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(A) :: Outra vez deslizamentos de terras no Nepal. Chuva intensa volta a fazer mortos nos Himalaias

Outra vez deslizamentos de terras no Nepal. Chuva intensa volta a fazer mortos nos Himalaias

Deslizamento no Himlung Himal, cheias no Kali Gandaki, casas arrastadas para rios e pelo menos 24 mortes. O Nepal enfrenta dias de catástrofe — e a ciência explica por que vai continuar.

Filomena Martins
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Há uma parte da montanha que parece mero creme de bolo a derreter-se. Como a 26 de agosto, as imagens parecem de Inteligência Artificial. Mas também não são. Vêm novamente dos Himalaias, do Nepal, não têm os contornos da tragédia de então, mas também causaram vítimas. Aquele deslizamento de terras desfaz-se declive abaixo e leva tudo à frente no Himlung Himal, em Manang. Dois guias morreram e há mais 14 trabalhadores e guias de alta montanha desaparecidos, segundo o Kathmandu Post.

https://twitter.com/Arab_Storms/status/2104506888104935703

https://twitter.com/DailyLoud/status/2104425067333496996

Não são infelizmente os únicos. Nem o único acontecimento do género dos últimos dias. Há outras imagens muito impactantes de Galkot, em Baglung. Um deslizamento fez ceder uma encosta e um edifício público foi arrastado para o rio Daram. Uma enorme cheia no rio Kali Gandaki arrasou casas, pontes e estradas. As ligações entre várias regiões estão cortadas.

https://twitter.com/sidhshuk/status/2104199990197543156

https://twitter.com/Katwal_Vinod/status/2104437255209394228

A chuva forte e contínua desde o final da semana causou cheias e vários deslizamentos do género no Nepal. O balanço oficial mais recente aponta para 24 mortos, vários desaparecidos e quase 800 famílias diretamente afetadas. Cerca de duas mil pessoas tiveram de ser retiradas preventivamente das zonas de maior risco.

https://twitter.com/ag_Journalist/status/2104460708687839518

Não têm faltado os avisos. Desde a tragédia do final de agosto que os cientistas alertaram que apesar de as monções poderem ser menos chuvosas, não deixariam de ser muito perigosas. O forte El Niño deste ano faria sentir os seus efeitos na região. Quando chove intensamente durante vários dias, como tem sido o caso, a água infiltra-se no terreno. Isso aumenta o peso dos solos e diminui a sua estabilidade. Numa encosta muito íngreme, é fácil que grandes massas de terra, rocha e detritos se desloquem rapidamente montanha abaixo. Mesmo tendo havido precipitação abaixo da média em partes dos Himalaias, os episódios curtos de chuva muito intensa causam estas cheias rápidas e os deslizamentos que estão a acontecer.

https://twitter.com/sustainme_in/status/2104425821788389875

Até porque o Nepal junta um cocktail de fatores de risco. As encostas extremamente íngremes dos Himalaias, por onde escoam rios que depressa podem quintuplicar caudais com dias seguidos de monções mais fortes, além da geologia local. A falha que atravessa a montanha e a faz crescer centímetros por ano causa sismos constantes, que balançam encostas frágeis onde o aquecimento global tem derretido não só a neve dos picos, como permafrost que a colava e os seus glaciares.

https://twitter.com/Arab_Storms/status/2104467302225998316

O Nepal não é um país onde chove muito. Este ano até tem chovido menos do que é habitual em período de monções. O problema é que tem chovido muito intensamente em curtos períodos de tempo sobre encostas muito íngremes, que são neste momento das mais instáveis e vulneráveis do mundo. Em setembro de 2024, depois de passar por três dias de chuvas intensas que causaram cheias que provocaram mais de 200 mortes, o World Weather Attribution concluiu que no Nepal o aquecimento provocado pelo homem tornou o fenómeno cerca de 10% mais intenso e 70% mais provável nos próximos tempos. E um estudo publicado no Climate Risk Management afirmou que os riscos aumentaram em todo o país devido ao crescimento dos extremos de precipitação.

https://twitter.com/surajit_ghosh2/status/2104502186952777856