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(A) :: Aos 87 anos e em cadeira de rodas, Maricarmen foi despejada do apartamento em Madrid onde vivia há 70 anos

Aos 87 anos e em cadeira de rodas, Maricarmen foi despejada do apartamento em Madrid onde vivia há 70 anos

Foi o quarto — e definitivo — despejo em 7 anos. Uma lei da ditadura de Franco ditou o fim do contrato que a família tinha desde 1956. Empresa imobiliária quis aumentar renda de 500 para 2.650 euros.

Cátia Rocha
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Maricarmen Abascal, uma mulher espanhola de 87 anos, foi esta quarta-feira despejada do apartamento no bairro do Retiro onde viveu durante cerca de 70 anos.

Esta foi a quarta ação de despejo que a idosa enfrentou em sete anos, escreve o jornal El País — e também a definitiva. Maricarmen, que se desloca em cadeira de rodas devido à perda de massa muscular, foi retirada da casa numa maca, depois de ser assistida pelos serviços de emergência, poucos minutos antes da uma da tarde (meio-dia em Lisboa).

A ação de despejo da residente madrilena estava marcada para as oito horas (sete horas em Lisboa). Mas desde o início da noite de terça-feira que cerca de 500 pessoas se reuniram perto do número 46 da Rua Alcalde Sainz de Baranda, numa tentativa de travar o despejo.

“Não quero ir embora, mas estas pessoas fazem qualquer coisa por dinheiro. É muito difícil viver sete anos com uma faca apontada à cabeça”, disse Maricarmen Abascal aos manifestantes. A polícia foi chamada a intervir logo na manhã desta quarta-feira para dispersar o grupo, composto por ativistas, políticos e vizinhos, que apoiava a mulher de 87 anos.

Maricarmen vivia no apartamento desde 1956. O primeiro contrato foi assinado apenas pelo pai. Na altura, vigorava uma lei franquista que proibia que a mãe de Maricarmen estivesse como titular no contrato. Os contratos de arrendamento tinham um carácter vitalício e poderiam passar para cônjuges e descendentes que habitassem no local.

Passados uns anos, em 1960, o pai de Maricarmen morreu e a mãe teve de se sujeitar às condições do primeiro contrato. “Se a minha mãe também tivesse assinado aquele primeiro contrato, isto não seria um problema. Na verdade, é por causa do machismo do Franco que agora corro o risco de perder a minha casa”, disse Maricarmen ao El País, em outubro de 2025.

A mãe de Maricarmen morreu em 2005 e a filha herdou o contrato, com as mesmas condições: uma renda atualizada anualmente tendo em conta a inflação e o pagamento do IBI, o imposto sobre bens imóveis, o equivalente ao IMI em Portugal. Maricarmen paga 500 euros de renda, de uma pensão de cerca de 1.350 euros, contou ao El País.

Em 2018, a família que era dona do prédio vendeu-o à Renta Corporación, um dos grandes grupos imobiliários espanhóis. Maricarmen foi contactada em 2020 pela empresa, sendo-lhe feita uma proposta para adquirir o apartamento por 247 mil euros — a idosa recusou, explicando que a reforma que recebia não o permitia. “Recebi uma carta a dizer que me eram garantidos todos os direitos que o meu pai tinha assinado no contrato por tempo indeterminado e fiquei então tranquila”, disse aos jornais espanhóis.

https://observador.pt/2025/02/09/milhares-de-pessoas-protestam-em-madrid-pelo-direito-a-habitacao-e-contra-a-especulacao-imobiliaria/

Depois de recusar a proposta de compra, o apartamento de Maricarmen foi vendido à Urbagestión Desarrollo e Inversión S.L. A empresa notificou a inquilina, dizendo que o contrato tinha terminado em 2007. O caso passou para os tribunais, que decidiram a favor da empresa: a segunda sub-rogação do contrato (após a morte do primeiro titular e do seu cônjuge) só pode ter uma duração de dois anos, salvo no caso de o descendente que conviva com o titular apresentar uma deficiência superior a 65%. Na altura, Maricarmen tinha uma incapacidade de 50%.

Com o passar dos anos, Maricarmen foi resistindo às ações de despejo — a última aconteceu a 2 de junho. Desta vez, a Urbagestión notificou a inquilina sobre uma subida da renda, que passaria de 500 para 2.650 euros. A idosa tentou negociar, mas conseguiu apenas que a empresa baixasse a renda para 1.650 euros.

Apesar das tentativas de travar o despejo, incluindo por parte do Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madrid, que organizou o protesto, Maricarmen foi despejada. As mediadoras do sindicato pediram mais dez dias, para que a mulher pudesse retirar os pertences da casa, mas conseguiram apenas mais uma hora.

“A juíza afirmou que pretende proceder ao despejo. A empresa recusou-se a aceitar a última proposta. O despejo vai ser levado a cabo. Por isso, continuamos a reforçar o cordão de segurança para apoiar as colegas que ainda resistem na entrada do edifício. Este despejo é ilegal”, disse uma porta-voz, pouco tempo antes de a idosa ser despejada, escreve o El País, que acompanhou o momento.

O presidente da Câmara de Madrid, José Luis Martínez-Almeida, colocou à disposição de Maricarmen “um serviço de assistência e alojamento para que, de imediato, possa ter um teto sob o qual possa dormir, descansar e tentar aliviar ou recuperar-se da situação física e psíquica em que se encontra”, porque as administrações “não podem simplesmente afastar-se”.

A mulher recusou a oferta de alojamento de emergência, optando por ficar com familiares temporariamente.

[Dois meses após o desaparecimento, e já depois de o genro, Raymond Quendoz, lhes ter anunciado que ia divorciar-se dela, os Silva Pais recebem finalmente notícias da filha. Annie está bem. Recusa dar detalhes sobre o seu paradeiro mas há cada vez mais evidências de que fugiu do marido para se juntar à revolução cubana. E, se isso aconteceu, uma coisa é certa: Annie tem de ter tido a ajuda e o aval do próprio Fidel Castro. Resta apenas saber porquê. Já pode ouvir o segundo episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]