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A onda do PL, os lugares do apelido Bolsonaro e os recordes de Michelle e Nikolas. Os números da primeira volta das eleições

Candidatos ao Congresso bateram recorde de número de votos. PL de Bolsonaro ganha maior bancada do Senado e maior número de estados. Quatro familiares do ex-Presidente estreiam-se no Congresso.

Madalena Moreira
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Ainda antes de as urnas abrirem, as eleições brasileiras deste domingo já batiam um recorde. Com um total de 158.745.463 eleitores registados, nunca tantos brasileiros tinham ido às urnas numa eleição — desde 2022, o número de eleitores registados cresceu 1,46%. Destes mais de 158 milhões, perto de 79% compareceram às urnas. Em Portugal, o aumento no número de eleitores também se refletiu: 134.797 brasileiros estavam inscritos para votar, um número recorde. Contudo, a abstenção em território português foi bastante mais alta que no Brasil, tendo chegado aos 62%.

Votos contados, a escolha do próximo Presidente do Brasil fica adiada para a segunda volta entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, marcada para o dia 25 de outubro. Contudo, olhando apenas para a primeira volta, muitos outros recordes foram batidos. Nas duas câmaras do Congresso estão agora os deputados mais votados da história da democracia brasileira. Na Câmara dos Deputados, o recorde foi batido por dois deputados do Partido Liberal (PL), de Bolsonaro: Lucas Pavanato, de São Paulo, e Nikolas Ferreira, de Minas Gerais, ultrapassaram ambos o limiar dos dois milhões de votos. O recorde pertencia, até aqui, ao irmão do atual candidato do PL, Eduardo Bolsonaro, que em 2018 foi eleito pelo estado de São Paulo com mais de 1,8 milhão de votos — e que se encontra agora nos Estados Unidos.

https://observador.pt/liveblogs/158-milhoes-de-brasileiros-chamados-as-urnas-flavio-bolsonaro-votou-no-rio-de-janeiro-e-espera-vitoria-na-1a-volta/#liveblog-entry-785073

Na lista dos candidatos mais votados, o terceiro lugar é ocupado por outra recordista. Erika Hilton, do PSOL, conquistou mais de 1,4 milhão de votos, ultrapassando o resultado de Joice Hasselmann em 2018 e tornando-se a mulher mais votada de sempre na câmara baixa do Congresso. Em relação a 2022, quando foi eleita pela primeira vez pelo estado de São Paulo, Hilton mais do que quadruplicou o número absoluto de votos.

No Senado, também se registou um recorde duplo do PL. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e Bia Kicis foram eleitas pelo Distrito Federal (Brasília) com mais de 800 mil votos cada uma. A marca ultrapassada este domingo tinha sido estabelecida em 2010 por Cristovam Buarque. Bolsonaro e Kicis vão-se juntar à senadora Damares Alves, dos Republicanos, estabelecendo mais um marco inédito: são a primeira bancada totalmente feminina no Senado brasileiro.

O apelido Bolsonaro não venceu só pela mão da mulher do antigo Presidente. Dois dos filhos e um irmão de Jair Bolsonaro também venceram as respetivas corridas. Carlos Bolsonaro, segundo filho de Jair, ficou em segundo lugar na corrida em Santa Catarina, conquistando um dos dois lugares do estado no Senado que foram a votos. Jair Renan Bolsonaro, quarto filho, vai-se estrear na Câmara dos Deputados, também em representação de Santa Catarina, assim como Renato Bolsonaro, irmão do ex-Presidente, que vai cumprir o primeiro mandato como deputado por São Paulo.

Os recordes positivos do PL refletem a tendência da noite. O PL ampliou a sua bancada e terá o maior grupo parlamentar no Senado. Entre os 54 lugares do Senado que foram a votos (dois terços da câmara com 81 lugares), o PL conquistou 19, que se juntam aos nove senadores eleitos em 2022, totalizando 28 lugares. Já a bancada do PT mantém-se inalterada, tendo os petistas reconquistado os seis lugares que foram a votos este domingo e que se juntam aos três senadores já a cumprir mandato.

Do Senado aos estados: mais governadores, mais recordes, melhores resultados

O crescimento do PL também se fez sentir nos governos estaduais. O partido de Bolsonaro tinha apenas um governador, em Santa Catarina, mas os seus aliados Republicanos tinham quatro governadores — incluindo Tarcísio de Freitas que chegou a ser apontado como possível sucessor de Jair Bolsonaro e que foi reeleito este domingo.

Agora, os candidatos do PL venceram as eleições na primeira volta no Paraná (onde o candidato vitorioso foi o juiz Sérgio Moro), Rio Grande do Sul (onde Luciano Zucco assinou mais um recorde e se tornou o candidato mais votado de sempre no estado), Rondônia e Roraima e asseguraram ainda a reeleição em Santa Catarina. Podem ainda conquistar os governos do Rio de Janeiro e Amazonas, onde vão disputar a segunda volta. Os Republicanos mantiveram os três governos estaduais, o PP passou de quatro para dois e o PT passou de quatro para três — com a possibilidade de disputar ainda o Distrito Federal com o PP e manter o Rio Grande do Norte na segunda volta.

O PL não só conquistou vitórias em novas regiões do Brasil, como conseguiu aumentar as suas margens em terrenos já bastante férteis ao bolsonarismo. Exemplo disso é a cidade de Novo Progresso, no Pará, um bastião bolsonarista na Amazónia na fronteira com Mato Grosso. Em 2022, Jair Bolsonaro já aqui conquistara o melhor resultado de sempre de um candidato na Amazónia, com 79,6% dos votos. Agora, Flávio aumentou a margem, chegando aos 84,13%.