O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, discursou na Assembleia Geral da ONU contra uma série de políticas implementadas por governos que descreveu como “reacionários” e garantiu que Madrid “não se vai calar”.
Sem mencionar em momento algum o Presidente dos Estados Unidos (EUA), todo o discurso proferido por Sánchez na quarta-feira foi repleto de críticas a ações levadas a cabo por Donald Trump e por outros governos.
“Não é preciso apontá-los. Todos sabemos quem são e qual o seu ‘modus operandi’“, assinalou o primeiro-ministro em Nova Iorque.
Logo nas primeiras palavras perante a Assembleia Geral, deixou claras as intenções: “Subo a esta tribuna com um único objetivo: defender aquilo que muitos estão a tentar destruir”.
Sánchez afirmou ainda que pretendia reivindicar os princípios e as ambições que inspiraram a ONU e que “vários governos aqui presentes desprezam e pretendem desmantelar”.
Para o líder espanhol, desde que discursou pela primeira vez na Assembleia Geral, há oito anos, as coisas mudaram para pior. A aposta na paz, na sustentabilidade e na igualdade de oportunidades tem vindo a ser atacada por entidades e governos que querem levar o mundo de volta a um passado sombrio, acusou Sánchez.
O primeiro-ministro explicou que os líderes destes governos começam por questionar as regras, depois não as cumprem, cortam as contribuições para organismos como a ONU e bloqueiam a sua capacidade de ação, para depois alegarem que tais instituições são inúteis e dispensáveis.
Trata-se, nas palavras de Sánchez, de uma tentativa de demolição planeada e coordenada, apresentada como inevitável e necessária, e que assenta no egoísmo, na ignorância e na crueldade.
O dirigente disse que as forças reacionárias têm vindo a tirar a máscara e a assumir o poder em muitos locais para desencadear guerras ilegais, massacrar civis inocentes, poluir a atmosfera e os oceanos e conspirar contra a ONU.
Sánchez reconheceu a necessidade de reformas nas Nações Unidas — como no Conselho de Segurança —, visando acabar com o direito de veto dos membros permanentes para que nenhum país seja, ao mesmo tempo, juiz e parte interessada, “por mais poderoso que seja”.
Para liderar tudo isto e face ao fim do mandato do secretário-geral da ONU, o português António Guterres, o primeiro-ministro espanhol voltou a defender que o cargo seja ocupado por uma mulher latino-americana.
Até à data, são sete os candidatos a suceder a Guterres, incluindo a costa-riquenha Rebeca Grynspan, a guianesa Carolyn Rodrigues-Birkett, as equatorianas María Fernanda Espinosa e Ivonne Baki e a chilena Michelle Bachelet.
Por outro lado, o líder do Governo espanhol salientou que Ceuta é uma “cidade espanhola” e elogiou a resposta que os cidadãos da região estão a dar a uma das maiores crises migratórias dos últimos anos, agindo com decência e legalidade.
Já na terça-feira Pedro Sánchez garantiu que Espanha pediu “respostas e ações” a Marrocos depois do ocorrido em Ceuta no final de julho, quando mais de 70 mil pessoas entraram ilegalmente na cidade.