Nas últimas décadas, a rivalidade entre Dinamarca e Noruega no futebol sorriu quase sempre aos dinamarqueses. Conquistaram o Euro 1992, estiveram em seis Mundiais de 1986 a 2022, deram ao mundo jogadores como Laudrup, Tomasson, Schmeichel, enquanto que os noruegueses estiveram em três Mundiais até ao deste ano, não vão a um Europeu desde 2000 e durante muito tempo tiveram John Arne Riise como única e principal referência.
O paradigma, porém, parece estar a mudar — e isso ficou essencialmente claro no último Campeonato do Mundo. A Dinamarca não conseguiu o apuramento, falhando o Mundial pela primeira vez na última década, enquanto que a Noruega garantiu a qualificação, a primeira desde 1998, e foi uma das sensações da competição ao chegar aos quartos de final e eliminar o Brasil pelo caminho.
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Pelo meio, as gerações cresceram para sítios parecidos, mas que equipararam os projetos. Do lado dinamarquês, apareceram Hjulmand, Højlund, Dorgu e até Froholdt. Do lado norueguês, apareceram Odegaard, Schjelderup, Sørloth e, inevitavelmente, Haaland. De repente, os principais clubes europeus começaram a olhar para o mercado nórdico como uma possibilidade acessível e cheia de talento — com Portugal a tomar a dianteira do filão, já que a estes nomes acrescentam-se Alexander Bah, Fredrik Aursnes ou Conrad Harder, por exemplo.
Esta quinta-feira, em Oslo, os dois países da Escandinávia voltavam a medir o pulso à rivalidade. Na primeira jornada do Grupo D da Liga das Nações, o mesmo de Portugal e País de Gales, Noruega e Dinamarca defrontavam-se numa altura em que os noruegueses, ao contrário do que aconteceu nas últimas décadas, parecem estar vários passos à frente dos dinamarqueses. Stale Solbakken lançava Oscar Bobb e Antonio Nusa no apoio a Haaland, com Odegaard no meio-campo e Aursnes na esquerda da defesa, com Schjelderup no banco, enquanto que Brian Riemer tinha Hjulmand e Froholdt no setor intermédio, com Højlund como referência ofensiva.
Oscar Bobb abriu o marcador ainda dentro do quarto de hora inicial, com um remate cruzado na área depois de uma assistência deliciosa de Odegaard (14′), e Haaland aumentou a vantagem logo a seguir com outro pontapé cruzado e rasteiro, na esquerda, após assistência de Nusa (16′). Menos de dez minutos depois, porém, Mikkel Damsgaard reduziu com um belo livre direto (25′), deixando o jogo completamente em aberto ao intervalo.
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Ninguém mexeu ao intervalo e Rasmus Højlund acabou por empatar à passagem do quarto de hora inicial da segunda parte, numa recarga depois de um canto na direita (60′). Stale Solbakken lançou David Moller Wolfe, Thelo Aasgard e Schjelderup de uma vez logo a seguir, mas a garantia da vitória estava entregue ao homem do costume. Já nos últimos 20 minutos, com um remate brutal de primeira na área depois de um canto na esquerda, Haaland bisou e carimbou o resultado (74′).
A Noruega venceu a Dinamarca pela primeira vez desde 2000, conquistou os primeiros três pontos na Liga das Nações e divide com Portugal a liderança do Grupo D, à frente da Dinamarca e do País de Gales. Mais do que isso, a Noruega conseguiu confirmar a ideia dos últimos anos que contraria as últimas décadas — está mesmo um passo à frente da Dinamarca.
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