos pelos socialistas sobre habitação, na sequência do caso Maricarmen, criou uma boa oportunidade para os socialistas espanhóis obterem um bom resultado nas urnas, e que este seria o momento para levar o país a votos.

https://observador.pt/2026/10/05/sanchez-devera-convocar-eleicoes-antecipadas-esta-segunda-feira/

As próximas eleições legislativas espanholas deveriam ocorrer em meados de 2027.

No entanto, o PSOE não parte para as eleições antecipadas numa boa posição nas sondagens. Segundo vários estudos de opinião, divulgados em setembro, os socialistas espanhóis surgem em queda (com intenções de voto entre os 25 e os 27%), abaixo do Partido Popular, que recolhe entre 31 e 34% das preferências do eleitorado.

https://observador.pt/2026/09/09/espanha-pp-a-frente-psoe-em-queda-e-vox-a-subir-nas-sondagens-apos-crise-em-ceuta-mas-sanchez-avisa-voltaremos-a-ganhar-as-eleicoes/

Pedro Sánchez informou o rei Felipe VI na tarde de domingo de que iria anunciar esta segunda-feira a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições gerais, segundo fontes da Casa Real.

PP celebra a convocação de eleições: “Finalmente”

O Partido Popular reagiu à convocação de eleições antecipadas com a publicação de um vídeo nas redes sociais, em que se congratula com a decisão de Sánchez. “Finalmente”, lê-se na legenda. “Finalmente poderemos dizer o que pensamos. Daremos a nossa opinião. Faremos justiça. Decidiremos. Recuperaremos tempo, dinheiro e esperança. Reconstruiremos o nosso país. Falaremos da tua família, da tua economia, da tua vida. Começará o nosso futuro. Derrubaremos os muros. Poderemos votar. Finalmente”, sublinha o vídeo.

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Já esta manhã, num discurso ao país, o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, disse que os espanhóis terão de escolher entre “um projeto de ambição personalista [o de Sánchez] ou um projeto de país [o seu]”. “As eleições de 29 de novembro são muito mais do que uma escolha entre dois partidos”, sublinhou o líder do PP, que lidera, de forma clara, as sondagens.

“Finalmente, Espanha dirá o que pensa. Finalmente, os espanhóis decidirão. Não apenas alguns, mas todos os espanhóis. Finalmente, poderemos encerrar este capítulo e abrir outro melhor. Finalmente poderá ir embora quem nunca deveria ter chegado tão longe. Finalmente votaremos e Espanha poderá decidir o país que quer ser. É a única boa notícia que Sánchez poderia dar neste momento”, acrescentou Feijóo, lançando uma pergunta ao eleitorado.

“A pergunta que deixo aos cidadãos é se querem mais quatro anos do que estamos a viver ou se querem dar oportunidade à mudança. Espanha está, há demasiado tempo, presa numa grande mentira. Temos sofrido com uma política sem escrúpulos, com uma ambição de poder sem limites, com um Governo disposto a qualquer coisa”, criticou o líder do Partido Popular, acusando o Governo de Sánchez de “desde o primeiro dia até ao último ter corrompido a verdade, as instituições, a gestão do dinheiro público e a confiança no país”. “Manter o poder foi o único objetivo e os cidadãos foram reféns”, acusou Feijóo.

Num balanço da governação do PSOE, o líder do PP disse que, oito anos depois, o custo de vida em Espanha está “insuportável”, a habitação é “inalcançável, “faltam médicos”, o nível da educação está a “piorar”, as “infraestruturas estão decadentes” e a imigração está “descontrolada”. “Se oito anos não foram suficientes para resolver os problemas, para que querem mais quatro anos?”, questionou Alberto Núñez Feijóo.

Coligação Sumar vai apostar no tema da habitação e garante que esquerda é mais numerosa

O Sumar (plataforma de movimentos de esquerda que apoia o Governo) elogiou também o anúncio de Sánchez e mostrou-se confiante num reforço da votação nas forças que compõem a coligação. “A convocação de eleições é relevante e necessária. Os partidos de direita Vox, PP e Junts podem bloquear o Parlamento, mas não conseguirão bloquear a democracia”, afirmou em comunicado a coligação de partidos fundada por Yolanda Díaz, a atual ministra do Trabalho. “Estamos prontos e somos mais numerosos. No dia 29 de novembro, a Frente Ampla é a chave para garantir o direito à moradia, à saúde, ao tempo e a uma vida digna”, acrescentou o Sumar. A coligação ainda não tem um candidato definido.

“A habitação é a questão central deste momento político. A habitação é o que está a dilacerar as nossas sociedades e o que define dois modelos para o país: um baseado na especulação imobiliária ou outro baseado em direitos; um baseado na minoria que compra as nossas cidades ou outro baseado nos residentes dos nossos bairros”, defende o Sumar.

O líder do Vox, Santiago Abascal, O líder do Vox, Santiago Abascal, destacou que Espanha irá a votos, no próximo mês, com um candidato que representa os interesses de Marrocos, referindo-se a Sánchez. “Não acho que deva começar esta entrevista sem salientar que vamos votar com Ceuta ocupada e com um candidato que representa os interesses marroquinos”, afirmou Abascal, numa entrevista à Antena 3. “Acredito que Pedro Sánchez seja o candidato marroquino em Espanha“, acrescentou o líder da extrema-direita.

“Agora vamos para as eleições com a habitação como principal tema de debate, mas desde que Sánchez chegou ao poder, a habitação ficou mais cara. A culpa é dele”, salientou Abascal. Em relação às sondagens sobre intenções de voto, que indicam um aumento do apoio ao Vox, Abascal evitou fazer uma avaliação: “Serão muito incertas”, pediu.

Já a presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, reagiu com satisfação à convocação de eleições antecipadas, declarando que esta é “uma manhã especial e alegre para a Espanha”. “Vemos um primeiro-ministro que não aguenta mais, Sánchez não aguenta mais. Ele tentou fazer-se de vítima, mas só mentiu desde aquele comício que deu na Moncloa, recusando-se a reconhecer que não tem os votos necessários e que não pode mais continuar com essa farsa”, disse a autarca.