O presidente da Autoridade Palestiniana pediu, esta quinta-feira, que a segunda fase do plano de paz para Gaza seja aplicada rapidamente e denunciou o “esquema colonial malicioso” israelita que continua a expulsar palestinianos das suas terras.
“A violência de colonos está a escalar com proteção das forças ocupantes [Israel], com base em leis alicerçadas em discriminação racial, limpeza étnica e terrorismo de Estado”, disse Mahmoud Abbas num discurso filmado e transmitido no debate geral da 81.ª Assembleia-Geral da ONU, da qual foi impedido de participar presencialmente pelo segundo ano consecutivo.
“Avisamos-vos: não permitam que ocorra outra Nakba”, adiantou o presidente da Autoridade Palestiniana referindo-se à Nakba, “catástrofe” em árabe, período durante o qual cerca de 760.000 árabes da Palestina fugiram ou foram expulsos das suas casas aquando da criação do Estado de Israel, em 1948.
“Por quanto tempo mais os Estados continuarão a calar-se sobre Israel ou a fornecer-lhe armas para usar contra o nosso povo? Do que estão à espera para proteger o povo palestiniano?”, questionou Abbas.
O presidente da Autoridade Palestiniana sublinhou que as políticas israelitas já não se limitam a comprometer a solução de dois Estados, mas que agora ameaçam “a própria vida e existência do povo”.
“O perigo já não se limita a minar a solução de dois Estados e a impedir a criação do Estado palestiniano. Chegou agora ao ponto de ameaçar a própria vida e existência do povo palestiniano na sua terra natal“, disse Abbas.
Sobre a situação atual na Faixa de Gaza, o líder palestiniano apelou para a “implementação da segunda fase do plano” de paz, que resulte na “retirada das forças israelitas” e na reconstrução do enclave. “Mas não se verifica isso no local”, argumentou, adiantando que “a agressão israelita continua a matar pessoas em Gaza”.
O presidente da Autoridade Palestiniana, a quem pelo segundo ano consecutivo os Estados Unidos recusaram a entrada para participar presencialmente na Assembleia-Geral, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, denunciou as “medidas punitivas” tomadas “sem fundamento jurídico”.
“Rejeitamos as acusações e as justificações” com base nas quais foi fundamentada a recusa do visto, continuou. “Afirmamos ter cumprido as nossas obrigações, levado a cabo um vasto programa nacional de reforma global e respeitado o nosso compromisso para com o direito internacional, renunciando à violência e ao terrorismo”, acrescentou.
A administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou esta medida alegando uma “falta de reformas” por parte do governo palestiniano e a intenção de “internacionalizar o conflito israelo-palestiniano” através de queixas apresentadas a esses dois tribunais internacionais relativamente à ofensiva israelita em Gaza, que está a ser investigada por um possível genocídio.
“O povo palestiniano e os seus líderes não devem ser punidos pelas suas reivindicações, pela ocupação a que estão sujeitos, nem por quererem recorrer à ONU, ao Tribunal Internacional de Justiça [TIJ] e ao Tribunal Penal Internacional [TPI]”, continuou.
Denunciou igualmente o plano israelita de colonatos E1, que dividirá o norte e o sul da Cisjordânia ocupada e apelou a uma intervenção por parte do Conselho de Segurança da ONU.
Com a construção das 3.401 habitações, Israel tomará um terreno de 1.200 hectares situado a leste de Jerusalém, separando esta cidade do resto da Cisjordânia ocupada e expulsando várias comunidades beduínas palestinianas das suas terras.
Este megaprojeto urbanístico, a concretizar-se, impossibilitará definitivamente a continuidade territorial de um futuro Estado palestiniano.
O líder palestiniano agradeceu ainda o apoio do Reino Unido e de outros 12 países, incluindo Portugal, que anunciaram sanções contra o comércio de bens provenientes de colonatos israelitas na Cisjordânia.
Abbas alertou ainda para as ameaças contínuas levadas a cabo por “extremistas” contra “locais sagrados cristãos e islâmicos”, como a mesquita de Al-Aqsa e a Igreja do Santo Sepulcro. Essas ameaças “têm de parar já, antes de resultarem num conflito religioso maior”, acrescentou.