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(A) :: Subida dos juros coloca em risco redução da dívida pública. Tribunal de Contas avisa que há 61 mil milhões para refinanciar até 2028

Subida dos juros coloca em risco redução da dívida pública. Tribunal de Contas avisa que há 61 mil milhões para refinanciar até 2028

Tribunal de Contas "chumba" Conta Geral do Estado de 2025. E avisa que custos de refinanciamento da dívida em mercado estão a subir. Portugal tem de refinanciar 61 mil milhões até 2028.

Ana Suspiro
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O Tribunal de Contas (TdC) identifica fatores que colocam em risco a redução da dívida pública portuguesa. O principal é a pressão sobre os custos de refinanciamento devido à atual “tensão geopolítica internacional sobre as taxas de juro”. Num parecer sobre a Conta Geral do Estado de 2025, que volta a merecer o “chumbo” da instituição sob a forma de “não conformidade”, o TdC alerta para o elevado volume de dívida que Portugal tem de refinanciar entre 2026 e 2028 e que ascende a 61 mil milhões de euros.

Considerando que se vive um contexto de “financiamento menos favorável”, isso vai ser refletido no custo da dívida emitida. A instituição liderada por Filipa Calvão refere que o custo de financiamento, que foi de 3,4% em 2024 e 2025, “deverá subir, situando-se acima do custo das emissões realizadas até 2022”.

A pressionar a dívida portuguesa está ainda o aumento da fatia de títulos que estão nas mãos de investidores não residentes, que saltou de 24,8% em 2024 para mais de 30% em 2025. Estes investidores são “tendencialmente mais sensíveis a variações no risco”.

As projeções apontam para a continuação de uma evolução favorável do rácio da dívida pública face ao Produto Interno Bruto. No ano passado, a dívida pública manteve-se elevada, ascendendo em termos consolidados a 262.122 milhões de euros, mais 1,6% do que em 2024.

No parecer entregue esta terça-feira ao Parlamento, o Tribunal de Contas constata que a Conta Geral do Estado continua a apresentar falhas no reporte de informação e nas demonstrações orçamentais e financeiras consolidadas do Estado e da Segurança Social. “Esta limitação não permite obter uma visão completa e integrada da situação financeira e patrimonial do Estado. Impossibilitou ainda a Certificação da Conta pelo Tribunal, por não ser possível garantir a sua fiabilidade.”

O parecer aponta igualmente para “omissões relevantes ao nível da dívida pública, da carteira de ativos financeiros do Estado, do património imobiliário e das responsabilidades contingentes. Identifica também erros que subvalorizaram a receita e a despesa, em pelo menos 331 milhões de euros, reduzem a transparência do Relatório da Conta e a integralidade da informação dos sistemas centrais do Ministério das Finanças.”

O Tribunal denuncia também um “elevado risco de atrasos significativos nos desenvolvimentos dos sistemas de informação, uma vez que as verbas previstas no âmbito do PRR foram reduzidas para 13,2% do valor inicial, levando a reprogramar a sua execução até 2029, com verbas do Orçamento do Estado”. Em consequência, os progressos na reforma da gestão financeira pública tiveram um impacto limitado na Conta Geral do Estado.