Ao contrário do que é habitual, a conferência de imprensa deixou a sala habitual no auditório da Cidade do Futebol e passou para um evento global, na FPF Arena Portugal. Foi no palco principal do Portugal Football Summit que Cristiano Ronaldo se apresentou aos jornalistas e a uma sala completamente recheada de espectadores que não quiseram perder o momento que teve tanto de simbólico como de inédito. O capitão mostrou-se num estilo bastante animado, com muitos elogios a Jorge Jesus, que estava ao seu lado, e com vontade de querer debater os temas com os jornalistas. “Acho que nunca falei para tanta gente ao mesmo tempo. É só curiosos aqui dentro, mas está bom. É um desafio”, começou por dizer quando se sentou no centro do Visit Portugal Stage.
Sensivelmente a meio da conferência, Ronaldo soltou várias gargalhadas numa troca de palavras com uma jornalista, garantindo que está pronto para jogar os 90 minutos na Seleção. “Por que não jogar os 90 minutos? Não em todos os jogos, mas por que não? Tenho a certeza absoluta de que não vou jogar os 90 minutos em todos os jogos”. Mais à frente, o madeirense falou sobre as palavras de Fábio Silva, que o apelidou de mestre, soltando gargalhadas na sala: “Mestre? Mestre da culinária”.
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“O meu objetivo são os mil golos e a Seleção, tentar ganhar esta Liga das Nações. É uma nova era. Agradecemos e damos os parabéns ao mister Martínez pelo trabalho excelente que fez aqui na Seleção que, por ser de outra nacionalidade, foi sempre difícil pelos constantes ataques que lhe faziam. Todos conhecemos bem o Jorge Jesus. Só espero que as coisas lhe possam correr bem. Tenho a certeza de que vai fazer um excelente trabalho. O nosso plantel é bastante grande e tem bastante talento. Foi uma escolha perfeita. Muitos destes jogadores já trabalharam com ele, o que facilita o adiantar do processo. Vai ser um desafio longo. O mister vai ficar bastantes anos. Golo mil na Seleção? Claro, era a cereja no topo do bolo. Era o culminar de mais uma história bonita”, começou por dizer.
“Críticas? Não posso ser 100% sincero, tenho que ser politicamente correto. Sempre fui bem recebido em quase todos os sítios. Este foi possivelmente o ano em que senti mais carinho. Entendo muito bem que há alguns canais que me tentam matar já há vários anos, mas não têm hipótese nenhuma — só mesmo com uma caçadeira, e mesmo assim consigo desviar-me da bala. Já estou habituado. O que fica gravado são as pessoas que gostam de mim. Não é por meia dúzia de pessoas que não gostam de mim que eu não sinto o carinho dos portugueses. Se o mister ou o presidente não contarem comigo, eu posso sair já hoje. Quando eu sentir que não estou aqui a fazer nada, que não dou nada dentro de campo, que não faço golos, que crio um mau ambiente ou que eles não queiram que eu esteja aqui, agarro na minha mala e vou-me embora. Se eles contam comigo, se os portugueses contam comigo… continuo na Seleção. Não há mais interesses em comum, nem meus nem deles. Se olhares os números, vês bem que ainda estou bem e a diferença que faço. No dia em que não contarem comigo não há problema nenhum. Serei sempre o espectador número um desta Seleção”, acrescentou.
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“Final? Não vou responder porque não sei. Gostava de te responder, mas não sei. Não sei. A partir dos meus 30 e muitos anos aprendi a viver o momento e a não pensar no amanhã. Se é possível? É. Se é bastante provável? É. Se vai acontecer? Não sei. Avisar os portugueses primeiro? Sou um worldwide, não são só os portugueses [risos]. Aviso sim [quando for o último jogo]. Sei que muitos de vocês estão doidinhos para que eu não venha mais, mas eu foco-me nas pessoas que gostam de mim. Se pensei em sair da Seleção? Sim, estou sempre a pensar nas minhas decisões. Penso em tudo. Estás a ver-me aqui, por isso decidi continuar. Tive uma conversa com o presidente e com o treinador e eles contam comigo. Penso que posso continuar a ajudar a Seleção, não apenas pelos golos, mas porque esta é uma nova geração. O mais importante é continuar no campo e a marcar golos”, concluiu Ronaldo.