O dia parecia virado para a Polónia. Numa entrevista ao WP SportoweFakty, André Villas-Boas, presidente do FC Porto, explicava a recente aposta num filão com alguma tradição na história dos azuis e brancos mas que nunca teve tanto peso como por estes dias. Começou com dois, a seguir veio um terceiro, podia haver um quarto (e num cenário de sonho que agora não foi abordado, um quinto). E foi o próprio líder dos dragões a assumir interesse num outro jogador polaco que acabou depois por assinar por outro clube europeu.
“Estamos muito satisfeitos por ter construído este grupo de polacos. É um caso muito interessante para nós. Os três corresponderam totalmente, revelando-se grandes profissionais ao nível do compromisso com a carreira, a disciplina e a mentalidade vencedora. Por essa razão, continuamos a observar o mercado polaco e a procurar novos talentos. Não escondo que acompanhámos com grande atenção a evolução do Bartosz Mazurek e estivemos interessados nele. No entanto, acabou por assinar pelo Red Bull Salzburgo. Tem um talento enorme e vamos continuar atentos ao seu progresso”, assumiu Villas-Boas, que no verão ainda viu o nome de Lewandowski ser associado ao FC Porto sabendo que seria algo impossível por razões financeiras.
“Tudo começou quando planeámos a transferência do Jan Bednarek, do Southampton. Quando conseguimos concretizá-la, pensámos logo em ver se podia dar em algo através dos nossos contactos com o Jakub Kiwior, que estava na altura no Arsenal. Atraía-nos a ideia de os pôr a jogar juntos na defesa pelo facto de se conhecerem muitíssimo bem e entenderem em campo. Imaginámos que seriam uma dupla de comandantes atrás. Já tínhamos tido reuniões informais com agentes do Jakub e, após a transferência do Jan, explorámos o tema. Verificámos que o Jakub tinha todo o interesse em experimentar o desafio no FC Porto. Conseguimos fechar esse contrato no último dia do mercado de transferências, há um ano”, apontou o líder dos azuis e brancos, que participa no encontro da Associação Europeia de Clubes que se realiza em Copenhaga.
“O nosso departamento de scouting esteve sempre atento à evolução do Oskar [Pietuszewski] e, naquele momento, decidimos correr o risco. Ganhámos a aposta. O Oskar no FC Porto foi um tiro certeiro. Teve um papel fundamental na segunda metade da época e ajudou-nos a conquistar o título. Estamos extremamente satisfeitos com os três. Ouvimos falar um pouco da Oskarmania na Polónia na primavera passada, chegavam-nos alguns ecos. Não me surpreende, tendo em conta a forma como explodiu por cá. Notámos que há cada vez mais polacos a viajar para ver os nossos jogos e até aumentaram as ligações aéreas da Polónia para o Porto. Também vemos este efeito polaco na venda de merchandising. Lançámos uma linha de artigos do clube dedicados aos jogadores polacos e foi um sucesso de vendas”, fez questão de salientar.
Com a liderança no Campeonato reforçada com o triunfo no clássico frente ao Benfica, na antecâmara de mais uma partida difícil na Champions diante do Betis e antes de um jogo particular na Corunha frente ao Deportivo, tudo parecia “sereno” pelo Dragão. No entanto, já se percebeu que, sobretudo desde a chegada de Francesco Farioli como aposta forte de André Villas-Boas, tudo pode mudar num instante. Foi nesse contexto que, numa operação mantida em segredo até quase à conclusão e que foi acelerada pelos problemas físicos de defesas dos azuis e brancos, chegou à Invicta o novo reforço dos azuis e brancos: Chris Smalling.
Depois de ter rescindido com os sauditas do Al Fayha, onde esteve nas duas últimas temporadas, o inglês de 36 anos prepara-se para assinar agora a custo zero com os dragões num contrato de uma época com outra de opção. Desta forma, com Bednarek e Kiwior na seleção, Nehuén Pérez lesionado e Dominik Prpic cada vez a passar mais ao lado das opções, Farioli ganha uma alternativa para o eixo recuado sem necessidade de fazer recuar Pablo Rosario, permitindo também que Jakub Kiwior possa jogar como lateral na esquerda.
Internacional inglês por mais de 30 ocasiões, Chris Smalling passou já como sénior por Maidstone United e Fulham antes de chegar em 2010 ao Manchester United, ficando uma década inteira em Old Trafford com mais de 200 partidas realizadas. Ainda antes de rumar à Arábia Saudita, o defesa de 1,94 metros esteve na Roma, onde ganhou uma Liga Conferência em 2022 e foi a uma final da Liga Europa em 2023 tendo José Mourinho no comando técnico. Antes, nos red devils, o central venceu duas Premier, uma Taça de Inglaterra, uma Taça da Liga, três Supertaças e uma Liga Europa, sendo que também os últimos troféus conquistados em 2016/17 foram conseguidos quando o português passou pelo comando do United.