(c) 2023 am|dev

(A) :: Manchester City considerado culpado de todas as 115 acusações de violações financeiras na Premier League ao longo de nove temporadas

Manchester City considerado culpado de todas as 115 acusações de violações financeiras na Premier League ao longo de nove temporadas

Comissão independente conclui que o City inflacionou receitas e reduziu custos em mais de mil milhões de euros. O clube diz ter "provas irrefutáveis" e vai recorrer até 2 de outubro.

Agência Lusa
text

Uma comissão independente da Liga inglesa de futebol considerou, esta terça-feira, que o Manchester City é culpado de todas as acusações relacionadas com “graves violações” das regras financeiras da competição ao longo de nove temporadas.

O clube inglês, que se mostrou “desapontado e surpreso”, foi acusado em fevereiro de 2023 de 115 irregularidades financeiras relativas ao período entre a temporada de 2008/09 e 2017/18.

Segundo a Premier League, o atual vice-campeão inglês “negociou acordos comerciais fraudulentos com vários dos seus patrocinadores durante o período em questão, como parte de um esquema de financiamento disfarçado”, sendo que, nesse esquema, “as empresas pagavam apenas uma parte das taxas de patrocínio, enquanto o restante era financiado pelo Abu Dhabi United Group Investment & Development Ltd (ADUG), proprietário do clube”.

Além disso, foram feitos “outros acordos fraudulentos, também financiados pelo ADUG, firmados para permitir que o clube registasse despesas operacionais menores do que as reais, bem como um acordo fraudulento com a Fordham, entidade que adquiriu os direitos de imagem dos jogadores do clube, também financiado pelo ADUG”.

Segundo a Premier, este esquema permitiu ao City “inflacionar artificialmente as receitas do clube e reduzir os seus custos em mais de 1.000 milhões de euros (ME) durante o período afetado, para aparentar conformidade com as normas financeiras”.

Assim, conforme constatado pela comissão independente, o emblema no qual atuam os internacionais lusos Rúben Dias e Matheus Nunes “apresentou demonstrações financeiras distorcidas e ocultou a verdadeira situação das suas finanças dos auditores e dos órgãos reguladores do futebol”, pelo que foi concluído que esta “conduta seria para claramente burlar as regras da Premier League”.

Por fim, a competição acusou o clube de cometer “múltiplas violações dos seus deveres de cooperação e de máxima boa-fé” para com o organismo durante quatro anos de investigação.

Já o emblema do Norte de Inglaterra declarou-se “inocente das acusações feitas” e assegura ter em mão “um conjunto abrangente de provas irrefutáveis, que sustentam todas as posições relativas a este caso”.

“O processo da Premier League continua em andamento, com elementos significativos ainda por concluir. O Manchester City FC irá agora recorrer às vias legais disponíveis, com base no facto de a decisão conter erros materiais evidentes, tanto de direito como de princípio e de facto, e ser, portanto, insegura“, explicou o City.

Os citizens, que podem recorrer até 02 de outubro, indicam ainda que estão “limitados em relação ao que se pode declarar até que todos os procedimentos futuros sejam concluídos”.