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(A) :: Galamba diz que medidas do Governo e oposição são "danosas para o país" e acusa Carneiro de ter sido "desnecessariamente alarmista"

Galamba diz que medidas do Governo e oposição são "danosas para o país" e acusa Carneiro de ter sido "desnecessariamente alarmista"

O antigo secretário de Estado da Energia também critica as medidas do Governo e da oposição na crise energética e defende apoios direcionados às famílias vulneráveis e ao setor dos transportes.

Rita Tavares
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João Galamba critica as medidas do Governo, mas também da oposição, na resposta à crise energética. O antigo secretário de Estado do Ambiente e da Transição Energética defende “apoios direcionados” em vez de uma baixa generalizada de impostos. Mas a crítica maior do socialista, esta manhã na rádio Observador, foi para o líder do PS que levantou dúvidas, na última semana, sobre a mobilização de parte da reserva de combustíveis do país para França.

“Foi desnecessariamente alarmista“, afirmou Galamba no programa Explicador sobre essas declarações de José Luís Carneiro. “Acho que a ministra do Ambiente e Energia esteve bem, não há qualquer razão para alarme. Acho que se criou alguma associação na cabeça das pessoas de que parte das reservas estratégicas não estarem em território nacional constituiria alguma fragilidade”, detalhou o antigo governante, que acrescentou que não se trata de “nenhuma vulnerabilidade”, para Portugal e que “foi certamente pensado” pela ENSE que “tem muita experiência na gestão das reservas energéticas nacionais, nomeadamente de combustíveis”.

Galamba disse mesmo que “o líder do Partido Socialista poderia ter tido outro tipo de intervenção e não contribuído, sobretudo desnecessariamente, para criar alarme social.”

O socialista é atualmente diretor da PragmaCharge, empresa especializada em transportes pesados elétricos, e falou na atual resposta do Governo à crise. Considera que “a gravidade da situação justificaria uma concertação entre Governo e alguns partidos da oposição de tentar racionalizar as medidas”. E quanto às medidas que o Executivo tomou e as que a oposição pede, diz que, “dada a dimensão da crise, era importante garantir que os apoios eram direcionados e não generalizados. Parece um desperdício de recursos públicos a baixa generalizada de impostos” — o Governo baixou o IRS e a oposição tem pedido o alívio do IVA dos combustíveis.

“A estratégia do Governo e da oposição são profundamente danosas para o país, porque quer um, quer outro, estão completamente a desvalorizar a necessidade urgente de acelerar a transformação estrutural do país”, considera o antigo governante que atira ainda responsabilidades a quem governa e a quem faz oposição por ignorar a necessidade de acelerar a transição energética.

João Galamba diz que falham os dois na ausência de medidas para “acelerar a transformação da economia” e aponta o dedo à ministra do Ambiente por ter sido ultrapassada, nesta matéria, pelo ministro das Infraestruturas que substituiu a lei da mobilidade elétrica. “Acho que foi uma boa medida. É a medida, de longe, mais consequente, mas ainda tem problemas de implementação. Mas isso foi tomado fora de um período de crise e desde que a crise começou, no final de fevereiro, início de março, não conheço nenhuma medida deste Governo para acelerar a transformação da economia. Já agora, também não conheço da oposição”, atira.

Já sobre o caminho que considera que devia ser seguido para responder ao aumento dos preços dos combustíveis, Galamba aponta que “as famílias que deviam ser foco de atenção são as famílias mais vulneráveis e as empresas, aquelas que têm um impacto transversal na economia, nomeadamente o setor dos transportes” — aqui defende que o Estado “nunca deve dar apoios a empresas sem contrapartidas”. Aconselha mesmo o Governo e a oposição a sentarem-se com a ANTRAM (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias) e a “negociar apoios, se calhar mais significativos, eles não são suficientes para sequer equilibrar a situação das empresas de transportes em Portugal e Espanha”.

O socialista ainda foi questionado sobre a decisão do Executivo de adquirir até 20% da REN e discordou. Disse que ainda não ouviu razões que justifiquem a operação, sobretudo porque os preços da energia “dependem exclusivamente das regras do enquadramento regulatório, que é definido em procedimentos aprovados pela ERSE e pela lei existente”. A intervenção no capital da REN “não altera esse procedimento”, detalhou para concluir que não vê que “esta operação possa ter qualquer efeito” na redução dos preços.