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Paquistão diz ter atingido 10 locais no Afeganistão usados em ataques com drones

Anúncio surgiu um dia depois do Paquistão ter acusado as forças talibãs afegãs de lançarem oito drones rudimentares contra a cidade de Kohat, no noroeste, e a cidade fronteiriça de Torkham.

Agência Lusa
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O Paquistão disse esta quinta-feira que realizou ataques aéreos no Afeganistão, contra 10 locais, alegadamente utilizados para lançar ataques com drones contra território paquistanês na quarta-feira.

O Paquistão tem acusado repetidamente o governo talibã do Afeganistão de permitir que redes de militantes fundamentalistas islâmicos operem a partir do seu território e realizem ataques através da fronteira, uma acusação que Cabul nega.

“Em vez de desmantelar estas redes e tomar medidas credíveis e verificáveis contra aqueles que utilizam o território afegão para perpetrar atos de terrorismo contra o Paquistão, o regime talibã afegão optou por escalar a situação através de operações hostis com drones contra o Paquistão”, acusou o ministro da Informação paquistanês.

“Os ataques foram deliberados, precisos, calibrados e proporcionais, limitando-se estritamente a alvos militares identificados e diretamente ligados às tentativas de ataque contra o Paquistão”, acrescentou Attaullah Tarar, na rede social X.

https://twitter.com/TararAttaullah/status/2102919025890304047

Um residente de Kandahar, onde vive o líder supremo das autoridades talibãs, afirmou à agência de notícias France-Presse que a cidade, situada no sul do país, foi alvo de um ataque.

A testemunha ouviu o ruído de um avião a jato, seguido de uma forte explosão, e assistiu a um incêndio no centro da segunda maior cidade do Afeganistão, onde reside o líder supremo do governo talibã, Hibatullah Akhundzada.

O anúncio surgiu um dia depois de o Paquistão ter acusado as forças talibãs afegãs de lançarem oito drones rudimentares contra a cidade de Kohat, no noroeste, e a cidade fronteiriça de Torkham, que foram neutralizados.

As autoridades de Islamabad alegaram ainda que as forças talibãs afegãs dispararam morteiros e outras armas pesadas contra postos fronteiriços, logo após tropas paquistanesas terem frustrado o que descreveram como uma tentativa de militantes de atravessar a fronteira.

Também na quarta-feira, o porta-voz do governo talibã, Zabihullah Mujahid, negou que as forças afegãs tivessem levado a cabo qualquer ataque.

As declarações contraditórias surgiram dois dias depois de caças paquistaneses terem atingido locais no leste do Afeganistão que, segundo Islamabad, serviam de esconderijo para militantes.

A nova escalada de tensão ameaça os esforços de mediação liderados pela China, Turquia, Qatar e Arábia Saudita para alcançar uma paz duradoura entre Cabul e Islamabad.

À margem da sessão anual da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, o ministro dos Negócios Estrangeiros paquistanês, Ishaq Dar, manifestou preocupação com o que descreveu como a presença de mais de duas dezenas de grupos militantes anti-Paquistão no Afeganistão.

Os talibãs paquistaneses, formalmente conhecidos como Tehrik-e-Taliban Pakistan, intensificaram os ataques às forças de segurança do Paquistão, impulsionados pelo regresso dos talibãs afegãos ao poder no Afeganistão, em 2021.