Fernando Maia, proprietário de uma empresa de outdoors e responsável pela colocação dos cartazes de apoio a Cristiano Ronaldo junto à Cidade do Futebol e na Segunda Circular, garante que a iniciativa partiu de si e não teve qualquer envolvimento da empresa ou da equipa do jogador. Em entrevista à Rádio Observador, explicou que decidiu avançar com os cartazes na quinta-feira, numa ação que considera uma continuação de uma iniciativa semelhante feita em 2004, quando um grupo de amigos colocou outdoors de apoio à Seleção Nacional.
“Eu coloco estes cartazes em nome individual e não tem a ver com empresa nenhuma. Sou eu que estou a colocar os cartazes em nome individual”, afirmou Fernando Maia, garantindo não conhecer Cristiano Ronaldo nem ninguém da equipa do jogador.
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Sobre a mensagem dirigida a Jorge Jesus, Fernando Maia disse tratar-se da sua opinião. “Na minha opinião não esteve à altura”, afirmou, referindo-se ao selecionador português. O empresário considera que, tendo em conta o percurso de Ronaldo na Seleção, “se existiu um acordo” para o jogador atuar durante determinado período e este acabou por ser chamado para aquecer e depois regressar ao banco, “Jorge Jesus não soube estar à altura desta situação“.
Fernando Maia rejeitou, contudo, a ideia de que o cartaz tenha como objetivo criar polémica. “Este cartaz não pretende incendiar ninguém, não pretende criar mais polémica“, explicou, acrescentando que cerca de 70% da mensagem é de apoio a Ronaldo e 30% corresponde a “uma crítica” a Jesus.
A defesa de Ronaldo assenta, sobretudo, num sentimento de gratidão pelo contributo do jogador para Portugal. “Eu tenho uma coisa que se chama gratidão e não descartar as pessoas que foram úteis e que são úteis a Portugal”, sublinhou Maia. Para o empresário, a carreira de Ronaldo teve também um impacto na forma como Portugal é reconhecido no estrangeiro: “Em qualquer parte do mundo, quando chega e diz que é de Portugal, 99% das pessoas só ouvem o nome Cristiano Ronaldo”.
É por isso que, na sua opinião, Ronaldo deveria ter tido uma saída diferente da Seleção. “Acho que esta gratidão obrigava, pelo menos, a Ronaldo a sair bem da Federação”, defendeu. Fernando Maia considerou que Jorge Jesus terá sido apenas “o veículo para isto ter acontecido”, atribuindo a responsabilidade pela polémica a mais do que uma pessoa: “Há mais culpados”.
O responsável pelos outdoors admitiu, também, colocar nos próximos dias um novo cartaz junto ao Estádio do Dragão, no Porto, onde Portugal joga no próximo fim de semana, embora reconheça que a frase dirigida a Jorge Jesus seja “excessiva”. “Vou colocar outro outdoor junto ao Dragão”, afirmou, garantindo que cumprirá qualquer decisão das autoridades.
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Sobre os custos da iniciativa, Fernando Maia explicou que cada tela custa cerca de 215 euros, aos quais acrescem cerca de 195 euros pela montagem e estrutura, num total que pode chegar aos 1.900 euros para vários cartazes durante cinco dias — o previsto para estes estarem na via pública.
Maia contestou, ainda, a retirada do outdoor pela Câmara Municipal de Oeiras, alegando que se trata de uma mensagem sem fins comerciais. “Aquele outdoor não é comercial, não tem qualquer marca associada. É um outdoor que fala de um facto que aconteceu há dois ou três dias e é a expressão da opinião de um cidadão que eu acho que pode ter liberdade de expressão”, afirmou.
Ainda sobre a necessidade de autorização, assume não ter pedido licença e afirmou estar disponível para pagar uma eventual coima. “Se houver uma multa, estou cá para pagar a multa da colocação do outdoor e não há problema nenhum”, concluiu.