(c) 2023 am|dev

(A) :: Morreu Adelino Tavares, fundador da Orquestra Dramática "O Bife" e figura do teatro de vanguarda português

Morreu Adelino Tavares, fundador da Orquestra Dramática "O Bife" e figura do teatro de vanguarda português

Ator, performer e encenador singular, dedicou a vida a desafiar as fronteiras do teatro e a explorar novas linguagens artísticas. Tinha 64 anos.

Joana Moreira
text

O ator Adelino Tavares, fundador da Orquestra Dramática “O Bife”, morreu este sábado, aos 64 anos. A notícia foi avançada pela Beira Baixa TV, citando fonte da família do ator, natural de Castelo Branco.

Não são conhecidas as causas da morte. Segundo a agência Lusa, citando fonte próxima do ator, Adelino Tavares morreu no Hospital Pulido Valente, em Lisboa.

“A Máquina Infernal desligou os motores”, lê-se na publicação nas redes sociais da Galeria Zé dos Bois (ZDB), em Lisboa, classificando Adelino Tavares como “o arquiteto da provocação e do movimento puro, [que] deixou definitivamente o palco”.

Ator, performer e encenador, Adelino Tavares deixa um legado e um contributo incontornáveis no panorama das artes performativas. Após a sua formação no Chapitô, no final dos anos 1980, fundou a Orquestra Dramática “O Bife”, projeto que se tornaria uma referência no teatro de vanguarda, alicerçado na pesquisa contínua sobre a arte do ator e na criação de propostas artísticas fora dos moldes convencionais. Apesar da designação, a “Orquestra” não era um ensemble musical, mas sim um coletivo focado no teatro físico, em happenings, instalações e videoarte.

As suas criações, frequentemente designadas pelo próprio como “objetos cénicos”, desafiavam as fronteiras do teatro tradicional, cruzando uma forte expressividade corporal com ironia, crítica social e linguagens artísticas híbridas.

Ao longo dos anos, o grupo levou à cena espetáculos com títulos deliberadamente provocadores e absurdos, tais como: “O Discurso da Cenoura” (1990), “La Cromagnona + 1 peça para um colchão” (1990/91), “A Lei dos 3 tomates” (1995/96), “O Meu Carro é Mais Dramático que o Teu” (1993) ou “Um dia levanto-me e mato todos os gajos que não pensam”.

O percurso da companhia cruzou-se de forma muito próxima com espaços alternativos e vanguardistas de Lisboa, tendo uma ligação histórica muito forte à Galeria Zé dos Bois (ZDB), onde realizou espetáculos, performances de montra e oficinas de criação até recentemente.

Como ator no pequeno e grande ecrã, Adelino Tavares participou em projetos como a novela Jardins Proibidos ou as séries Inspetor Max e 3 Mulheres. No cinema, participou em I’ll see you in my dreams (2003), filme de Filipe Melo e Miguel Ángel Vivas, ou, mais recentemente, Ubu (2023), de Paulo Abreu.

O corpo de Adelino Tavares estará em câmara ardente na ZDB, em Lisboa, entre as 18h e as 23h de segunda-feira, realizando-se a cremação, às 15h de terça-feira, no cemitério do Alto de S. João, também em Lisboa.