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(A) :: Fact Check. Carneiro defendeu acolhimento de "metade dos imigrantes de Ceuta" em Vila Real de Santo António?

Fact Check. Carneiro defendeu acolhimento de "metade dos imigrantes de Ceuta" em Vila Real de Santo António?

Publicação aproveita grafismo do jornal Sol para atribuir ao líder do PS declarações sobre imigração que não são verdadeiras. Partido vai apresentar queixa contra desconhecidos.

Rita Tavares
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A frase

Se fosse primeiro-ministro oferecia-me para receber metade dos imigrantes de Ceuta na nossa Vila Real de Santo António em solidariedade com o meu amigo Pedro Sánchez.

— Utilizador de Facebook, 04 de setembro de 2026

O líder do PS surge nas redes sociais associado a uma frase em que defende que, se fosse primeiro-ministro, acolheria em Vila Real de Santo António metade dos imigrantes de Ceuta. Mas a publicação não se limita a atribuir-lhe essa declaração: apresenta-a numa imagem com a marca do semanário Sol, sugerindo que se trataria de uma afirmação feita ao jornal e divulgada nas suas redes sociais.

A fotografia usada nesta publicação é a mesma que foi usada na entrevista que o líder do PS deu ao Sol no final de agosto e a partilha é semelhante à que foi usada pelo jornal para divulgar o trabalho nas suas redes sociais. A frase atribuída a Carneiro é a seguinte: “Se fosse primeiro-ministro oferecia-me para receber metade dos imigrantes de Ceuta na nossa Vila Real de Santo António em solidariedade com o meu amigo Pedro Sánchez”.

A publicação suscitou milhares de reações nas redes sociais (entre likes, comentários e partilhas) e levou o PS a apresentar queixa contra desconhecidos “por falsificação e divulgação de conteúdo falso”. Numa nota enviada ao Observador, o partido diz tratar-se “de uma imagem falsificada que atribui ao secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, declarações que nunca proferiu.”

“A imagem em causa utiliza a fotografia do secretário-geral do PS e apresenta como sua uma suposta declaração relativa ao acolhimento, em Portugal, de ‘metade dos imigrantes de Ceuta’. Trata-se de um conteúdo falso, que não corresponde a qualquer declaração, posição ou proposta do Partido Socialista”, consta no mesmo texto onde o PS “considera particularmente grave a utilização abusiva da imagem e do nome do seu secretário-geral para fabricar declarações sobre uma matéria tão sensível como a imigração, procurando deliberadamente criar desinformação e alimentar a conflitualidade social”.

E ainda acrescenta que “a posição do PS sobre a imigração é clara” e que passa pela defesa de “uma política de imigração regulada, segura, ordenada e humanista, com regras claras e capacidade efetiva de acolhimento e integração”. “O PS continuará a defender uma política migratória responsável, com regras, controlo e capacidade de integração, rejeitando simultaneamente campanhas de desinformação que procuram transformar a imigração num instrumento de divisão da sociedade portuguesa”, afirma o partido apelando a que “a imagem falsificada não seja partilhada e que qualquer informação sobre as posições do partido seja confirmada através dos seus canais oficiais.”

Ceuta enfrenta uma grave crise migratória e humanitária após a entrada em massa de dezenas de milhares de migrantes vindos de Marrocos em julho passado.

Conclusão

É falso que o líder do PS tenha dito que se fosse primeiro-ministro acolheria em Vila Real de Santo António metade dos imigrantes de Ceuta. A imagem que surge nesta publicação, partilhada diversas vezes nas redes sociais, é uma montagem — que aproveita uma publicação do jornal Sol a divulgar a entrevista que José Luís Carneiro deu ao semanário em agosto. O PS desmentiu o conteúdo da publicação e vai apresentar queixa contra desconhecidos “por falsificação e divulgação de conteúdo falso.”

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.