Christa Pike, a única mulher condenada à morte no Tennessee e a primeira a ser executada no estado em mais de 200 anos, sobreviveu às duas doses letais de pentobarbital administradas durante a execução, testemunharam os jornalistas presentes no local. Na sequência do caso que pôs em causa a pena capital, permitida em 27 dos 50 estados dos EUA, o governador Bill Lee suspendeu as execuções no Tennessee até ao final deste ano.
Depois da tentativa falhada, que aconteceu esta quarta-feira, os advogados de Pike apresentaram uma moção de emergência para impedir a execução da sua cliente. Até ao momento, desconhecem-se detalhes sobre o estado de saúde da mulher, que continuava hospitalizada na tarde de quinta-feira.
“Não temos conhecimento do seu prognóstico ou atualizações significativas em relação ao seu estado de saúde, mas sabemos que continua viva e a receber cuidados médicos”, adiantou um dos advogados da mulher de 50 anos, citado pelo The Guardian.
As testemunhas da execução falhada, entre as quais jornalistas de vários meios de comunicação norte-americanos, descreveram um procedimento muito mais prolongado do que o previsto.
Pike permaneceu acordada, falou e cantou com o guia espiritual, após o início da administração do fármaco e, após a primeira dose, continuou a mover-se e a respirar de forma audível.
A jornalista Catherine Sweeney, da emissora WPLN, explicou que o protocolo do Tennessee prevê uma primeira administração de pentobarbital e, se necessário, uma segunda dose.
As testemunhas indicaram que, após esses dois momentos, Pike continuou a respirar e a emitir sons, incluindo roncos fortes, além de realizar movimentos com a cabeça e o pescoço.
Após o incidente que considerou “profundamente perturbador”, o governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu as execuções agendadas no estado até ao fim do ano. O republicano ordenou ainda uma investigação independente do caso.
“Há muitas questões”, afirmou, acrescentando que “as pessoas do nosso estado merecem ter respostas para essas perguntas”. “Estou profundamente desapontado, como os restantes habitantes do Tennessee, com aquilo que aconteceu.”
A suspensão ordenada por Lee afeta apenas uma instância de execução, inicialmente agendada para o próximo dia 3 de dezembro. O visado, Gary Wayne Sutton, aguarda a injeção letal desde 1996, quando foi condenado pelo homicídio de um amigo.
A execução de Pike sucedeu o levantamento, reivindicado pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos, de uma suspensão decretada horas antes por um tribunal federal de recurso.
https://observador.pt/2026/09/30/tribunal-dos-eua-suspende-execucao-de-mulher-horas-antes-da-sentenca/
O caso encontra-se numa situação extraordinária, uma vez que Pike sobreviveu às duas doses de pentobarbital, e os advogados sustentam que o protocolo estadual não prevê o que acontece nessa circunstância.
Pike foi condenada à morte em 1996 pelo homicídio, cometido em 1995, de Colleen Slemmer, uma colega de 19 anos do programa de formação profissional Job Corps, em Knoxville.
Pike tinha 19 anos quando a matou, juntamente com o então namorado, Tadaryl Shipp, que foi condenado a prisão perpétua por ser menor de idade na altura do crime.
Pike encontra-se no corredor da morte do Tennessee desde março de 1996.