A passadeira estava estendida. Foi o próprio que fez tudo – a passadeira, o tamanho da mesma à medida dos seus sonhos, o desenrolar com o passar do tempo de uma vida que já conta muito mais do que os 26 anos de idade. Um triatleta é tudo menos um simples corta-fitas, pelo trabalho muitas vezes invisível de quem treina dias a fio em alguns momentos a horas quase impróprias, mas o único reconhecimento que procura é aquele cortar de fita na linha da meta sendo mais rápido do que todos os outros. No caso de Vasco Vilaça, o dia da consagração estava apenas à distância de um top 5 mas era na vitória que tinha o foco. No epílogo do sprint com o rival Matt Hauser, o triunfo da Grande Final em Pontevedra acabou por cair para o australiano. No segundo seguinte, o bigode que sorria era o do português. Aos 26 anos, sagrou-se campeão mundial e chegou ao penúltimo objetivo de carreira que tinha ainda por cumprir. Sobre o último, falaremos em 2028.
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“A imagem de ser campeão mundial mantém-me motivado todos os dias, principalmente este ano, em que, desde o início da época, tenho conseguido estar como número um mundial. Quando se é número um, aquilo que fica na cabeça é esse momento de passar a meta. Mas sei que, neste momento, o importante é ser mais prático do que emocional em relação ao que poderá acontecer no final da prova. Tenho de me focar naquilo que tenho de fazer desde o início, para poder chegar a esse momento onde quero estar”, tinha apontado na antecâmara da competição em Espanha, sempre com o mesmo objetivo na mira: “A coisa mais bonita de ser campeão mundial é ser um título que não desaparece. Quando chegar ao final da minha carreira, este título vai ficar comigo para sempre. Daqui a 50 anos, sei que é este título que vai ficar comigo…”.
Num final com formato olímpico, depois dos Jogos de Paris de 2024 onde o quinto lugar deixou um misto de dever cumprido por ser a melhor classificação de sempre no setor masculino e a sensação de que podia ter ido ainda um pouco mais longe, Vasco Vilaça, vice-campeão mundial em 2020 e terceiro classificado no ano passado, vingou todas as ocasiões em que sendo um dos melhores não foi “o” melhor. Entre 1.500 metros de natação, 40 quilómetros de ciclismo e dez quilómetros de corrida, tudo ficou adiado para os derradeiros metros ao sprint, onde o segundo lugar carimbou o título mundial e lançou a festa com o amigo e companheiro de Seleção Ricardo Baptista, que fechou a Grande Final no pódio com uma medalha de bronze.
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“Ainda me custa acreditar que sou campeão mundial. Durante a prova procurei focar-me em cada momento e não pensar em mais nada. Dei mais um grande espetáculo com o Matt [Hauser] e ter o Ricardo [Baptista] a fazer a corrida toda ao meu lado… Fiquei muito feliz por isso. É um grande companheiro, cresci com ele. Não podia estar mais feliz. Dá sempre uma confiança extra ter outros portugueses à minha volta nos quais posso confiar. Portugal nunca teve um pódio masculino, o ano passado fiquei em terceiro e este ano temos dois homens, o campeão do mundo e o terceiro…”, comentou depois da vitória alcançada em Pontevedra.
“Taticamente, a prova correu muito bem. Guardei-me para um grande sprint final. Claro que notámos ali que o Matt fez um bocadinho de jogo sujo, mandou-se para cima de mim, mas no fim, mesmo no fim, o campeonato estava ganho. Competi sob uma pressão como nunca tinha sentido mas o balanço é melhor do que imaginava no início da época. Este ano sonhava ganhar uma etapa do Campeonato do Mundo. Não só ganhei uma, como foram duas, e agora sou campeão mundial. Mas há muito trabalho por trás disto. A minha equipa é incrível. Agradeço a quem me ajudou a chegar aqui, quem tornou possível aguentar esta pressão. Neste momento ainda não tive tempo para processar as emoções, só consegui estar abraçado à minha família. Quase que a lágrima veio…”, acrescentou Vilaça ainda na zona mista depois de atingir um feito histórico.
Portugal tinha pela primeira vez um campeão mundial de triatlo no setor masculino, quase duas décadas depois do fenómeno Vanessa Fernandes, que é desde sempre a sua grande inspiração, se ter sagrado campeã mundial, em 2007. No ano seguinte, a atleta agora de 41 anos conquistou a medalha de prata nos Jogos de Pequim. É por isso que, além da revalidação do título, Vasco Vilaça já olha para Los Angeles-2028.

Do medo da água ao gosto pelo triatlo, entre a Suécia e um leão-marinho em Malibu
Nascido na Amadora, o atleta do Benfica praticou um pouco de tudo. Jogou futebol, andou no basquetebol, experimentou o voleibol, chegou mais tarde a juntar-se à equipa de andebol na escola secundária durante um período curto. No entanto, nunca houve nada como o triatlo – ou duatlo, quando começou com a irmã, Vera. Havia ciclismo, havia atletismo, a natação entrou mais tarde. Com essa curiosidade: o atleta agora campeão mundial tinha medo de água quando era mais novo e imaginava muitas vezes a possibilidade de se cruzar com um tubarão ou um crocodilo. Nunca aconteceu, apesar de ter a história de um cruzamento tanto ou mais improvável nos Estados Unidos com outro animal. Superou esse receio, superou horários que não são fáceis, superou lesões (em particular uma no tendão de Aquiles), superou realidades distintas que foi vivendo da mudança para a Suécia à atual morada em Espanha. Superou tudo, sempre pelo mesmo motivo.
Ainda se recorda das primeiras viagens que fez com a família, nomeadamente a Viena e à Disneyland, aos cinco anos, mas foi a partida para a Suécia, onde os pais procuraram melhores condições de vida, que mais lhe marcou a vida. Tinha 13 anos e tinha o triatlo como algo maior do que um mero gosto ou hobbie.
“Comecei a fazer triatlo com seis anos mas a escolha não foi minha. Gostava muito de andar de bicicleta, de correr… Nadar não era aquilo que queria fazer mas foi a forma que os meus pais encontraram para me interessar por aprender a nadar e juntar as três coisas. Felizmente, tal como eu fui influenciado pela Vanessa [Fernandes], também muitas outras crianças o foram e criou-se um grupo no Belenenses, que foi o clube onde ela também começou e onde eu também comecei. Juntei-me a eles e com seis anos não estava sozinho, entrei no grupo que tinha mais dez ou 15 crianças dos seis aos dez anos. Comecei a ir aos treinos não para treinar, mas porque tinha lá os meus amigos. Divertíamo-nos muito, os treinos não eram propriamente sérios, eram brincadeiras uns com os outros. Uns tempos depois já nem queria estar com os amigos da escola, queria estar com os amigos do triatlo”, recordou numa entrevista ao Observador em 2023.
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“Em Portugal começamos muitas vezes no duatlo porque no inverno fica muito frio para ir nadar. Tinha medo de nadar, sempre que via alguma coisa a boiar na água achava que era um crocodilo ou um tubarão, os medos aparecem e custou um bocadinho. Houve uma altura em que ia às provas de triatlo e recusava-me a nadar. Depois houve uma prova qualquer em que os meus pais disseram que não iam levar-me, porque era triatlo e eu não queria fazer. Não iam obrigar-me. Mas aí fui eu que disse que queria, prometi que daquela vez ia para a água. Foi no Cartaxo e como a distância a nadar nos escalões mais jovens era muito curta nem sequer fomos para uma zona sem pé, que era o meu medo, ficar sem controlo. Foi pela margem. Nadei o caminho todo porque sabia que, se precisasse, podia parar e sair. E a partir daí, por ter percebido que não havia problema nenhum, nunca mais olhei para trás”, apontou. Hoje, a forma de olhar para a natação já é diferente. Não é que não goste mas prefere mar, lago ou piscina ao ar livre… para ser mais divertido.
“A Suécia foi uma bela aventura. Nunca tinha visto neve, achava que os flocos mais finos eram mosquitos… Os meus pais decidiram ir para a Suécia por motivos profissionais e eu fui com eles. Na altura foi um bocadinho complicado, deixar tudo aquilo que conhecia, deixar os meus amigos, mas sinto que estava muito aberto à nova aventura. Gosto de conhecer pessoas novas, de conhecer sítios novos, de fazer amigos novos. Mas sempre fui muito mau a línguas e de repente fui obrigado a falar inglês, que era uma língua que mal conseguia falar, e depois disso ainda tive de aprender sueco. Acho que essa mudança fez com que evoluísse muito mais do que tinha acontecido até aí, num ambiente controlado, num ambiente confortável”, contou, entre as dificuldades de adaptação não só a uma nova cultura mas também a outro “estilo” de triatlo.
“A Suécia tem uma cultura viking, tem triatlo diferente. É o chamado triatlo de longa distância, aquelas coisas tipo Ironman. O objetivo é acabar a prova, uma prova especial, muito longa, que quem acaba é porque é forte, é um viking. Foi um bocadinho complicado encontrar um grupo de treino onde pudesse divertir-me como divertia em Portugal. Demorou uns anos, tive alguns momentos em que foi complicado encontrar motivação. Quando comecei o ensino secundário entrei numa escola que é uma espécie de Escola Secundária de Triatlo, uma escola especial que junta os melhores triatletas adolescentes do país. É uma escola normal mas o nosso treinador trabalha como professor na escola e temos as condições todas, piscina, ginásio, acesso a tudo aquilo de que precisamos para treinar. E temos os melhores atletas à nossa volta. Ajudou-me muito a ganhar responsabilidade, porque tive de sair de casa para ir para lá, e pela primeira vez estava perto de pessoas que não só gostavam de fazer aquilo como queriam obter os melhores resultados possíveis. Levaram-me a entender o lado mais sério do triatlo”, salientou nessa mesma entrevista em 2023.

Vasco Vilaça chegou a sentir-se “mais sozinho”. Chegou mesmo a “perder o interesse” no triatlo. Também aqui, como tinha acontecido uns anos antes no Cartaxo quando percebeu que não tinha razões para medos na natação, houve um ponto chave: a convocatória para a Seleção numa prova internacional. Com isso, voltou a “encher o balão” de esperança num futuro no triatlo, neste caso numa Escola a 200 quilómetros de distância da casa dos pais na Suécia. Entrou numa nova realidade: professor de natação, de triatlo, um planeamento escolar feito à medida dos treinos, acesso a ginásio. “Em casa era muito protegido. Não sabia cozinhar e lavar roupa, não queria arrumar o quarto nem fazer os trabalhos. De repente, tinha de fazer tudo sozinho. Ali ninguém sabia cozinhar mas fomos aprendendo e divertíamo-nos”, disse. Tornou-se independente.
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Mais tarde, em 2018, acabou por entrar no curso de engenharia informática da Universidade de Linköping. A parte académica continuava de vento em popa, o triatlo não ficava atrás – afinal, no ano anterior, tinha sido campeão europeu e vice-campeão mundial de juniores. Depois, em 2020, no ano da pandemia onde veio para Portugal, foi vice-campeão mundial e conseguiu uma medalha de prata na Taça do Mundo. No ano seguinte, apanhou o tal susto numa prova em Malibu, mais concretamente num treino na praia de Zuma.
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“No dia antes da prova toda a gente foi treinar para a piscina mas estou sempre a treinar na piscina e pensei que estava ali naquele sítio e queria era ir para o mar. Fui com um grupo de outros atletas e fomos para a praia. Eles ficaram na zona de rebentação a aprender a entrar e a sair das ondas mas como cresci em Portugal e estou habituado a fazer isso, sei lidar com as ondas e ganhar tempo com isso. Eles ficaram ali e eu fui dar umas braçadas mais à frente, uns 50 metros para lá da costa. Fiquei só a nadar paralelamente à praia. Fui para um lado e comecei a ficar cercado por alforrecas, a ser picado, então nadei para o outro lado. Mas depois vi uma sombra enorme e logo aí foi um susto muito grande, porque ali há tubarões. Parei, olhei debaixo de água e vi que era um leão-marinho”, contou o atleta português sobre o episódio.
“Fiquei parado, sem saber o que podia fazer, porque dentro de água não consigo fugir. Tentei não fazer nada que o assustasse e ele veio cheirar-me, como um cão, com aqueles bigodes grandes. Comecei a afastar o focinho muito devagarinho, parecia tudo controlado, mas tive o azar de sermos apanhados por uma onda. O leão-marinho veio contra mim, assustou-se muito e mordeu-me o braço. Ficou muito agitado, eu fiquei muito assustado e tudo o que consegui fazer foi pôr a outra mão entre o meu braço e a boca dele e abrir a boca até conseguir controlá-lo para não me morder em mais lado nenhum. No meio dessa luta acabei por virá-lo de barriga para cima e só soube depois que eles ficam paralisados de barriga para cima, como os tubarões. Mas não queria largar, porque tinha medo de que acordasse, então fui a nadar até à praia com um leão-marinho agarrado e são e salvo”, acrescentou sobre o dia antes de acabar em terceiro nessa competição.
A influência de Vanessa, uma referência que se tornou companheira de treino de “Vils”
Na génese de tudo esteve, está e estará sempre Vanessa Fernandes. A maior triatleta portuguesa, que ganhou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008 apenas um ano depois de se sagrar campeã mundial, sempre foi a grande referência de Vilaça, que tem também esse ponto comum de, tal como a atleta nascida em Vila Nova de Gaia, ter dado os primeiros passos na modalidade ao serviço do Belenenses.
“Se não fosse a Vanessa, eu não estava cá hoje. Eu e a minha irmã e os meus pais só encontrámos o triatlo pelas notícias sobre a Vanessa, que levou os meus pais a procurarem saber mais sobre o triatlo. Nós gostávamos muito de andar de bicicleta e de correr, os meus pais queriam que aprendêssemos a nadar e isso foi na altura em que a Vanessa ganhava tudo. Os meus pais acharam que era uma boa forma de conjugar o que já fazíamos e gostávamos com aquilo que eles queriam que aprendêssemos. O Belenenses tinha uma equipa de triatlo que ainda existe, mas na altura tinha muitas crianças. Todas nessa altura se juntaram por causa da Vanessa. Era na altura um ídolo e é hoje um ídolo”, destacou o campeão mundial ao MaisFutebol.
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“Não me lembro se vi a prova toda da Vanessa em Pequim mas tenho memória de estar à frente da TV com os meus pais a torcer por ela. Foi uma luta bastante dura entre a Vanessa e a Emma Snowsill, que foi a campeã olímpica. Quando dei o meu salto para um objetivo mais profissional juntei-me ao Benfica, que é a equipa mais profissional no triatlo, com um objetivo olímpico. Foi aí que conheci a Vanessa. Foi o sonho de conhecer um ídolo, mas também uma pessoa especial, que está sempre pronta a partilhar a experiência dela e a ajudar os atletas mais novos, como me ajudou a mim”, acrescentou sobre a vice-campeã olímpica que ainda hoje o trata de forma carinhosa por “Vasquinho” ou “Vils”. “A partir do momento em que encontrámos um grupo de crianças que estava a fazer a mesma coisa foi muito fácil criar o gosto pelo desporto. Mais do que treinar, brincávamos. Foi aí que ganhei o bichinho. Não era muito bom mas divertia-me muito. Acho que o mais importante em criança é gostar, para mais tarde vir a ser bom tem de se ter gosto”, salientou.
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Em Paris, na primeira experiência olímpica, Vasco Vilaça terminou na quinta posição, igualando o registo máximo que tinha sido conseguido por João Pereira no Rio de Janeiro, em 2016, passando mesmo pelo posto médico antes de ir à zona mista. “Como é que estou? Bem, cansado… Acreditei até ao último momento, não me estava a sentir a 100% porque nos últimos cinco quilómetros dei tudo o que tinha para tentar chegar à frente. Tive de dar mais do que tinha e cheguei à meta exausto. A temperatura tinha subido aos 40º, quando chega a este ponto não consegue descer e acabei por precisar de alguma ajuda para recuperar. Estou saudável, em meia hora consigo recuperar. Fui ao limite dos limites mas o meu objetivo era ir à medalha apesar de ser a minha primeira experiência olímpica, havendo muito para aprender. Acredito que se puder voltar daqui a quatro anos vou fazer ainda melhor”, assegurou quando terminou a prova nos Jogos de 2024.
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Também aí, Vilaça chegou com o companheiro Ricardo Baptista por perto. “Chegarmos juntos foi um momento muito, muito bonito. Quando comecei na terceira volta da corrida fui apanhando pessoas, o último grupo tinha o Ricardo e um brasileiro, não queria que ele viesse connosco e quando vi que estávamos os dois fiquei muito feliz porque ganhe ou perca ao sprint é um português que está em quinto lugar. Quinto e sexto, dois diplomas, com um dos melhores amigos e uma das pessoas em quem mais confio e estou muito feliz em cruzar a meta com ela. Quando acabei a prova não estava consciente, os sentimentos vieram um bocado depois mas fiquei muito, muito feliz também por ele. Gostava de ter um bocadinho mais mas ajudar a irmos juntos foi mesmo espectacular”, referiu na sequência desse resultado histórico em Paris.
As rotinas continuam as mesmas, mediante o contexto e a fase do calendário anual que atravesse. Num dia “normal”, existem duas horas de manhã para fazer treino da natação, depois mais três à hora de almoço de ciclismo e ao final do dia mais duas a três horas de treino de corrida havendo pelo meio fases de recuperação física, massagens, crioterapia e fisioterapia. “É um trabalho normal mas em vez de ser num computador, é a treinar. Férias? Duas semanas no final do ano e pouco mais”, ironiza o atleta do Benfica, que quer agora consolidar todas as experiências adquiridas para surgir de outra forma em Los Angeles. Mais relaxado, menos stressado, a multiplicar confiança, a dividir situações que lhe fujam do controlo. A menos de dois anos dos Jogos Olímpicos, a calculadora nacional já começa a sonhar com a segunda medalha de sempre do triatlo na competição… exatamente duas décadas depois da prata de Vanessa Fernandes em Pequim.