Foi numa conferência de imprensa que terá funcionado como gatilho para o abandono da concentração de Cristiano Ronaldo, foi na flash interview seguinte já no relvado que tentou quase minimizar os danos que já sabia estarem a acontecer, foi noutras conferências de imprensa que passou ao máximo ao lado do assunto – com essa garantia de que, quando acabasse o quarto e último encontro desta paragem para seleções, estaria mais à vontade para se pronunciar sobre o caso que marcou os últimos dias da Seleção (e do país). Se a análise ao jogo com a Noruega era sempre o propósito principal, as atenções estavam agora focadas noutro tema num dia em que, a seguir ao almoço, o avançado deixou Madrid no jato privado para rumar a Riade.
“Até ao jogo que vem a seguir no Dragão tenho de estar focado no jogo. Depois, logo se vê o resto… Difícil de me focar? Difícil era se não soubesse o que se passa ali dentro. Tenho de focar-me é em treinar os jogadores. O importante é ganhar. É a vida de um treinador. A defesa de um treinador, sabe qual é? Esqueça todos os nomes, chama-se vitória. Arrependido? Não, zero. Há jogadores com estatuto, mas as regras são iguais para todos. Sempre pensei assim ao longo da minha carreira e vou continuar a pensar”, referiu depois da vitória de Portugal na Dinamarca, naquele que foi o melhor encontro coletivo desde que assumiu a Seleção.
https://observador.pt/2026/10/01/arrependido-nao-zero-ha-estatuto-mas-as-regras-sao-iguais-para-todos-jesus-agora-com-tres-vitorias-mantem-o-discurso/
“O foco tem que ser a Seleção, por tudo. Isso não quer dizer que posso ignorar o Cris, claro. O Cris é um símbolo da Seleção, de Portugal. Depois do jogo há muito tempo para se falar sobre isso. Vou-me focar na equipa, no adversário. Depois temos mais dois jogos, mas primeiro temos que carimbar a qualificação. Dias mais difíceis da carreira? O mais difícil na carreira de um treinador é resolver e quando não ganha arranjar formas para que a vitória esteja próxima. Por muito que possa dizer que a vitória na Dinamarca me encheu de orgulho… Também posso dizer que poderia estar mais feliz”, frisou antes do jogo com a Noruega.
https://observador.pt/2026/10/03/nao-posso-ignorar-o-cris-e-um-simbolo-da-selecao-e-de-portugal-jesus-fintou-o-caso-mas-abriu-caminho-a-reconciliacao/
Agora, na sequência do quarto triunfo de Portugal na Liga das Nações, Jorge Jesus abordou sem problemas a questão de Ronaldo quase “relativizando” tudo o que se passou e passando a “bola” para o jogador.
“Não sei o que vai acontecer. Por mim, está tudo em aberto. O Cris é que tem de decidir a vida dele. Na próxima convocatória, se o Cris estiver a jogar e quiser estar na Seleção, porque não? Ressentimento? Nada, foi um mal-entendido. Na minha opinião é fácil resolver. Quando vou resolver? Não sei. O jogo acabou e só depois vamos saber como as coisas vão acontecer”, começou por dizer o técnico na zona mista da RTP.
“Tudo o que projetámos em relação à nossa equipa, não preciso de dizer. Os resultados no Mundial estão aí. Tem o melhor ponta de lança do mundo atualmente. Tem Ödegaard, um dos melhores segundos avançados do mundo. A Noruega é uma equipa muito completa e fisicamente muito grande e potente. Só com muita qualidade de jogo técnica podes vencer esta equipa, de outra forma não tens hipótese de equilibrar. Ganhámos sem fazer um jogo como fizemos com a Dinamarca, mas o importante era ganhar e apurarmo-nos. São quatro jogos e quatro vitórias. É um percurso que quando comecei se calhar não pensei que podia ter, independentemente de acreditar muito nesta equipa. Há que esperar pelos últimos dois jogos na próxima convocatória”, prosseguiu Jorge Jesus ainda nessa primeira zona de entrevistas rápidas após o encontro.
“Não falei com ele [Cristiano Ronaldo]. Isto foi um caso que continua mal resolvido, criou-se aqui um problema que deu no que deu. Para mim, o mais importante é que sou o selecionador de um país em que eu não mando. Eu faço parte de um todo e, se todos quiserem partilhar naquilo que seja o melhor para a Seleção, estou aberto a tudo. Mais triste do que é normal? Ele é que decide o que quer para a vida dele. Como foi antes da primeira convocatória, em que partilhámos, será na segunda. Se ele estiver interessado… Não sou eu que vou decidir, nem posso. Não estou triste. Tive um ano a trabalhar com o Cris na Arábia Saudita, temos uma amizade muito grande profissionalmente. Só isso”, voltou a reforçar na flash interview da SportTV.
“Vitória com reviravolta? Temos uma qualidade de jogadores que, a qualquer momento, sacam uma ideia. O 1-1 foi criado a partir de um lançamento lateral, de lateral para lateral. Não foi estratégia do treinador, foram os jogadores que criaram uma situação, e isso só acontece quando há muito talento. A expulsão do Chico [Conceição] tirou-nos alguma nota artística. Íamos fazer o terceiro golo de certeza, a Noruega já estava toda partida e podíamos ter criado superioridade e sair com alguma facilidade, porque já não nos pressionavam tanto. Também senti a Noruega mais cansada do que nós na segunda parte. Fui mudando o meio-campo para a frente, eles não. Já não os senti tão frescos e poderosos”, acrescentou.
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