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Cientista ucraniano fugiu às chamas agarrado à janela do 3.º andar após drone russo atingir Academia de Ciências em Kiev

Um drone russo incendiou o edifício histórico da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia. Ihor Malchevsky escapou agarrado à fachada. E diz que negociar com Moscovo não faz sentido.

Manuel Nobre Monteiro
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Ihor Malchevsky, diretor-adjunto de um departamento da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia, escapou à morte depois de um drone russo atingir o prédio da instituição, em Kiev, e provocar um incêndio. O cientista de 69 anos ficou encurralado entre o fumo e as chamas, tendo acabado por se agarrar a uma janela do terceiro andar do edifício histórico.

“Os meus pensamentos estavam concentrados numa única coisa: como me salvar daquela situação“, contou Malchevsky à agência Reuters, um dia depois do ataque. Apesar de ter medo de alturas, o investigador saiu pela janela para escapar ao fumo intenso e às chamas que avançavam pelo edifício.

O ataque ocorreu na segunda-feira, quando um drone russo atingiu o edifício da Academia Nacional de Ciências, no centro de Kiev, perto da Ópera Nacional e da Embaixada da Alemanha. Uma pessoa morreu e várias ficaram feridas. O edifício, construído durante a época czarista, ficou gravemente danificado pelo incêndio.

https://observador.pt/2026/09/28/vaga-de-ataques-com-drones-russos-atinge-edificios-publicos-em-kiev-ha-pelo-menos-um-morto-e-19-feridos/

Malchevsky contou que não compreendeu logo o que estava a acontecer. “Nos primeiros segundos não se percebe. Depois a mente começa a funcionar e a analisar o que se passa”, relatou. No exterior, ouviam-se sirenes e alarmes de carros, enquanto as pessoas gritavam e as chamas consumiam o edifício.

Depois de estar durante alguns momentos agarrado à lateral do prédio, enquanto dezenas de pessoas assistiam à cena, os socorristas colocaram uma escada na fachada. Malchevsky desceu cuidadosamente até ao chão, praticamente sem ferimentos, e sentou-se num parque do outro lado da rua, onde bebeu água para aliviar a garganta afetada pelo fumo.

Pouco depois do resgate, a família chegou ao local. A filha, Kateryna Moskaliuk, de 37 anos, recordou o momento em que viu o pai coberto de fuligem. Sentiu alívio por o encontrar vivo, mas mostrou-se angustiada com o impacto que a guerra continua a ter sobre as famílias ucranianas. “Para quê tudo isto?“, questionou.

Os sete netos de Malchevsky, depois de verem imagens do resgate na internet, compararam-no em tom de brincadeira ao Homem-Aranha. O cientista, por seu lado, defendeu que a Ucrânia deve continuar a combater para enfraquecer a Rússia, apesar das tentativas de retomar negociações de paz apoiadas pelos Estados Unidos. Sobre essas conversas, Malchevsky foi categórico: “É um exercício sem sentido”.

O ataque à Academia de Ciências ocorreu num período em que a Rússia tem intensificado os ataques diurnos a Kiev e outras cidades ucranianas. Moscovo tem alargado os alvos a centros logísticos, empresas e centros de dados, enquanto a Ucrânia tem atingido infraestruturas petrolíferas e de defesa em território russo.