Afinal, a jovem que denunciou sete colegas da Universidade de Cornell, em 2024, já tinha garantido na altura à polícia ter “100% de certeza de que foi violada”. Apesar disso, a investigação foi na altura arquivada — supostamente porque a vítima não teria apresentado esta versão — e só agora foi reaberta, com um novo processo civil.
Segundo a CBS, que obteve a cópia do primeiro testemunho da jovem (cuja identidade não é conhecida) junto da polícia do campus nova-iorquino, a vítima confirmou na altura que tinha sido “coagida” a ter relações sexuais e que estava “completa e totalmente incapacitada” para isso.
“Ao mesmo tempo, estavam a bater-me. A baterem-me fisicamente com muita, muita força. Posso dizer com 100% de certeza que fui violada”, disse na altura aos investigadores.
Isto vem contrariar a versão do procurador local que estava responsável pelo caso, Matthew Van Houten, que tem defendido que na altura a investigação foi arquivada porque a jovem não tinha dito à polícia que tinha sido drogada ou forçada a ter sexo. Ainda assim, a investigação foi reaberta, admitiu, porque a mulher tinha incluído nova informação no novo processo que interpôs há menos de um mês, acrescenta a Associated Press.
O procurador, Van Houten, disse à CBS que não tinha visto este depoimento inicial antes de deixar cair o caso, mas apenas uma nota escrita por um polícia do campus que estava assinada pela vítima.
O advogado da mulher, Thomas Giuffra, veio explicar que, além do contacto inicial com a polícia do campus, a vítima não foi contactada por investigadores e polícias do condado ou “quaisquer investigadores treinados em entrevistar vítimas de violação” antes de a decisão de fechar a investigação ter sido tomada.
A jovem, na altura com 20 anos, começou por recorrer à polícia do campus, cerca de três semanas depois do alegado ataque, a 19 de outubro de 2024. Voltou nos dias 14 e 15 de novembro para prestar o seu depoimento. E na altura admitiu que tinha bebido álcool e consumido drogas naquela noite, pelo que tinha falhas de memória.
Também explicou à polícia que estava confortável com um encontro sexual inicial, com dois colegas, mas não com o que se passou a seguir, quando outros homens começaram a entrar no quarto e, segundo o seu depoimento, a abusar da jovem durante várias horas.
O caso foi conhecido quando, a 16 de setembro, a mulher interpôs um processo civil em que alega que foi violada na fraternidade de Chi Phi, em Cornell, depois de ter sido pressionada a consumir cetamina, fumar marijuana e beber álcool, até ficar incapacitada — e incapaz de consentir a ter relações sexuais.