(c) 2023 am|dev

(A) :: Presidente da Venezuela promete eleições no "momento certo" na estreia na ONU

Presidente da Venezuela promete eleições no "momento certo" na estreia na ONU

No primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU, Delcy Rodríguez diz que o povo venezuelano vai determinar o melhor momento para dar início às eleições e garante que o processo vai ser transparente.

Agência Lusa
text

Acompanhe o nosso liveblog sobre os conflitos internacionais 

A Presidente interina da Venezuela, ao fazer o primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU desde que assumiu o poder, prometeu realizar eleições e afirmou que o povo do país determinará o “momento certo”.

“Quero deixar isto muito claro perante esta Assembleia Geral: haverá eleições na Venezuela”, disse Delcy Rodríguez, na quarta-feira, acrescentando que o Governo iniciou um “diálogo político com setores da oposição” para garantir um “processo baseado em condições de igualdade para todos”.

Rodríguez afirmou que o povo venezuelano vai determinar o melhor momento para dar início às eleições e garantiu às Nações Unidas que, quando chegar a altura, as instituições do país “estarão preparadas para garantir um processo inclusivo e transparente”.

Neste sentido, prometeu eleições com “o exercício responsável e pleno da política” e “condições reais de participação em todas as forças políticas do país”.

“Uma eleição deve ser uma solução e não um gerador de conflitos inconciliáveis”, argumentou a líder interina.

Rodríguez assumiu o comando na Venezuela após uma operação militar surpresa dos Estados Unidos (EUA), em janeiro, que capturou o então líder Nicolás Maduro e o levou para Nova Iorque, para responder a acusações de tráfico de droga.

Esta é a primeira viagem de um chefe de Estado venezuelano aos EUA desde 2018, quando Maduro participou na Assembleia Geral da ONU. Atualmente, está detido a poucos quilómetros da sede da organização, a aguardar julgamento.

A participação de Rodríguez no fórum internacional é também um marco na reintegração da Venezuela na diplomacia global.

Dirigindo-se aos líderes mundiais, disse que “a última vez que dois presidentes da Venezuela e dos Estados Unidos se reuniram foi em 2009”.

Rodríguez acrescentou que o país está a regressar em força após contratempos sofridos este ano e agradeceu ao Presidente dos EUA, Donald Trump, pela disponibilidade em retomar as relações diplomáticas.

“Estamos a trabalhar seriamente para resolver as divergências existentes através do diálogo, mas, acima de tudo, para abrir caminho à cooperação no setor energético, à promoção da segurança, ao combate conjunto ao crime transnacional e à cooperação económica em benefício de ambos os povos e do nosso continente”, disse.

A Presidente interina lembrou os dois sismos, de magnitudes 7,2 e 7,5, que, a 24 de junho, atingiram o centro-norte da Venezuela e mataram mais de 6.500 pessoas, deixando um número indeterminado de desaparecidos.

“Venho falar de uma Venezuela cuja vida nacional foi afetada por uma crise de convivência política que perturbou a vida da nação e a nossa interação com o mundo”, disse Rodríguez. “Foram impostos interesses alheios ao bem comum dos venezuelanos”, lamentou.

Dirigindo-se ao seu povo, Rodríguez afirmou que não podia prometer um “caminho fácil”, sublinhando que “a recuperação do país levará tempo”.

“A reconstrução da alma nacional será a nossa prioridade”, continuou. “Caminharemos unidos como uma só nação que, depois da dor, escolheu a esperança”, acrescentou.

A reunião aconteceu depois de os dois países terem anunciado, em agosto, um acordo para conceder aos EUA uma participação nas vastas reservas de petróleo da Venezuela.

A Presidente interina descreveu o acordo como um passo em direção à recuperação económica que irá modernizar a indústria petrolífera do país.

Rodríguez prometeu assumir a “responsabilidade histórica” de conduzir a Venezuela “de um período de incerteza e conflito para uma etapa de plena democracia, reconhecida pelo seu próprio povo e pelo mundo”.

“A Venezuela quer respirar livremente e exercer os seus direitos como nação soberana, sem qualquer tipo de interferência”, disse.