A polícia britânica deteve este domingo cinco homens por suspeita de crimes relacionados com explosivos e retirou moradores das suas casas nas proximidades de uma base aérea em Inglaterra utilizada pelos Estados Unidos. A operação policial concentrou-se nas imediações da base aérea RAF (Royal Air Force) Fairford, um dos pontos mais estratégicos de apoio às forças norte-americanas no continente europeu. Mas que base é esta?
Inaugurada em janeiro de 1944, a base militar de RAF Fairford situa-se na fronteira entre os condados de Gloucestershire e Wiltshire, a cerca de 160 quilómetros a oeste de Londres. O local alberga a sede da 501ª Ala de Suporte de Combate da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), e serve como ponto de operações avançado para o Comando de Ataque Global da USAF.
Segundo a BBC, a utilização do espaço por forças americanas enquadra-se num acordo bilateral que remonta à década de 1950. Durante a Guerra Fria, a base foi ocupada pelo comando aéreo estratégico norte-americano, tendo desempenhado um papel ativo na Primeira Guerra do Golfo, em 1991. A infraestrutura caracteriza-se por uma extensa pista de descolagem, o que a torna apta para acolher bombardeiros pesados de grande porte.
O papel de Fairford em conflitos e na guerra do Irão
Ao longo das últimas décadas, RAF Fairford tem sido um ponto de partida recorrente em conflitos internacionais, nomeadamente na intervenção no Iraque em 2003 e, mais recentemente, nas operações militares no Médio Oriente. Mas, de acordo com a Associated Press, o Reino Unido começou por recusar o pedido do Presidente Donald Trump para utilizar bases em solo britânico na guerra contra o Irão. Só a 1 de março, o então primeiro-ministro britânico Sir Keir Starmer autorizou os EUA a realizarem operações de natureza “defensiva” a partir de bases do país, apontando a necessidade de responder a ataques contra interesses do Reino Unido e de aliados no Golfo.
Após esta autorização, bombardeiros pesados B-1 e B-52 começaram a realizar missões a partir de Fairford. O Ministério da Defesa britânico classificou as saídas como “missões defensivas para destruir as capacidades de mísseis do Irão”, conforme relatou a BBC. Segundo dados divulgados também pela BBC, as missões de bombardeamento a partir da base implicam trajetos de ida e volta com duração estimada entre 12 e 15 horas, com reabastecimento em voo em ambas as direções e escolta por caças de combate para a supressão de defesas aéreas inimigas.
Mas a atividade militar intensa em RAF Fairford tem gerado protestos frequentes de grupos pacifistas junto ao perímetro da base desde o início do conflito com o Irão. Embora não tenha sido estabelecida uma ligação direta entre as detenções deste domingo e o conflito no Médio Oriente, a Associated Press nota como oficiais de segurança britânicos têm alertado para tentativas de sabotagem e incêndios postos no Reino Unido e noutros países por grupos associados a Teerão, com especial incidência sobre a comunidade judaica. As autoridades tinham já avisado sobre o risco de alargamento destes alvos em território britânico caso o conflito perdure.
Perante os últimos acontecimentos, as medidas de proteção ao redor de RAF Fairford foram intensificadas, com relatos da presença de veículos pesados a bloquear os portões de acesso. Paralelamente, segundo a Associated Press, a base militar de RAF Lakenheath, no leste de Inglaterra, confirmou ter elevado o seu nível de alerta para “Charlie” — o segundo escalão mais elevado do Departamento de Defesa dos EUA, acionado quando ocorrem incidentes ou existem dados de inteligência que indicam a probabilidade de ações terroristas contra instalações ou pessoal militar.