(c) 2023 am|dev

(A) :: Tarifas, IA e Taiwan. Como Trump mudou o discurso, domou os falcões anti-China e se aproximou de Xi Jinping

Tarifas, IA e Taiwan. Como Trump mudou o discurso, domou os falcões anti-China e se aproximou de Xi Jinping

Em dois anos, o Presidente norte-americano mudou a política dos EUA face à China. A guerra comercial abrandou, os falcões como Rubio calaram as críticas e os empresários como Musk agora elogiam Xi.

José Carlos Duarte
text

Nova Iorque, 2015. Na cidade em que nasceu e em que se tornou milionário, Donald Trump anunciava a intenção de se candidatar às presidenciais no ano seguinte. Nessa ocasião, afirmou que, apesar de todas as críticas que já fazia ao país, “amava a China”. “Eu acabei de vender um apartamento por 15 milhões de dólares a alguém da China. Devo não gostar deles? Eu amo a China. Mas eles estão a destruir-nos. Estamos a reconstruir a China”, referiu. Quando chegou à presidência dois anos depois, enquanto chefe de Estado adotou uma retórica bastante firme contra Pequim. No início da pandemia, em 2020, o Presidente norte-americano chegou mesmo a designar a Covid-19 como “o vírus chinês” e acusou o regime de espalhar a doença.

O círculo próximo de Donald Trump também contribuiu para que, no primeiro mandato e até ao início do segundo, a China fosse vista como uma inimiga dos Estados Unidos da América (EUA) e a ser encarada como a maior rival económica e geopolítica de Washington. O crescimento chinês no início deste século tornou o país uma superpotência que quis concorrer diretamente com a hegemonia norte-americana na comunidade internacional. Tendo em conta este contexto, havia muitos dirigentes — especialmente dentro do Partido Republicano — que criticavam duramente a China.

O chefe de Estado refletia muitas destas posições dos seus conselheiros e assessores republicanos. Sendo um líder da direita radical e conservador, o alinhamento com um regime liderado por um Partido Comunista apresentava-se como uma contradição ideológica. Em abril de 2025, Donald Trump deu início a uma nova ronda na guerra comercial contra a China, tal como já tinha acontecido no seu primeiro mandato. No entanto, meses mais tarde, após subidas exponenciais das tarifas de parte a parte, a Casa Branca acabou por assinar uma trégua com Pequim.

https://www.youtube.com/watch?v=HL7o6np84pg

Ainda este ano, Donald Trump visitou a China em abril e reuniu-se com o homólogo chinês, num encontro que correu diplomaticamente bem e em que estiveram presentes vários rostos da elite financeira norte-americana, incluindo os diretores-executivos e líderes de empresas como a Apple, a Boeing, a Goldman Sachs e a Tesla (representada por Elon Musk). Agora, até sexta-feira, será Xi Jinping a estar nos Estados Unidos. À margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas, os líderes vão encontrar-se, num clima bem menos tenso do que há cinco meses.

Em vez da constante competição e rivalidade, as duas maiores potências económicas mundiais parecem estar a construir pontes e a celebrar acordos. Mesmo dentro do Partido Republicano e da Casa Branca, o tom das críticas contra Pequim abrandou substancialmente. Nem a questão de Taiwan — a ilha que poderia desencadear um confronto direto entre os dois países — parece ser um grande obstáculo.

Como a postura transacional de Trump obrigou os falcões anti-China a mudar a estratégia

Marco Rubio é um homem que despreza regimes comunistas que lhe fazem lembrar Cuba. O secretário de Estado, enquanto senador, defendeu a aplicação de pesadas sanções à China, país que retaliou e o colocou numa lista em que não podia pisar solo chinês. Quando chegou a chefe da diplomacia, na tomada de posse em 2025, designou Pequim como “o adversário mais potente e perigoso” que os Estados Unidos alguma vez haviam enfrentado. Enquanto político, e até cidadão, Rubio nunca escondeu a profunda animosidade que sentia pela nação asiática.

No seio do Partido Republicano, Rubio era visto como um dos principais falcões contra a China. O secretário de Estado assumiu uma postura agressiva perante os adversários dos Estados Unidos, principalmente o regime chinês. Porém, o chefe da diplomacia norte-americana visitou Pequim em abril de 2026, embora estivesse tecnicamente impedido de o fazer devido às sanções em vigor. O regime chinês acabou por encontrar forma de contornar este impedimento para que a visita se concretizasse.

O discurso do crítico feroz da China também parece ter suavizado depois de ir a Pequim. “É um país grande e poderoso. Vai continuar a crescer. Para evitarmos guerras e mantermos a paz, vamos ter de lidar com eles”, assumiu Marco Rubio, numa entrevista à Fox News, transmitida em maio de 2026. O secretário de Estado parecia pautar a relação pelo pragmatismo, ainda que mantivesse alguma desconfiança. “Vamos continuar a ter interesses próprios que vão entrar em conflito com os deles.”

Não foi apenas o secretário de Estado. Vários rostos da administração Trump mudaram de opinião e passaram a adotar uma retórica bastante ponderada e realista em relação à China no último ano. A mudança foi sincera? Existem várias dúvidas. Ao Financial Times, um antigo dirigente norte-americano confessou que, por exemplo, Marco Rubio é “mais duro com a China do que aquilo que aparenta”. “Continua a pressionar para controlar o volume de exportações e a garantir que os Estados Unidos trabalham à porta fechada com os nossos aliados e parceiros para conter a agressão chinesa.”

"Trump nunca fui um falcão puro contra a China como algumas pessoas imaginavam. Quando surgiu no panorama político, a sua retórica quebrou paradigmas, ao afirmar que a China estava a explorar os EUA economicamente. Mas nunca se preocupou muito com os direitos humanos na China ou com as questões tradicionais de segurança no Pacífico Ocidental."
Julian Gewirtz, que aconselhou a administração Biden nas relações sino-americanas

No entanto, como explica a mesma fonte, Marco Rubio e dirigentes como o diretor da CIA, John Ratcliffe, sabem que trabalhar para Donald Trump levaria a que pudessem existir estas reviravoltas e mudanças de posição geopolítica — às vezes rápidas e sem grande explicação. Como já tinha dito o Presidente norte-americano em 2015, Trump “ama a China”, desde que faça negócios com ele. “Trump nunca foi um falcão puro contra a China como algumas pessoas imaginavam”, diz Julian Gewirtz ao Financial Times, que aconselhou a administração Biden nas relações sino-americanas.

“Quando surgiu no panorama político, a sua retórica quebrou paradigmas, ao afirmar que a China estava a explorar os EUA economicamente. Mas nunca se preocupou muito com os direitos humanos na China ou com as questões tradicionais de segurança no Pacífico Ocidental”, sustenta o especialista. Tal como noutros domínios das relações internacionais, Donald Trump adota uma postura transacional. Se perceber que há vantagens económicas, o republicano não hesita em alterar a sua posição sem grande explicação.

O Presidente norte-americano aparenta ter entendido que atualmente colhe dividendos por manter uma relação mais ou menos cordial com a China, pese toda a concorrência. A questão não é ideológica, como para Marco Rubio. É quase empresarial. Ao mesmo tempo, Donald Trump manteve sempre uma certa admiração por Xi Jinping, evitando criticá-lo em público e admitindo, mesmo em momentos de crise nas relações entre os dois, que o respeita. Um acordo de cavalheiros, no fundo.

Sendo um Presidente que não tolera grandes dissonâncias dentro da sua administração, vários membros perceberam que tinham de mudar a forma como agiam. Não podem destoar publicamente da linha que Donald Trump considera ser a mais correta atualmente. Contudo, isso não significa que não discordem dela — e que, à porta fechada, não tentem reverter o jogo a seu favor.

Ainda assim, Donald Trump não alterou totalmente o paradigma nas relações sino-americanas. Publicamente, os elogios são muitos, mas o Presidente norte-americano é capaz de tomar (ou pelo menos de não impedir) ações que o regime chinês considera hostis. Por exemplo, em maio de 2026, a Marinha dos Estados Unidos realizou os maiores exercícios navais de sempre perto do Mar do Sul da China, apoiando as Filipinas, um declarado rival da China. Pequim considerou que Washington estava a “brincar com o fogo” e prometeu tomar medidas de retaliação.

Sorrisos pela frente, ações mais agressivas nos bastidores. E até contraditórias. Quando visitou Pequim em abril de 2026, o Presidente norte-americano declarou que nunca iria apoiar a independência de Taiwan e que nunca começaria uma guerra por causa da ilha. No entanto, o Congresso aprovou um pacote multimilionário de venda de armas para ajudar Taiwan a defender-se de uma eventual agressão chinesa, estando a presidência ainda a deliberar se dará luz verde.

A guerra pelas tarifas e o peso do Irão para Trump

A visita de Xi Jinping será organizada com pompa e circunstância. O Presidente chinês chegou esta quarta-feira à Base Aérea de Andrews e foi recebido por Donald Trump. O líder chinês já não realizava uma visita de Estado de alto nível a Washington desde 2015, quando Barack Obama ocupava a presidência.

Há um assunto urgente em cima da mesa para ser discutido. Em outubro de 2025, a China e os Estados Unidos suspenderam a guerra comercial através de uma trégua que expira em novembro. Os dois líderes deverão renegociá-la, mantendo (ou mesmo aliviando) as tarifas que permanecem em vigor. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, já antecipou esse cenário, assinalando que poderá haver a possibilidade de reduzir tarifas sobre produtos não essenciais. O valor pode chegar aos 30 mil milhões de dólares (cerca de 26 mil milhões de euros).

Esta muito provável renegociação ocorre num contexto desfavorável aos Estados Unidos. O conflito no Irão aumentou o custo de vida no país e registou-se uma subida significativa no preço dos combustíveis. Começar uma guerra de tarifas com Pequim neste momento seria ainda altamente prejudicial para a economia norte-americana. Daí que, na mesa das negociações, Washington talvez vá estar na mó de baixo. No entanto, será difícil imaginar Donald Trump a ceder em toda a linha.

Citado pela CNN Internacional, Wu Xinbo, especialista em política internacional na Universidade Fudan em Xangai, indicou que a China “está mais confiante”. “O mais importante é que a China encontrou hoje uma forma eficaz de manter os Estados Unidos sob controlo. Washington tem de tratar Pequim com mais igualdade e respeito. Esta relação tem de ser cada vez mais recíproca”, assinalou. Dito de outro modo, nesta visita aos Estados Unidos, o regime chinês sente que ganhou ascendente face aos EUA.

Neste momento, os norte-americanos precisam de estabilidade nos mercados internacionais, pelo que podem estar mais dispostos a fazer cedências. À Reuters, Edgard Kagan, antigo dirigente da Casa Branca, explicou que existem várias variáveis em jogo: “Penso que, quando Xi Jinping se sentar com Donald Trump, vai acreditar que os Estados Unidos estão em declínio e que o tempo está do lado da China”. Em simultâneo, Donald Trump “acredita que a economia dos EUA vai continuar a crescer e que os Estados Unidos se tornarão ainda mais fortes”.

"O mais importante é que a China encontrou hoje uma forma eficaz de manter os Estados Unidos sob controlo. Washington tem de tratar Pequim com mais igualdade e respeito. Esta relação tem de ser cada vez mais recíproca."
Wu Xinbo, especialista em política internacional na Universidade Fudan em Xangai

Em troca de algumas cedências nas tarifas, os norte-americanos poderão pedir algo geopoliticamente valioso: que a China deixe de apoiar economicamente o regime iraniano. Pequim é o principal parceiro comercial de Teerão. Sem este apoio, Washington poderia tentar tirar o tapete à República Islâmica. Porém, Wu Xinbo deixou já o aviso à CNN: “A China vai dizer duas coisas aos EUA. A primeira é para não tentarem sancionar bancos ou empresas chinesas que fazem negócios com o Irão. A segunda é para esquecerem soluções militares ou sanções económicas; é preciso sentarem-se à mesa de negociações para alcançar um acordo de paz razoável”.

Por essa razão, como aponta Edgard Kagan, poderá nem sequer haver um grande avanço estrutural nas relações. O resultado provável será um entendimento que contente minimamente ambas as partes — e as tarifas mantêm-se praticamente inalteradas. Evita-se uma turbulência económica prejudicial para os Estados Unidos e a China continua a garantir importantes benefícios no comércio com a maior economia do mundo.

Inteligência artificial e as terras-raras. A competição e a dependência que levam Musk a elogiar Xi

Os alertas sucederam-se. Em meados deste mês, o diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, avisou que a inteligência artificial (IA) precisa de uma regulação rigorosa. Vários investigadores do setor demitiram-se nos últimos meses, alertando que as empresas estão “a avançar a todo o vapor para uma superinteligência capaz de se autoaperfeiçoar, arriscando o futuro da humanidade”. Líderes do setor — de Sam Altman a Elon Musk — subscreveram estes alertas.

https://observador.pt/especiais/empresas-de-ia-estao-a-arriscar-as-nossas-vidas-dez-perguntas-sobre-o-alerta-que-pos-um-prazo-na-humanidade/

Donald Trump tem uma opinião contrária. O Presidente norte-americano recusa colocar travões aos sistemas de desenvolvimento de inteligência artificial, dado que teme que os Estados Unidos fiquem para trás nesta corrida tecnológica. Os principais receios da Casa Branca são de que a China alcance a hegemonia neste domínio. Para o regime chinês, existe um medo parecido: o de que estes alertas das grandes empresas tecnológicas norte-americanas sirvam sobretudo para refrear os avanços chineses e para criar medo.

Já existe uma certa tensão entre os dois países em redor deste tópico. Para ambas as potências, o futuro da hegemonia mundial passa pela liderança na inteligência artificial. O assunto será debatido certamente no encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, seguindo uma premissa: deverá ser criado um regime global que controle os avanços de ambas as partes para evitar que a IA ponha em causa o futuro da Humanidade? Em cima da mesa está a criação de um “telefone vermelho” entre Pequim e Washington, um canal de comunicação direto em que as duas capitais debateriam os riscos dos avanços tecnológicos. Seria uma réplica ao que aconteceu na Guerra Fria durante a corrida nuclear entre os EUA e a União Soviética.

Ao canal de televisão canadiano CBC, Tu Xinquan, especialista de Economia em Pequim, considera, ainda assim, que não haverá “espaço para coordenação” e que a competição marcará o futuro da inteligência artificial. “Os EUA colocaram muito peso na IA. É uma aposta total”, define o analista. A rivalidade tem impactos imediatos: os Estados Unidos estão a impedir a exportação dos chips mais avançados para o mercado chinês, ao passo que a China tem reforçado o seu domínio sobre os minerais de terras-raras — sendo responsável por 61% da extração global anual.

As terras-raras são indiscutivelmente uma vantagem para a China, o que faz com que os principais líderes das grandes tecnológicas reconheçam a importância estratégica do país no futuro. Em abril de 2025, em plena guerra comercial, Elon Musk advertiu que a escassez daqueles minerais podia provocar atrasos significativos na produção dos robôs da Tesla. Dito isto, os magnatas norte-americanos têm todo o interesse em preservar a estabilidade nas relações com o regime chinês.

A segunda administração Trump tem mantido uma relação bastante próxima com os empresários e líderes das grandes tecnológicas, que viajaram também para a China em abril de 2026. Elon Musk apoiou fortemente a eleição do atual Presidente há dois anos. Apesar da zanga que tiveram no passado, reataram a aliança e são atualmente próximos. Líderes como o fundador da Tesla podem estar, assim, a sussurrar ao ouvido do chefe de Estado sobre Pequim — e a convencê-lo de forma mais eficaz do que diplomatas como Marco Rubio.

Ainda esta quarta-feira, Elon Musk aceitou ser entrevistado pela televisão estatal chinesa. O dono da Tesla — a empresa automóvel que tem uma fábrica em Xangai — teceu fortes elogios a Xi Jinping. “Sob a sua liderança, a China alcançou enormes progressos no seu desenvolvimento”, destacou. Frisou que a prosperidade do país “aumentou enormemente” durante a liderança do atual Presidente, acrescentando que o dirigente chinês é “muito sábio e com visão de futuro”.

http://twitter.com/CGTNEurope/status/2102726229044728094

Enquanto empresário, Elon Musk sabe falar a mesma língua que Donald Trump, o homem que dizia “amar a China” quando vendia a investidores chineses apartamentos de luxo em Nova Iorque. Temas como a independência de Taiwan, as disputas no Mar do Sul da China e as questões dos Direitos Humanos no país — temas que habitualmente geram forte tensão entre Pequim e Washington — ficam remetidos para segundo plano em favor dos potenciais lucros económicos.

Para a China, o mais importante ainda é Taiwan

Do lado chinês, estas ligações aos magnatas norte-americanos são uma forma eficaz de exercer pressão sobre o poder político em Washington. Atraído por bons negócios, os grandes empresários são mais fáceis de persuadir do que os congressistas e senadores. No entanto, o poder político — tanto republicanos como democratas — e a própria opinião pública norte-americana continuam desconfiados em relação às intenções de Pequim.

No Congresso, existe um apoio bipartidário considerável em relação à manutenção da aliança com Taiwan. Em julho deste ano, os congressistas aprovaram a venda de um pacote de armas estimado em 14 mil milhões de dólares (cerca de 12 mil milhões de euros) à ilha. Donald Trump ainda não o aprovou e já assinalou que talvez não o faça. Aliás, os Estados Unidos têm suspendido a entrega de alguns equipamentos militares ao território.

Quando visitou a China em abril, Donald Trump chegou a descrever a venda de armas a Taiwan como “uma ótima moeda de troca” nas negociações com Pequim, detalhando que discutiu o assunto em profundidade com o Presidente chinês. A postura transacional revelava-se novamente: o chefe de Estado demonstra estar menos preocupado com a autonomia do território e mais focado nos benefícios económicos e políticos que pode extrair na suspensão desse apoio militar.

Do outro lado, o regime chinês não dá sinais de recuar. A reunificação da China continental com Taiwan permanece como um dos principais objetivos de Xi Jinping, que garantiu que não abdicará do que considera ser um propósito histórico, que está perto de concretizar-se. O que para Donald Trump pode ser visto como uma mera moeda de troca negocial, para Pequim é uma questão existencial que mexe diretamente com o orgulho nacional.

No encontro que começa esta quarta-feira, segundo avançou a Reuters, Xi Jinping vai pressionar Donald Trump para deixar de vender armas a Taiwan, lembrando um comunicado conjunto assinado entre Pequim e Washington em 1982. Segundo uma das fontes familiarizadas com o assunto, o Presidente chinês vai enfatizar que “Taiwan está a fazer provocações e é a única fonte de instabilidade nas relações EUA-China”. Em troca, o líder chinês pondera exercer pressão sobre o Irão para que Teerão aceite alcançar um acordo mais favorável com a Casa Branca.

Dentro do Partido Republicano, certamente alguns falcões demonstrariam o seu desagrado com esta possibilidade. Na semana passada, citado pela Reuters, o membro da Comissão de Negócios Estrangeiros do Senado, Pete Ricketts, declarou que os Estados Unidos precisam de redobrar a ofensiva contra a China. “Precisamos que elas saibam que não podem tomar Taiwan pela força. Que não vamos mudar a nossa posição. Vamos continuar a apoiar Taiwan.”

De um lado, empresários como Elon Musk, que não querem perder a corrida tecnológica e veem na China um fornecedor indispensável de terras-raras. Do outro, diplomatas e republicanos que ainda encaram Pequim como um adversário geopolítico. Entre estas duas tendências, o Presidente norte-americano vai navegando consoante os seus interesses imediatos e os dividendos económicos. Por sua vez, Xi Jinping lê Donald Trump como poucos — e parece entender que o chefe de Estado nunca deixou de ser um empresário à procura de bons negócios.