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(A) :: Governo comunicou a Pequim que entrada na REN não muda posição da State Grid que até quer que se mantenha "acionista de referência"

Governo comunicou a Pequim que entrada na REN não muda posição da State Grid que até quer que se mantenha "acionista de referência"

Havia no Governo seis pessoas que sabiam da pretensão de compra pelo Estado de capital da REN. Nenhuma tem ações da empresa. Governo assume que quer que State Grid se mantenha referência.

Alexandra Machado
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O Governo assume, num comunicado divulgado esta terça-feira, que comunicou ao Governo chinês que a participação do Estado português no capital da REN não interferia com a posição da State Grid. “Pelo contrário, é interesse do Governo Português que a State Grid continue como acionista de referência da REN”. E por isso a comunicação ao Governo chinês foi a de que “a entrada do Estado em até 20% do capital da REN não implicava qualquer mudança na participação de 25% da State Grid”.

Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e da Energia, já tinha revelado ao Now que a operação estava “a ser cuidadosamente programada desde 2024, coordenada pelo senhor primeiro-ministro, envolvendo o Ministério do Ambiente e Ministério das Finanças”, tendo garantido que “fez parte da agenda na visita à China”, que aconteceu em setembro de 2025.

Para já o Estado, através da Parpública, adquiriu 13,7% da REN, comprando a posição diretamente à Pontegadea Inversiones, de Amancio Ortega, dono da Zara. Mas tem a pretensão de comprar até 20%. As compras já tiveram luz verde do Tribunal de Contas, conforme noticiou o Observador.

https://observador.pt/especiais/governo-deu-ordens-a-parpublica-para-comprar-ate-20-da-ren-negocio-com-dono-da-zara-e-primeira-fase-e-da-acesso-a-administracao/

Os esclarecimentos feitos pelo Ministério das Finanças no comunicado desta terça-feira confirmam a intenção de adquirir até 20% da REN. “Estando por concluir a operação que permite chegar até 20%, há ainda aspetos sob reserva. Contudo, tendo o Tribunal de Contas emitido visto prévio favorável, o Governo encontra-se agora em condições de prestar mais informação, sendo possível esclarecer algumas dúvidas que foram, aliás, objeto de análise do Tribunal de Contas e do respetivo visto prévio”.

O Governo volta a argumentar que na União Europeia apenas Portugal não tinha o Estado no capital da empresa gestora da rede elétrica nacional. Dos 27 Estados-Membros, 14 detêm 100% da respetiva empresa, 8 detêm mais de 50% do capital e 3 detêm uma participação superior a 20%, mas inferior a 50%. Para o Executivo, a aquisição de uma participação qualificada minoritária no capital social da empresa “permite o exercício de um conjunto de direitos de governance suscetíveis de reforçar a capacidade de acompanhamento e de influência sobre as referidas matérias relevantes para a orientação estratégica da REN”, voltando a dizer que “as mudanças geopolíticas e a cada vez maior importância da energia justificam a decisão”.

A REN, continua o Governo, “constitui um ativo de elevada relevância para o país, atendendo às funções críticas que desempenha na operação, segurança e continuidade da infraestrutura nacional de transporte de eletricidade e de gás natural, assumindo um papel chave no funcionamento do sistema energético nacional, incluindo na garantia da segurança de abastecimento”.

A Parpública foi mandatada para fazer essa compra, através de despacho conjunto do Ministério das Finanças e do Ministério do Ambiente e da Energia, tendo sido essa holding pública a contratar os assessores financeiro (Caixa BI) e jurídico (Sérvulo), custando 100 mil euros, tal como já tinha sido divulgado no fim de semana.

https://observador.pt/2026/09/19/ministerio-das-financas-nega-comissoes-na-compra-da-ren-assessores-do-negocio-custaram-100-mil-euros/

O comunicado indica, ainda, que, no governo, “apenas seis governantes tiveram conhecimento prévio dos termos concretos desta operação: o Primeiro-Ministro (que a autorizou), o Ministro de Estado e das Finanças e a Ministra do Ambiente e da Energia (que assinaram o despacho conjunto que autorizou a Parpública à compra de até 20% da REN), o Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, o Secretário de Estado do Tesouro e Finanças e o Secretário de Estado da Energia” e “nenhum destes seis governantes que conhecia os termos concretos da operação tinha ou tem quaisquer ações da REN antes ou durante o momento de aquisição”.

Amancio Ortega pediu mais dinheiro

O Governo assume que para avançar para a compra dos tais 20% abordou, logo, a empresa de Amancio Ortega, que era o segundo maior acionista, para vender a totalidade da sua participação. Não tentou, pelos esclarecimentos agora prestados, comprar a posição da State Grid. “Tal foi acolhido positivamente pela empresa [Pontegadea], dado tratar-se do Estado Português”.

Para ficar com os 13,7% o Estado pagou, tal como já tinha sido noticiado pelo Observador, um prémio de 15% face à cotação média dos últimos seis meses. Mas confirma agora o Governo até ficou abaixo dos 20% de prémio pedidos inicialmente pela Pontegadea e “ainda mais abaixo do prémio de 50% pago em 2012 pela State Grid por 25% do capital da REN”. A participação custou 389,8 milhões de euros, o que equivale a 4,25 euros por ação. Mas a Parpública recebeu 393 milhões de euros, porque “foi cabimentado um valor máximo, tendo acabado por ser pago um valor inferior em 4 milhões de euros, que está devidamente registado e contabilizado na Parpública”.

Para ficar com uma posição de 20%, o Governo diz que seria inviável comprar em bolsa, o que poderia demorar cerca de três anos, devido à baixa liquidez da REN. “A única solução viável era a negociação e compra a acionistas de referência”. Não revela que outras posições estão a tentar ser compradas.

O Governo contesta a comparação com o custo da descida do IRS (400 milhões) e do suplemento extraordinário aos pensionistas (400 milhões), porque “não se trata” no caso da REN de “despesa pública, mas sim de uma operação financeira”. “Aliás, como o próprio INE já esclareceu, tal operação ‘(…) deve ser registada na conta financeira, sem impacto na capacidade/necessidade de financiamento das Administrações Públicas (défice/excedente) e sem efeito direto na dívida pública'”.