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Rui Pinto muda-se para local desconhecido por correr "risco de vida" e lança angariação de fundos

Hacker do Football Leaks viu proteção policial ser-lhe retirada e acusa Estado português de colocá-lo conscientemente em perigo de vida.

Mariana Lima Cunha
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Agência Lusa
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O hacker Rui Pinto, protagonista do Football Leaks, decidiu mudar-se para uma localização não divulgada por um período de tempo indefinido, depois de ter deixado de ter direito a proteção policial, por acreditar estar “em perigo de vida”. 

Num anúncio feito na rede social X, veio divulgar esta decisão e fazer um pedido de angariação de fundos no portal GoFundMe, para “sobreviver a esta situação séria criada pelo Estado português, que decidiu conscientemente colocar a minha vida em risco”.

Na sua publicação, Rui Pinto diz não ter alternativa a não ser mudar-se, nos próximos dias, para um local desconhecido, dadas as “várias ameaças de morte” que tem recebido e o “risco sério de assassinato” que considera correr.

https://twitter.com/RuiPinto_FL/status/2106081951744483408

Os advogados de Rui Pinto já tinham anunciado esta sexta-feira que vão interpor um recurso da decisão de encerramento do Programa Especial de Segurança de que este beneficiava como testemunha.

“Os advogados de Rui Pinto, confiando em que as autoridades portuguesas dariam a devida consideração à sua situação, solicitaram, na passada quarta-feira, ao Ministério da Justiça que reconsiderasse esta decisão, que divulgasse os elementos da reavaliação do risco em que a mesma se baseou, que o seu constituinte fosse ouvido e que garantisse, em qualquer caso, a continuidade da sua proteção”, acrescentam os causídicos na nota a que a Lusa teve acesso.

Os mesmos revelam que “até ao momento, não foi recebida qualquer resposta” e que a decisão e a forma como esta foi tomada “não respeitam, lamentavelmente, o Estado de Direito e constitui um ato de terrorismo de Estado”.

De acordo com o despacho da Comissão de Programas Especiais de Segurança, esta sexta-feira tornado público, após reuniões em 8 de junho e 9 de julho de 2026, “foi determinado o encerramento do Programa Especial de Segurança do qual era beneficiária a testemunha protegida Rui Pedro Gonçalves Pinto, com efeito a 10 de outubro de 2026″.

O mesmo acrescenta que aquela deliberação se fundamenta “na falta de compromisso da testemunha no cumprimento do programa em que se encontrava inserido e no relatório de reavaliação elaborado pela PSP, no qual se conclui por um nível baixo de risco”.

Os advogados de Rui Pinto revelam que este foi notificado, na passada quarta-feira, de que o Programa Especial de Segurança de que beneficia desde agosto de 2020 terminará no próximo dia 10 de outubro.

“Dentro de poucos dias, sem ter sido previamente ouvido, como a lei exige, perderá a residência protegida e confidencial que lhe foi atribuída e será obrigado a encontrar, com urgência, uma nova habitação, sem qualquer garantia de que a proteção policial se mantenha. A sua situação é agora crítica. As ameaças de que é alvo não são meramente teóricas: em abril passado, foi agredido em Lisboa”, adianta a nota.

Segundo os mesmos, as revelações de Rui Pinto envolveram figuras poderosas e dotadas de vastos recursos, sendo que muitos dos processos judiciais delas decorrentes continuam ainda em curso, “como demonstra a decisão proferida há apenas alguns dias pela comissão independente da Premier League relativamente ao Manchester City”. Os advogados salientam que Rui Pinto cooperou com a justiça portuguesa, e foi precisamente essa cooperação que justificou a sua integração num programa de proteção.