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(A) :: Castro Almeida promete ir "até ao limite" para mitigar aumento dos preços dos combustíveis. "Inflação é a parte que corre menos bem"

Castro Almeida promete ir "até ao limite" para mitigar aumento dos preços dos combustíveis. "Inflação é a parte que corre menos bem"

Ministro da Economia promete ajudar "setores que podem influenciar o custo dos produtos". Reconhecendo problema da inflação, promete ir "até ao limite" orçamental para mitigar subida dos combustíveis.

Miguel Pinheiro Correia
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O ministro da Economia e da Coesão Territorial reconheceu esta quarta-feira que a “inflação” é “um fator que está a correr mal” na “situação económica portuguesa”. À margem do Fórum AICEP, no Palácio da Bolsa, no Porto, Manuel Castro Almeida prometeu que o Governo irá “até ao limite”, dentro do equilíbrio orçamental, para atuar em setores estratégicos, de forma a impedir que a subida dos preços seja refletida “nos supermercados”.

“A situação económica portuguesa tem um fator que está a correr mal, que é a inflação, por causa dos custos dos combustíveis, por causa das guerras. E está a afetar o mundo todo, Portugal está a ter efeitos semelhantes aos que existem em toda a Europa”, disse o governante. Por esse motivo, o Executivo está atento à inflação, mas reconhece que este não é o único problema.

“Nós temos que dar atenção a este assunto, mas não podemos fazer de conta que só existe o problema da inflação. A inflação é a parte que corre menos bem da economia portuguesa. Mas é preciso também dar alguma tranquilidade às pessoas, porque a par da inflação que não corre bem e do aumento de preços que não corre bem, há uma economia que está a crescer mais do que a média, a dívida pública está a diminuir e o emprego está a crescer a níveis como nunca houve em Portugal”, argumentou.

Esta quarta-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE) fez saber que a inflação acelerou para 3,6% em setembro. A taxa é superior em 0,3 pontos percentuais face ao observado em agosto (3,3%). “A aceleração do IPC é explicada em grande medida pelo aumento do preço dos combustíveis”, explicou o INE.

https://observador.pt/2026/09/30/combustiveis-atiram-inflacao-para-36-em-setembro/

De qualquer forma, o Governo está “sempre atento” à subida dos preços e a “procurar tomar medidas para aqueles setores mais estratégicos que podem influenciar o custo dos produtos no supermercado”. “Dentro dos limites do equilíbrio orçamental, o Governo está sempre atento para procurar intervir em situações pontuais que procurem ajudar a não amplificar para as prateleiras dos supermercados o aumento dos preços da gasolina nas bombas. Essa é a nossa preocupação. E dentro dos limites orçamentais, vamos até ao limite”.

Essas medidas visam setores como a agricultura, mas também as transportadoras, ou outras empresas com “maior incidência de custos energéticos nos seus custos de produção”. Essas empresas, segundo o ministro, já dispõem de “linhas de crédito” específicas.

Portugueses devem ficar tranquilos com “contas certas” do Orçamento do Estado para 2027

Tal como já havia referido, o ministro destaca que as ajudas de Portugal são “equiparadas ao que se passa nos demais países europeus”, apresentando-se apenas uma “perturbação” nessa comparação, uma vez que a Espanha surge como um país “dissonante”. “A Espanha tem tradicionalmente uma carga fiscal sobre os combustíveis mais baixa do que em Portugal e a Espanha está aqui ao nosso lado, e portanto sente-se isso particularmente”.

Por outro lado, destacou o governante, “a inflação em Espanha está bastante superior à inflação em Portugal”. Assumindo, mesmo assim, que o aumento dos preços dos combustíveis é um problema para os portugueses, Castro Almeida disse que “não há dia nenhum — manhã e tarde — em que o Governo não esteja a avaliar a situação e a ver que medidas podem ser tomadas sem pôr em causa o compromisso global que nós temos que ter com a sustentabilidade das contas públicas”.

“Isso é mais importante do que parece. Às vezes as pessoas podem dizer assim: ‘ah, mas o que me interessa é o preço da gasolina na bomba, quero lá saber das contas públicas’. Isto é um erro. E eu peço-lhes que expliquem às pessoas que dívida pública vai significar taxas de juros mais altas e mais impostos. Alguém vai pagar a dívida… Não é indiferente ter mais dívida ou ter menos dívida”, resumiu.

Sobre o equilíbrio orçamental, Castro Almeida remeteu para as palavras de Joaquim Miranda Sarmento: “o ministro das Finanças já explicou que vai procurar que o Orçamento [do Estado] de 2027 volte a ter contas certas. (…) Isso é que deve dar tranquilidade aos portugueses, é ver o Estado a não gastar mais do que aquilo que recebe”.