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"Perdemos a determinação, não queríamos saber de futebol." Robertson recorda início de época da morte de Diogo Jota

Em entrevista a um podcast, o antigo jogador do Liverpool recordou o início da temporada passada depois da morte de Diogo Jota e lembrou que o clube estava "de coração partido" e "de luto".

Mariana Fernandes
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O Liverpool começou a temporada passada com cinco vitórias consecutivas na Premier League. Parecia lançado para a reconquista do Campeonato, um autêntico rolo compressor de Arne Slot que não dava hipótese a ninguém e venceu Bournemouth, Newcastle, Arsenal, Burnley e Everton no espaço de um mês. Depois, vieram seis derrotas em sete jogos. E o Liverpool não voltou a endireitar-se. 

Os reds terminaram a época no quinto lugar, garantindo a presença na Liga dos Campeões deste ano, não chegaram às decisões da Taça de Inglaterra e da Taça da Liga e também não passaram dos quartos de final da Champions. Arne Slot não resistiu, foi despedido no início do verão e substituído por Andoni Iraola, que tinha realizado um trabalho impressionante no Bournemouth. E não era assim tão difícil perceber o que se tinha passado ao longo da temporada.

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Aquelas cinco vitórias consecutivas, de forma muito irónica, surgiram logo a seguir ao choque da morte de Diogo Jota, no início de julho. De certa maneira, parecia que o Liverpool tinha reunido a força suficiente para honrar o avançado português naquele primeiro mês de competição — perdendo depois toda a energia para continuar a lutar sem um dos elementos mais queridos do clube, do plantel e dos adeptos. Agora, mais de um ano depois do trágico acidente, essa versão foi confirmada.

Em entrevista ao podcast “Stick to Football” e em conversa com Jamie Carragher, Andy Robertson recordou aqueles primeiros meses da temporada passada. “Tínhamos acabado de perder um dos nossos melhores companheiros de balneário. Nós, jogadores de futebol, temos aquela vontade, não é… E acho que na última época perdemos essa vontade, chego a essa conclusão se pensar nisso”, explicou o agora lateral do Tottenham, que deixou Anfield durante o verão e era um dos melhores amigos de Diogo Jota nos reds.

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“Perdemos a determinação, em certa medida, porque havia dias em que olhávamos uns para os outros e perguntávamos qual era o ponto. Olhem para aquilo por que a família do Jota estava a passar, olhem para os filhos dele. Estávamos de luto. Ele era um colega de equipa, era um amigo, foi incrivelmente difícil. Na semana anterior ao acidente estive no casamento dele e isso foi uma das coisas mais difíceis de ultrapassar. Estive no dia mais feliz da vida dele e na semana seguinte estava a ver a família completamente destruída”, acrescentou.

Na mesma entrevista, Andy Robertson recordou ainda que o início de temporada foi muito difícil também para os jogadores que tinham acabado de chegar, como Alexander Isak e Florian Wirtz, já que entraram no balneário de luto. “Aquilo por que nós passámos foi horrendo. Os reforços chegaram a um clube que estava de coração partido e foi aí que tive pena deles. Tinham acabado de ser contratados por muito dinheiro e demoraram meses a adaptar-se porque nós não queríamos saber de futebol. É essa a verdade”, terminou o escocês.