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(A) :: Mediapart publica provas das declarações antissemitas de Bardella. Meta confirma veracidade das mensagens

Mediapart publica provas das declarações antissemitas de Bardella. Meta confirma veracidade das mensagens

Imagens divulgadas pelo canal noticioso e verificadas pela empresa-mãe do Facebook desmentem o líder da União Nacional, que rejeitou as acusações de ter um posicionamento antissemita com 17 anos.

Mariana Carvalho
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A polémica começou na segunda-feira quando o jornal digital Mediapart noticiou as alegadas declarações antissemitas que o líder da União Nacional (UN) proferiu em 2013, quando tinha 17 anos. Uma das figuras de proa da política francesa e braço-direito de Marine Le Pen, Jordan Bardella rejeitou veementemente as acusações que lhe foram imputadas, as quais classificou de “falsificações grosseiras”. Esta quinta-feira, a Mediapart publicou imagens — “capturas de ecrã obscuras e passíveis de manipulação”, segundo declarações mais recentes do político — para provar o posicionamento antissemita do atual deputado do Parlamento Europeu. E a Meta — a empresa-mãe do Facebook, onde tiveram origem as imagens — verificou a sua veracidade.

https://observador.pt/2026/09/30/acusacoes-de-antissemitismo-contra-bardella-ressuscitam-fantasmas-que-voltam-a-assombrar-le-pen/

Em vídeo e por escrito, o Mediapart reforçou que Jordan Bardella emitiu opiniões discriminatórias em relação ao povo judeu, um ano antes de ser eleito dirigente da Frente Nacional (antigo nome da UN) na concelhia de Seine-Saint-Denis, Paris. As conversas que manteve no Messenger — a plataforma de mensagens instantâneas do Facebook — foram divulgadas por duas fontes não identificadas próximas do político de extrema-direita. Depois de serem verificados pela Meta, os dados ainda passaram pelo crivo de um oficial de justiça.

“Extrair estas conversas permite-nos datá-las, confirmar que as conversas não foram subsequentemente modificadas e confirmar que a pessoa envolvida foi listada pela Meta/Facebook sob o nome Jordan Bardella“, escreve a Mediapart, citada pelo Le Monde. O site noticioso destacou ainda um conjunto de dados biográficos contidos nas mensagens que dão conta de que a pessoa em causa é efetivamente o líder da UN, apesar de o perfil não ser o mesmo que utiliza atualmente — que foi criado no fim de 2013.

A Mediapart divulgou ainda o conteúdo de e-mails que o dirigente político enviou a múltiplos destinatários, entre 2012 e 2014, onde demonstrou interesse pelas teorias antissemitas e conspiracionistas do escritor Alain Soral. O jornal digital autenticou os dois endereços de correio eletrónico, um dos quais constava de uma lista de membros da juventude do partido de extrema-direita.

“As pseudoprovas da Mediapart foram finalmente publicadas: montagens grosseiras, capturas de ecrã obscuras e passíveis de manipulação, reproduzindo declarações ignóbeis que, obviamente, nunca fiz“, escreveu Bardella no X, instantes depois da divulgação das imagens. “Estas ‘provas’ não são o que prometem e não aguentariam um instante diante do tribunal. Durante dias, os nossos adversários políticos e dezenas de órgãos de comunicação social mancharam a imagem do principal partido de França e feriram gravemente a minha honra, com base em rumores difundidos por um meio de comunicação ferozmente anti-UN.”

https://twitter.com/J_Bardella/status/2105712547298939066

Bardella conclui o texto avançando que instruiu o seu advogado a apresentar “queixa-crime por falsificação e uso de documento falso“, iniciativa que se soma à “queixa já registada por difamação” que a União Nacional terá apresentado na quarta-feira. Marine Le Pen ainda não se manifestou sobre as recentes evidências tornadas públicas.

Segundo as declarações divulgadas pela Mediapart, Bardella terá escrito que “todos os bancos são propriedade de judeus”, acrescentando que os judeus têm como princípio “dominar os outros povos, esmagá-los e roubá-los”. “Quanto a Soral, digo que as suas análises estão corretas porque tudo é comprovado pelos factos”, lê-se ainda na correspondência citada pelo jornal La Presse.