O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, anunciou esta quarta-feira que vai propor aos órgãos do partido a abstenção na votação do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) depois das garantias que foram deixadas pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
“Optámos pela abstenção, porque o primeiro-ministro deu um sinal muito positivo ao responder a todas as questões que tínhamos colocado, quer em relação à Constituição e os termos em que se referiu ao PS merecem o nosso apreço”, disse numa entrevista ao jornal online Eco.
José Luís Carneiro espera que este compromisso sobre a revisão constitucional e outras garantias que foram dadas por Luís Montenegro sejam “honrados no decurso do nosso futuro político próximo”.
Na mesma entrevista, o secretário-geral socialista ressalvou que a decisão terá que ser aprovada pelos órgãos do partido. “A minha intenção é propor aos órgãos do PS a abstenção”, reiterou.
Além da questão da revisão constitucional, Carneiro referiu que Luís Montenegro respondeu às restantes três exigências do PS para viabilizar o OE2027, como a proteção das pensões presentes e futuras da Segurança Social, o financiamento dos investimentos que ficaram para trás devido aos atrasos na execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e a recuperação dos municípios e regiões afetados pelas tempestades.
https://observador.pt/2026/09/30/ps-ve-declaracao-de-montenegro-como-muito-positiva-e-esta-preparado-para-viabilizar-orcamento/
O presidente do PSD afirmou, na terça-feira à noite, que vai contar com o PS na próxima revisão constitucional, defendendo que a história é importante, mas avisou que não irá excluir ninguém, prometendo respeitar os limites materiais da Lei Fundamental.
Na tarde de terça-feira, ainda antes destas declarações do primeiro-ministro, Carneiro disse que continuava à espera da “palavra do primeiro-ministro” sobre revisão constitucional, uma das condições por si colocadas para a viabilização do Orçamento do Estado para 2027.
Questionado sobre o orçamento, Carneiro insistiu que ainda não conhecia o documento e por isso não se quis pronunciar.
“Sei que os deputados do Partido Socialista foram recebidos pelo Governo e que o Governo falou, em termos genéricos, daquilo que era a sua proposta do orçamento, mas até agora ainda não conhecemos a proposta do orçamento”, reiterou o socialista.