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"Exército de robôs". Ex-ministro da Defesa ucraniano lança plano para ter humanóides a matar soldados inimigos em seis meses

Ex-ministro da Defesa ucraniano lança plano, apoiado por empresas dos EUA, para ter humanóides a matar soldados inimigos num prazo de seis meses.

Edgar Caetano
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Dentro de seis meses, um soldado inimigo da Ucrânia poderá ser morto por um robô humanoide. É esse o plano do antigo ministro da Defesa ucraniano Mykhailo Fedorov, que anunciou a criação do “Exército de Robôs”, uma iniciativa que quer acelerar o desenvolvimento e a utilização de sistemas robóticos na guerra. O projeto foi apresentado este sábado na conferência tecnológica IT Arena, em Lviv, poucos meses depois de Fedorov ter deixado o Governo – envolto em grande controvérsia.

A iniciativa do ex-ministro da Defesa da Ucrânia, uma figura que tem grande popularidade na Ucrânia e que Zelensky afastou, pretende desenvolver tecnologias capazes de retirar progressivamente os militares de algumas das tarefas desempenhadas atualmente na linha da frente. Fedorov apontou, em particular, para o desenvolvimento de robôs humanoides que possam substituir soldados de infantaria nas trincheiras.

O antigo ministro estabeleceu objetivos ambiciosos para o projeto. Segundo os meios de comunicação ucranianos que acompanharam a apresentação, incluindo o The Kyiv Independent, a intenção é que, dentro de seis meses, um robô humanoide seja responsável pela morte do primeiro soldado inimigo e que, no prazo de um ano, seja possível realizar um assalto a uma posição inimiga sem recurso a tropas de infantaria.

https://twitter.com/FedorovMykhailo/status/2103837667154669837

Fedorov explicou que o “Exército de Robôs” não será uma única empresa, mas uma estrutura destinada a reunir diferentes projetos e empresas de tecnologia militar. “Vamos investir em empresas de tecnologia de defesa, lançar os nossos próprios projetos tecnológicos, criar capacidades de investigação e desenvolvimento, testar soluções em conjunto com os militares e aumentar rapidamente a produção daquilo que realmente funciona no campo de batalha”, afirmou.

O projeto prolonga a aposta de Fedorov na tecnologia militar, iniciada quando era ministro da Transformação Digital com a criação, em 2022, do “Exército de Drones”. Depois de ser afastado do Ministério da Defesa, em julho, o antigo governante passou a concentrar-se no setor privado e, no final de agosto, anunciou nos EUA a criação de um fundo destinado a financiar inovação e aumentar a produção de equipamentos para a defesa ucraniana.

Poucos dias depois, revelou também a intenção de criar uma empresa de tecnologia de defesa, tendo entre os primeiros investidores previstos Alex Karp, presidente executivo da Palantir.

Mesmo fora do Governo, agora a partir do setor privado, continuamos a trabalhar na nossa visão da guerra tecnológica — Ar. Terra. Economia. — e na nossa principal missão: criar tecnologias que ajudem a Ucrânia a vencer e salvem a vida dos nossos militares, afirmou Fedorov.

A utilização de veículos terrestres não tripulados já tem vindo a aumentar na guerra na Ucrânia, sobretudo em missões de transporte de abastecimentos e evacuação de feridos. A elevada presença de drones junto à frente tornou essas tarefas particularmente perigosas para veículos com tripulação.

Apesar disso, os sistemas atualmente utilizados estão longe da autonomia sugerida pelo conceito de “guerra de robôs”. A maioria é controlada diretamente por operadores humanos e necessita de ser reabastecida, recarregada e reparada no terreno. Os próprios veículos continuam vulneráveis aos ataques de drones inimigos.

Fedorov apresentou, ainda, um vídeo criado com recurso a inteligência artificial, no qual diferentes tipos de robôs — humanoides, com formas semelhantes a cães, aranhas ou esferas — combatem em trincheiras e em campo aberto. A maioria desses modelos, porém, não é atualmente utilizada em operações de combate na Ucrânia.

A organização responsável pelo “Exército de Robôs” não foi identificada durante o anúncio, mas Fedorov apelou à participação de engenheiros especializados em robótica no projeto.