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A epidemia silenciosa da auto-prescrição: porque precisamos de falar sobre suplementos neste outono

A ideia de que "se faz bem a alguém, também fará bem a mim" é uma das maiores armadilhas da suplementação. Cada organismo tem necessidades diferentes.

Inês Vaz
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Com a chegada do outono, há um ritual que se repete em muitas famílias portuguesas. Os dias tornam-se mais curtos, as temperaturas descem, regressam as rotinas mais exigentes e, quase automaticamente, começamos a procurar soluções para reforçar as defesas, recuperar energia ou prevenir as doenças típicas da estação.

Nos últimos anos, os suplementos alimentares passaram a fazer parte desse plano de preparação sazonal. E não é difícil perceber porquê: prometem responder a necessidades concretas, desde a imunidade ao sono, da gestão do stress à vitalidade física e mental. A dimensão deste consumo ajuda a explicar a urgência do tema: segundo um inquérito da DECO PROteste1 divulgado em 2025, 51% dos portugueses entre os 18 e os 74 anos afirmou ter tomado suplementos nos dois anos anteriores, embora o mesmo estudo revele fragilidades relevantes no conhecimento sobre a sua eficácia e possíveis riscos. O problema surge quando a procura cresce mais depressa do que a informação de qualidade disponível.

Vivemos uma verdadeira epidemia de auto-prescrição. Nunca foi tão fácil encontrar recomendações sobre vitaminas, minerais ou outros suplementos nas redes sociais, em fóruns online ou através de influenciadores digitais. O desafio é que nem sempre essas recomendações têm fundamento científico ou são adequadas à realidade de quem as segue.

A ideia de que “se faz bem a alguém, também fará bem a mim” é uma das maiores armadilhas da suplementação. Cada organismo tem necessidades diferentes, que dependem da idade, alimentação, estilo de vida, estado de saúde ou eventual toma de medicação. Um suplemento que pode ser útil para uma pessoa pode ser desnecessário ou até desaconselhado para outra.

Nesta fase do ano, por exemplo, é frequente verificar-se um interesse acrescido por nutrientes associados à imunidade e à energia, como as vitaminas C, D e do complexo B, o zinco, o ferro ou determinados probióticos. A vitamina D merece particular atenção, uma vez que a sua produção pelo organismo depende sobretudo da exposição solar, que tende a diminuir nos meses mais frios2. Contudo, a decisão de suplementar  não deve ser assumida como necessária para todos, partir de tendências ou modas. Deve resultar de uma necessidade identificada e, sempre que possível, ser acompanhada por um profissional de saúde.

Importa também recordar uma mensagem simples: nenhum suplemento substitui os pilares fundamentais da saúde. Antes de procurar uma cápsula milagrosa para combater o cansaço, vale a pena questionar se estamos a dormir o suficiente, a fazer uma alimentação equilibrada, a praticar atividade física regular ou a gerir adequadamente os níveis de stress. Muitas vezes, a resposta para a falta de energia não está num frasco, mas nos hábitos do dia a dia.

Isso não significa que os suplementos não tenham um papel importante. Pelo contrário. Quando utilizados de forma informada e adequada, podem ser aliados valiosos. A chave está na palavra “adequação”. Suplementar não deve ser um impulso. Deve ser uma decisão consciente.

À medida que entramos nos meses mais frios do ano, o verdadeiro desafio não é consumir mais suplementos. É aprender a usá-los melhor. Porque cuidar da saúde não passa por seguir a última recomendação que apareceu no ecrã do telemóvel. Passa por procurar informação credível, compreender as necessidades do nosso corpo e tomar decisões sustentadas. É precisamente neste contexto que iniciativas como o novo hub “Tudo Sobre Suplementos”, da Wells, podem desempenhar um papel relevante, ao reunir conteúdos simples, acessíveis e desenvolvidos com especialistas para apoiar escolhas mais informadas em áreas como imunidade, energia, sono, stress, saúde digestiva ou nutrição desportiva.

Este novo espaço nasce precisamente para responder a esta necessidade de orientação, funcionando como uma plataforma digital de literacia em saúde e suplementação. Disponível online, reúne vídeos, artigos, guias explicativos e respostas a perguntas frequentes, organizados por temas centrais do bem-estar, sono, stress, imunidade e energia, passando pela saúde digestiva, nutrição desportiva e necessidades específicas da mulher em diferentes fases da vida.

Num momento em que a oferta nunca foi tão vasta, a literacia em saúde é talvez o suplemento mais importante de todos. E esse é um investimento que faz sentido em qualquer estação do ano.

1 DECO PROteste (2025), “Metade dos portugueses toma suplementos, mas desconhece os riscos e eficácia”
2 SNS 24, “Vitamina D”, atualizado em 15 de abril de 2025