Um cidadão natural da Costa Rica, de 36 anos e diabético, morreu sob custódia da Agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), quando se encontrava num centro de detenção no estado do Louisiana.
O costarriquenho foi encontrado inconsciente no dia 18 de setembro no Centro Correcional de Winn, em Winnfield, segundo um comunicado do ICE e citado na terça-feira pela Associated Press (AP). Apesar da realização de manobras de reanimação e de ter sido levado para um hospital, Carlos Josue Marchena seria posteriormente declarado morto. Contudo, a determinação da causa oficial da morte está ainda sujeita a exames médicos.
Será já a terceira vítima entre detidos naquele centro dos serviços de imigração no Louisiana nos últimos seis meses. De acordo com a família da vítima, Carlos Josue Marchena não estaria a receber as injeções de insulina e as refeições necessárias para o controlo da diabetes tipo 1.
A irmã do homem, a sua namorada e um detido na cela ao lado daquela onde estava Carlos Josue Marchena garantiram ainda que o cidadão costarriquenho não estaria sequer a beber água suficiente enquanto se sucediam as transferências entre centros de instalação temporária. Foi quando chegou ao centro de Winn, na cidade de Winnfield, que o estado de saúde de Marchena se agravou, acabando por morrer menos de uma semana depois da sua chegada.
Franciny Marchena afirmou que o irmão lhe disse que ninguém estava a verificar os níveis de açúcar no sangue a fim de garantir que continuavam estáveis, face à sua condição clínica. “Uma pessoa saudável que toma a medicação para a diabetes não tem motivos para desmaiar da forma como o meu irmão desmaiou”, referiu a irmã da vítima, em declarações prestadas a partir da Costa Rica.
Já Luis Herrera Andy, um cidadão hondurenho detido na cela ao lado daquela onde se encontrava a vítima, contou que Carlos Josue Marchena tinha ficado irritado com os comprimidos que médicos lhe deram para dores no peito. “‘Este sítio é uma porcaria. Aqui não te ajudam em nada. Até se pode morrer aqui'”, afirmou o cidadão hondurenho, citando as palavras de Marchena e acrescentando que ele se queixava de dores de estômago, dores de cabeça e vómitos na véspera da sua morte.
Segundo a AP, uma avaliação recente do Gabinete do Inspetor-Geral do Departamento de Segurança Interna tinha atestado que aquele centro não estaria a cumprir as normas federais ao nível dos cuidados médicos.
Carlos Josue Marchena será, no levantamento feito pela AP, a 58.ª pessoa a morrer sob custódia do ICE desde janeiro de 2025, quando Donald Trump regressou à presidência dos Estados Unidos e lançou uma dura campanha de repressão à imigração, assente em deportações em massa. As operações anti-imigração chegaram a resultar na morte de cidadãos norte-americanos, o que gerou fortes protestos em inúmeras cidades do país.
O ICE sustentou em comunicado que Carlos Josue Marchena recebeu “cuidados médicos adequados” e que foi “examinado por profissionais de saúde”.
A agência de imigração e alfândega adiantou também que Carlos Marchena entrou no país em fevereiro de 2021 sem estatuto legal para o efeito, acrescentando que o costarriquenho tinha já condenações judiciais ligadas a fraude no comércio a retalho e destruição de propriedade, até ser detido em janeiro, por agressão, no estado do Michigan.
A ordem de deportação de Marchena, que tinha quatro filhos, foi confirmada por um juiz federal em julho, embora a família tenha indicado que tinha sido pedida fiança e deportação voluntária. O pedido foi supostamente recusado pelo ICE, segundo a família, mas a agência não prestou esclarecimentos sobre a alegada recusa do pedido.