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Trump questiona presença da CNN em Assembleia-geral da ONU: "Não devia estar aqui a fazer a minha cobertura"

O Presidente confrontou a jornalista Kaitlan Collins à chegada à sede da ONU. O Departamento de Justiça defende que o acesso à Casa Branca "é um privilégio, não um direito".

João Paulo Godinho
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À chegada à sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, Donald Trump fez questão de questionar e repreender uma jornalista da CNN que se encontrava no local. Kaitlan Collins, uma das jornalistas que integram a equipa de correspondentes da estação televisiva para o acompanhamento da Casa Branca — e que foi banida esta semana, juntamente com os meios Politico e MS-NOW —, encontrava-se no local quando o Presidente dos Estados Unidos chegou e criticou a presença do canal.

“É uma honra estar aqui. Estou surpreendido por a CNN estar aqui a fazer a minha cobertura”, disse Trump, dirigindo-se depois diretamente a Collins: “Não devia estar aqui a fazer a minha cobertura“.

https://twitter.com/kaitlancollins/status/2102407417593995322

O ‘recado’ de Trump surge na sequência do diferendo entre a Casa Branca e os três meios de comunicação social, que foram afastados da cobertura presidencial por alegadas mentiras e ‘fake news’ que o Presidente dos EUA atribui à CNN, à MS-NOW e ao Politico sobre a sua presidência.

A situação levou a uma tomada de posição solidária de outras estações televisivas que se revezam na cobertura da Casa Branca, designadamente CBS, NBC, ABC e FOX — esta última geralmente considerada muito próxima de Trump. Em resposta, na terça-feira, o Presidente norte-americano anunciou o lançamento da “Trump TV“.

Kaitlan Collins questionou Trump quando iria acabar a guerra com o Irão, lembrando uma sondagem que indicou que cerca de dois terços dos americanos não consideravam que os EUA estavam a ganhar esse conflito. Porém, o Presidente norte-americano não respondeu e prosseguiu: “Disse que não me ia cobrir. Não devia estar a fazer a minha cobertura.”

Departamento de Justiça dá cobertura à proibição de Trump

Na última noite, o Departamento de Justiça (que faz parte da administração) defendeu formalmente que Trump pode mesmo impedir de forma discricionária o acesso de meios de comunicação social à Casa Branca. Segundo um documento judicial apresentado pela administração Trump e citado pela CNN, o “acesso à Casa Branca é um privilégio, não um direito”.

Em causa nas alegações dos advogados da administração está um suposto risco de segurança nacional na cobertura de temas tão distintos por CNN, MS-NOW e Politico, como a guerra com o Irão ou a construção do salão de baile na Casa Branca.

https://twitter.com/cnnbrk/status/2102611772737786051

“No mínimo, o Governo pode controlar o acesso dos jornalistas a áreas presidenciais restritas, como o Salão Oval, mesmo por razões de discriminação com base em pontos de vista”, sustentou o Departamento de Justiça no documento remetido ao tribunal, continuando: “O Presidente considerou que os queixosos se envolveram numa série de incidentes de reportagem que ameaçaram a segurança nacional. Tais reportagens suscitam diretamente preocupações de segurança nacional.”

Para esta quarta-feira está prevista uma audiência de emergência diante do juiz federal Timothy Kelly, em Washington, na qual a CNN, a MS-NOW e o Politico irão formalizar ao tribunal o pedido de restabelecimento imediato do seu acesso à Casa Branca, em respeito pela Primeira Emenda da Constituição, que protege a liberdade de imprensa.