(c) 2023 am|dev

(A) :: Bloco de Esquerda "evolui posição" e abstém-se em voto de pesar pela morte de Pavlo Sadokha

Bloco de Esquerda "evolui posição" e abstém-se em voto de pesar pela morte de Pavlo Sadokha

Vereador bloquista explica que partido passou a abster-se após contactos com "democratas ucranianos". BE distancia-se do "percurso público" de Sadokha, que foi assessor de deputado de extrema-direita.

Miguel Pereira Santos
text

Depois de ter acompanhado o voto de pesar pela morte de Pavlo Sadokha na Assembleia Municipal de Lisboa, o Bloco de Esquerda absteve-se em iniciativas com o mesmo objeto na Assembleia da República e na Câmara de Lisboa. Já o PCP manteve o seu voto contra o pesar pela morte do presidente de longa data da Associação dos Ucranianos em Portugal no dia 13 de setembro.

O vereador Ricardo Moreira explica ao Observador que o BE “evoluiu de posição” após contactos comdemocratas ucranianos” e que a abstenção esta quarta-feira na CML está alinhada com o voto da deputada Andreia Galvão no Parlamento na sexta-feira. Ao contrário do PCP, o BE tem maioritariamente votado ao lado dos restantes partidos em iniciativas políticas a favor da Ucrânia e de condenação da Rússia desde a invasão em 2022. Os bloquistas reafirmam a “inequívoca condenação da invasão russa da Ucrânia”, mas justificam a abstenção neste caso com o “percurso público” do antigo líder da Associação dos Ucranianos em Portugal.

“O percurso público de Pavlo Sadokha ficou também marcado por posições e referências políticas com as quais o Bloco de Esquerda mantém profundas divergências, que não podem ser ignoradas ou apagadas”, lê-se na declaração de voto escrita entregue por Ricardo Moreira. “A nossa abstenção exprime simultaneamente o respeito pela dor da sua família, dos seus amigos e da comunidade ucraniana em Portugal, bem como a convicção de que a solidariedade que devemos ao povo da Ucrânia inclui todos os democratas e antifascistas que resistem à agressão russa”, conclui.

O percurso político de Pavlo Sadokha, cuja morte aos 56 anos está a ser investigada pelo Ministério Público, também foi o principal motivo evocado pelos comunistas para justificarem o voto contra. Segundo o site AbrilAbril, plataforma da responsabilidade do PCP, Sadokha foi assessor do deputado Yuriy Syrotiuk, membro do partido de extrema-direita Svoboda, inspirado na controversa figura de Stepan Bandera. O ex-líder da Associação dos Ucranianos em Portugal, que também tinha ligações a movimentos como os Azov ou Setor Direito, rejeita ligações ao nazismo.

O voto de pesar apresentado esta quarta-feira pela coligação liderada por Carlos Moedas destaca que Pavlo Sadokha residia há mais de duas décadas em Portugal. “Destacou-se pela ação cívica e humanitária a que se dedicava intensivamente. Teve um papel preponderante na preservação da identidade cultural da sua comunidade, no apoio aos imigrantes e na promoção do diálogo intercultural e de solidariedade no concelho de Lisboa.” Sadokha, militante do PSD, foi também candidato à Assembleia Municipal de Lisboa e à assembleia de freguesia de São Domingos de Benfica nas eleições autárquicas de 2025.

https://observador.pt/2026/09/14/morreu-pavlo-sadokha-presidente-da-associacao-dos-ucranianos-em-portugal/

[Dois meses após o desaparecimento, e já depois de o genro, Raymond Quendoz, lhes ter anunciado que ia divorciar-se dela, os Silva Pais recebem finalmente notícias da filha. Annie está bem. Recusa dar detalhes sobre o seu paradeiro mas há cada vez mais evidências de que fugiu do marido para se juntar à revolução cubana. E, se isso aconteceu, uma coisa é certa: Annie tem de ter tido a ajuda e o aval do próprio Fidel Castro. Resta apenas saber porquê. Já pode ouvir o segundo episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, no Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]