Depois de cancelar o lançamento do modelo de inteligência artificial (IA) GPT-6.1 Astra por questões de segurança, a OpenAI não dá sinais de querer abrandar.
Na conferência de programadores DevDay, em São Francisco, nos EUA, o laboratório de IA voltou aos anúncios. Incluindo a apresentação de um modelo de IA, o GPT-6.1 Sol, que chega pouco mais de uma semana depois do antecessor, o GPT-6 Sol.
Sam Altman explicou que os utilizadores responderam bem ao modelo Astra, “pediam-nos para torná-lo mais rápido e mais barato”. O GPT-6.1 Sol pretende responder a esses pedidos, tendo sido apresentado como uma opção que permite um maior “equilíbrio de custos”. “O GPT‑6.1 Sol iguala o GPT‑6 Astra a cerca de um quinto do custo”, explicou o CEO da OpenAI.
Segundo a empresa, “o GPT‑6.1 Sol é uma atualização do GPT‑6 Sol com um desempenho excecional em programação agêntica, bem como na utilização do computador e no trabalho profissional”.

Porém, o grande destaque da apresentação desta terça-feira foram os Dots, apresentados como pequenos bonecos coloridos. Os Dots são, na prática, a resposta da OpenAI ao Muse, o assistente pessoal lançado este mês pela Meta.
Em comunicado, a OpenAI descreveu os Dots como “agentes de capacidade notável, sempre ativos e concebidos para tratar de tudo”. E, além disso, “uma forma inteiramente nova de trabalhar com a IA”.
Os Dots vão poder ser personalizados — não só será possível escolher o aspeto, como também o nome. Nos vídeos de apresentação, a OpenAI mostrou um Alfred, um pequeno triângulo amarelo, com nome de mordomo, ou uma assistente chamada Iggy.

Altman explicou que os Dots vão estar “sempre a funcionar” e que operam através do modelo Astra, apresentado este mês. Vão estar disponíveis num separador do ChatGPT, mas também na web e no telefone. A empresa quis demonstrar que trabalhar com os Dots será “tão simples como conversar” — será possível enviar mensagens ou até fazer uma chamada de voz com o assistente, como se estivesse a ligar a alguém. “Os Dots mantêm o contexto em todos os canais, pelo que o seu Dot terá todo o contexto, independentemente de onde o contactar”, explicou a OpenAI em comunicado.
Segundo a empresa, o utilizador pode definir que nível de acesso é que os Dots podem ter: se estão integrados com aplicações de trabalho (há para já compatibilidade com “mais de 4 mil aplicações”) ou se têm acesso aos seus contactos. A OpenAI promete que terão “salvaguardas de segurança e privacidade”, partindo “das proteções do ChatGPT”. O utilizador poderá “definir limites, acompanhar o progresso e participar nas decisões que exigem a sua intervenção”.
Para empresas, haverá um novo espaço para trabalhar em equipa com os Dots. Chama-se ChatGPT Space e será um espaço colaborativo, em que membros de uma equipa podem interagir com agentes para criar imagens, gráficos e visualizar informações. Será também por lá que será possível ver que tarefas alguém da equipa delegou a um Dot.
A OpenAI revelou ainda um novo modelo de subscrição Pro, que custará 500 dólares por mês (440 euros). Neste patamar de subscrição haverá “limites de utilização mais elevados e acesso exclusivo ao Astra Ultrafast, o modelo de fronteira mais rápido”, que promete ser “até oito vezes mais rápido do que o Astra padrão no ChatGPT Work e no Codex”, as ferramentas de trabalho e programação da empresa.
Sem mencionar ataques ou riscos da IA, Altman falou em “otimismo”
A conferência anual decorreu num momento de debate intenso sobre os potenciais riscos causados à humanidade se a IA chegar a um nível de superinteligência. E também depois de ataques causados por agentes de IA, em alguns casos desenvolvidos pela OpenAI. Em julho, foi conhecido o ataque de um “enxame” de agentes da OpenAI à plataforma de código Hugging Face (e aos próprios sistemas da OpenAI).
https://observador.pt/especiais/um-ataque-concertado-agentes-sacrificados-e-ate-uma-hierarquia-como-o-caso-hugging-face-expos-o-que-pode-correr-mal-na-ia/
Na semana passada, Anthony Albanese, o primeiro-ministro australiano, revelou que os agentes da OpenAI atacaram um serviço governamental, o portal de estatísticas da Medicare. As autoridades australianas estão a investigar o incidente de segurança e teceram críticas à forma “inaceitável” como a OpenAI notificou as autoridades.
https://observador.pt/2026/09/23/primeiro-ministro-da-australia-revela-que-agente-da-openai-entrou-em-site-do-governo-em-junho/
Os casos de ataques de agentes e o debate sobre a segurança da IA não tiveram lugar no discurso de Sam Altman. O CEO da empresa preferiu dizer que se sente “otimista sobre a nova fase da IA”.
Altman terminou a apresentação a dizer que discorda das pessoas que descrevem a “IA como uma nova revolução industrial”. “Há algumas partes da vida que não podemos e não devemos automatizar. Acredito que o futuro, se acertarmos nisto, pode ser mais como um novo Renascimento do que uma revolução industrial.”
“A IA é sobre dar mais poderes às pessoas, mais ferramentas para criar e expandir conhecimento. Com tudo o que lançámos hoje e com o espírito criativo que têm [dirigia-se ao público], é a esse futuro que esperamos chegar.”