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Pedro Sánchez decide este fim de semana se avança para eleições antecipadas

Decretos que fazem parte de resposta de Sánchez para problemas na habitação, após caso Maricarmen, foram chumbados no Congresso. PP está pronto para eleições: "Ninguém quer Sánchez até o Natal".

Manuel Nobre Monteiro
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Carlos Diogo Santos
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José Carlos Duarte
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Mariana Lima Cunha
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O chumbo dos dois decretos propostos pelos socialistas sobre Habitação, na sequência do caso Maricarmen, pode mesmo levar à queda do governo de Pedro Sánchez e a novas eleições. O primeiro-ministro espanhol vai analisar durante o fim de semana o resultado da votação parlamentar e as suas ramificações, para concluir se deve voltar a ir a votos.

Segundo o El Mundo, Sánchez, que não terá agenda pública este fim de semana, quer ponderar sobre o impacto deste caso, incluindo na opinião pública e nas manifestações crescentes sobre o problema do acesso à Habitação. “Qualquer opção depende do que aconteceu hoje [sexta-feira] e de como reage a sociedade“, disse fonte do núcleo duro do primeiro-ministro.

Como recorda o jornal, Sánchez tinha feito uma última tentativa de pressão junto do partido Juntos pela Catalunha, que sustenta o seu governo, para que apoiasse as novas medidas, já durante o debate sobre o tema, que ocorreu na manhã desta sexta-feira.

Antes da votação, Pedro Sánchez fez um último apelo e pediu aos deputados que “pensassem no povo” na hora de votar: “Façam o que é correto, porque a História vai julgar-vos antes do que pensam e com mais veemência do que imaginam”. Várias fontes próximas do Governo avançaram rapidamente que o líder do Executivo estaria a ponderar avançar com eleições antecipadas, devido ao chumbo — e devido à situação complicada em que fica o governo, com dificuldade em aprovar diplomas no Parlamento espanhol, o Congresso dos Deputados.

Segundo o El Mundo, entre os partidos fala-se de datas tão próximas para novas eleições como domingo 29 de novembro — a primeira data tecnicamente possível.

O ambiente de crise política foi espoletado esta sexta-feira, quando o Congresso dos Deputados não aprovou nenhum dos dois decretos apresentados por Sánchez sobre a habitação. O primeiro decreto obteve 178 votos contra 172 a favor (PP, UPN, Vox e Junts), enquanto o segundo reuniu 166 votos a favor contra 184 contra (PP, Vox, Junts, UPN e PNV).

Para este chumbo contribuíram os votos do partido Juntos pela Catalunha, que já tinha exigido, na quinta-feira, a retirada dos dois decretos sobre habitação criados a propósito do caso Maricarmen. De acordo com o El Mundo, a formação independentista pretendia que o Conselho de Ministros voltasse a reunir e apresentasse novas medidas que fossem aceitáveis para o partido, colocando em causa a aprovação do pacote legislativo. Mas Pedro Sánchez não cedeu.

O presidente do Partido Popular e líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, garantiu, em declarações à imprensa após o chumbo, que o partido está pronto para eleições. “Ninguém quer Pedro Sánchez até ao Natal”, disse. “Que defina a data, dissolva as Cortes, convoque eleições e que se pronunciem os espanhóis”, apelou.

O Governo tinha desafiado os partidos, afirmando que havia chegado “a hora de o PP, o Vox e o Juntos mostrarem se, em matéria de habitação, estão com os cidadãos ou com os especuladores. Com as classes médias e trabalhadoras ou com as elites”. “Espanha já não pode esperar mais”, acrescentou, defendendo que o país precisa de “soluções e de uma política de habitação corajosa”.

O partido catalão justificou a oposição às medidas com o argumento de que terão efeitos contrários aos pretendidos. Segundo o Juntos pela Catalunha, liderado por Carles Puigdemont, as propostas “reduzirão a oferta de habitação para arrendamento e aumentarão os preços”. A formação considera também que os decretos não impedem totalmente a atuação dos chamados “fundos-abutre” nem protegem suficientemente as famílias vulneráveis.

Quanto ao segundo decreto, que prevê a renovação automática dos contratos de arrendamento, o Juntos pela Catalunha afirma que a medida equivaleria a “expropriar as poupanças de três gerações de famílias”. O decreto já tinha ficado sem condições para ser aprovado depois de o PNV e a Coalición Canaria anunciarem que votariam contra.

As duas medidas propostas pelo Executivo espanhol

Os dois decretos têm medidas distintas. O primeiro prevê medidas para travar despejos de famílias vulneráveis e benefícios fiscais para proprietários que disponibilizem casas para arrendamento. O segundo estabelece a renovação automática e por tempo indeterminado dos contratos de arrendamento.

O partido basco considera que as medidas contra os despejos e os benefícios fiscais para os proprietários podem ser apoiadas, mas rejeita o segundo decreto por entender que prejudicaria os pequenos proprietários e poderia “reduzir a oferta”.

Também a Coalición Canaria decidiu que iria votar a favor do primeiro decreto e contra o segundo. A posição da deputada Cristina Valido é particularmente relevante, uma vez que, perante uma eventual abstenção do Juntos, poderia ser decisiva para a aprovação do primeiro texto, com uma votação que ficaria em 172 votos a favor contra 171, como explica o El País.

Podemos foi o primeiro partido a anunciar a sua posição e acabou por confirmar o apoio aos dois decretos, depois de inicialmente ter criticado a divisão das medidas em dois textos. Os quatro deputados do partido juntaram-se assim ao PSOE, Sumar, EH Bildu, Compromís e BNG no apoio às propostas.

Pressão sobre o Executivo de Sánchez aumenta e membros do PSOE querem eleições

A decisão do Juntos pela Catalunha aumentou a pressão sobre o Governo de Pedro Sánchez, numa altura em que o Executivo enfrenta dificuldades para aprovar legislação no Congresso. A situação ocorre poucos dias antes de o Tribunal Constitucional espanhol se pronunciar sobre a lei da amnistia, uma decisão que poderá abrir caminho ao regresso de Puigdemont a Espanha, nove anos depois de ter deixado o país na sequência da declaração unilateral de independência da Catalunha.

https://observador.pt/2026/09/15/justica-espanhola-volta-a-negar-amnistia-a-puigdemont-apesar-de-aval-europeu/

A aprovação dos decretos era também relevante para o futuro da legislatura. O Governo tem procurado responder às mobilizações sociais relacionadas com o acesso à habitação — e mais recentemente com o caso Maricarmen —, mas precisava do apoio de partidos da oposição e de forças nacionalistas para conseguir aprovar as medidas no Parlamento.

Os dirigentes do PSOE e membros do Governo espanhol consideram que Pedro Sánchez deveria convocar eleições antecipadas caso o Congresso rejeitasse esta sexta-feira os dois decretos sobre habitação. Segundo o El País, alguns socialistas defendem que uma eventual ida às urnas permitiria centrar a campanha na habitação e nas medidas apresentadas pelo Governo após o caso de Maricarmen Abascal, que deu origem aos protestos em Madrid.

O resultado da votação poderá ainda ter consequências políticas mais amplas para o Governo espanhol, que pretende apresentar uma proposta de Orçamento do Estado ao Congresso. A dificuldade em aprovar medidas de maior alcance tem alimentado, dentro do Parlamento, a discussão sobre a capacidade do Executivo para garantir a continuidade da legislatura.

Centenas de pessoas em frente do Parlamento pedem aprovação de medidas da habitação

Centenas de pessoas tinham-se concentrado em frente do Parlamento espanhol na manhã desta sexta-feira a apelar à aprovação das medidas. A maioria dos manifestantes chegou às imediações do edifício do Congresso dos Deputados de Espanha depois de uma marcha de cerca de 600 metros desde a praça Porta do Sol, onde está instalado um acampamento desde sábado em protesto pela crise na habitação e para pedir medidas aos poderes políticos.

“Hoje é um dia muito grave. O que o povo pediu na rua está prestes a cair no Congresso”, dizia esta sexta-feira, antes do início da marcha desde a Porta do Sol, uma porta-voz do Sindicato das Inquilinas e Inquilinos, a associação que tem convocado e coordenado os protestos nas ruas.

Milhares de pessoas têm-se mobilizado em protestos nas ruas desde quarta-feira da semana passada, após o despejo de Maricarmen. A maior concentração é um acampamento permanente na Porta do Sol, em Madrid, instalado no sábado e que, segundo os organizadores e os meios de comunicação social, tem crescido todos os dias e conta agora com mais de 2.000 tendas.