O Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica (STSS) estimou esta quarta-feira que a greve destes trabalhadores da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra teve uma adesão de 90%.
“A forte adesão está a comprometer a realização de exames e procedimentos de rotina nas diferentes áreas de diagnóstico e terapêutica, incluindo análises clínicas, exames de imagiologia [obtenção de imagens, como raio-x], bem como intervenções nas áreas da farmácia hospitalar, fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional, entre outras”, disse em comunicado o STSS, que convocou para hoje uma greve de 24 horas.
O sindicato adiantou que os serviços mínimos legalmente previstos, incluindo as situações urgentes, estão assegurados, mas avisou que a paralisação poderá ainda afetar exames, consultas e cirurgias programadas.
O STSS organizou também uma concentração em frente ao Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca da ULS Amadora-Sintra, que está prevista terminar pelas 14h00.
Na concentração com cerca de 30 pessoas, o presidente do STSS disse que os profissionais protestam contra a não aplicação do Acordo Coletivo (ACT) dos hospitais públicos aos TSDT da ULS Amadora-Sintra.
Segundo Luís Dupont, foi alcançado um acordo com o Ministério da Saúde e o conselho de administração da unidade local de saúde, que visa a adesão dos trabalhadores ao ACT, mas nada está a ser cumprido.
O responsável disse ainda que a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) bloqueou a concretização do entendimento.
“Não estão a cumprir porque nos parece que este organismo do Ministério da Saúde, que é a ACSS, está a dar informações contraditórias e tem uma posição que contraria aquilo que é a decisão, que também é política”, explicou Luís Dupont, apelando que o Ministério da Saúde esclareça a situação.
O responsável denunciou também problemas com pagamento de retroativos, outro ponto que foi acordado com o Governo, e acusou a Autoridade para as Condições do Trabalho de ainda não se ter pronunciado sobre a situação.
“Parece que há algum problema em pronunciar-se”, acrescentou.
Segundo um comunicado do sindicato, “esta situação arrasta-se há cinco anos com prejuízo no ordenado destes profissionais, que não só ganham menos cerca de 150 a 300 euros mensais comparados com os seus pares, agravando que trabalham uma hora a mais por semana“.
De acordo com a nota, os profissionais chegam a trabalhar 10 horas por dia para que os serviços funcionem.
A desigualdade pela falta de equidade de tratamento dos profissionais da ULS Amadora-Sintra em comparação com os técnicos de outra ULS é outro dos motivos que levaram ao protesto.
A ULS Amadora-Sintra procura responder a uma população de mais de 600 mil habitantes.
A Lusa questionou a administração da ULS que remeteu dados para mais tarde.