O Presidente de Taiwan, William Lai Ching-te, pediu esta segunda-feira ao Parlamento taiwanês que aprove rapidamente 60 mil milhões de dólares taiwaneses (1,6 mil milhões de euros) adicionais para a aquisição de drones produzidos localmente.
Segundo a emissora Radio Taiwan International (RTI), Lai fez estas declarações durante a inauguração de novas instalações do Instituto Nacional Chung-Shan de Ciência e Tecnologia (NCSIST), principal entidade responsável pelo desenvolvimento de armamento da ilha, e no arranque das obras de um parque aeroespacial e de drones no condado de Chiayi.
“Está tudo preparado, falta apenas o último impulso”, afirmou o chefe de Estado, referindo-se ao facto de apenas faltar o apoio parlamentar para a atribuição destes fundos, que, segundo explicou, permitirão ao Ministério da Defesa efetuar compras a fabricantes taiwaneses e promover o desenvolvimento autónomo do setor.
O novo complexo do NCSIST, construído com um investimento superior a 1,1 mil milhões de dólares taiwaneses (31 milhões de euros), ficará encarregado de atividades de investigação, testes e produção de drones de utilização militar.
Já o parque industrial adjacente contará com um investimento público de aproximadamente 6,9 mil milhões de dólares taiwaneses (194 milhões de euros) e deverá estar concluído em 2028, segundo a RTI.
Lai defendeu que Taiwan tem capacidade para se tornar o “centro asiático da cadeia de fornecimento democrática de drones”, apoiando-se nas suas indústrias de semicondutores e tecnologias da informação.
A aposta em veículos não tripulados tornou-se um dos pilares da estratégia de “guerra assimétrica” de Taipé, um conceito militar em que o lado mais fraco num conflito entre partes com grande desequilíbrio de forças, recursos ou tecnologias evita o combate direto e usa táticas não convencionais para explorar as falhas do inimigo.
O Parlamento, controlado pela oposição, reduziu em maio o orçamento extraordinário da Defesa proposto pelo executivo e excluiu verbas destinadas a drones de produção local.
No entanto, em agosto aprovou um plano separado no valor de 240 mil milhões de dólares taiwaneses (6,7 mil milhões de euros) para a aquisição destes sistemas ao longo de seis anos, dando prioridade aos fabricados na ilha.
O reforço da produção nacional coincide também com a incerteza em torno de um pacote norte-americano de armamento para Taiwan avaliado em 14 mil milhões de dólares (12 mil milhões de euros), que ainda não recebeu a aprovação da administração de Donald Trump.
Após a recente cimeira entre Trump e o líder chinês, Xi Jinping, em Washington, Taipé defendeu que o avanço destas vendas seria de “interesse vital” para os Estados Unidos.
Pequim considera Taiwan uma parte inalienável do seu território e não exclui o recurso à força para assumir o controlo da ilha, enquanto o Governo taiwanês sustenta que apenas os seus habitantes podem decidir o seu futuro político.
Em junho, a China advertiu Taiwan de que “procurar a independência apoiando-se nos Estados Unidos ou recorrendo à força militar é um beco sem saída”.
Washington aprovou, em dezembro, vendas de armamento a Taiwan no valor de 11,1 mil milhões de dólares (10,3 mil milhões de euros).
No domingo, o embaixador dos EUA na China, David Perdue, sublinhou que o acordo demonstrava que a Administração Trump vendeu “mais armas a Taiwan do que qualquer outro Presidente desde 1979”.
As vendas de armamento a Taiwan continuam a ser uma questão sensível entre Washington e Pequim.
Os EUA estão legalmente obrigados a fornecer a Taiwan, governada por um Presidente e um Parlamento democraticamente eleitos, armamento que garanta a defesa da ilha.