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(A) :: Corrida aos preços fixos (mais baixos) da Total secou muitos postos em França. E em Portugal há riscos?

Corrida aos preços fixos (mais baixos) da Total secou muitos postos em França. E em Portugal há riscos?

Falta de combustível em França afetou um quinto das bombas. Escassez foi maior na rede da Total. Franceses correram a preços fixos, mais baixos, que a petrolífera fixou para evitar taxa sobre lucros.

Ana Suspiro
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A França está a enfrentar uma situação de escassez de combustíveis em muitos dos postos de retalho. Na semana em que gasolina e gasóleo atingiram um preço recorde um pouco por toda a Europa, cerca de um quinto dos postos do país tinha esgotado o stock de pelo menos um combustível rodoviário. A situação levou o Governo francês a anunciar medidas para responder ao risco de falta de produto.

O gasóleo de verão vai poder continuar a ser vendido até novembro (quando por regra termina em outubro), em vez do gasóleo de inverno, um produto cujas especificações permitem resistir melhor a temperaturas muito baixas. E o presidente Emmanuel Macron escreveu à Comissão Europeia a pedir o alívio de normas regulamentares sobre os combustíveis e aplicáveis à indústria refinadora. Muitos destes regulamentos são fundamentados por objetivos ambientais.

A falta de produto em França tem sido uma realidade recorrente de cada vez que são anunciados novos aumentos significativos dos preços, que levam os condutores a correr às bombas para encherem o depósito antes de a fatura subir.

Em França, o gasóleo está, esta semana, nos 2,4 euros por litro, do que na semana anterior. A gasolina custa 2,22 euros por litro. Mas há uma exceção com muito alcance. Em Portugal, o preço médio do gasóleo, segundo dados da Direção-Geral de Energia e Geologia, está nos 2,210 euros e o da gasolina nos 2,107 euros.

Na rede de retalho da maior petrolífera francesa o preço está fixado — o gasóleo custa 2,25 euros por litro e a gasolina está abaixo dos 2 euros (1,99 euros por litro). O teto aos preços foi definido pela Total em resposta à escalada dos preços causada pela crise no Golfo. Esta política está a atrair em massa os clientes de outras gasolineiras, em particular os que abasteciam nas grandes cadeias de supermercados que eram os principais vendedores de combustíveis em França.

O teto nos preços está em vigor há cerca de cinco meses e já custou à Total entre 250 milhões e 300 milhões de euros, mas parece ser um mal menor para os gestores da companhia francesa cuja principal preocupação é evitar que o Governo francês aprove uma taxa extraordinária sobre os lucros, como fez Portugal. A Total duplicou os lucros para mais de 11 mil milhões de euros no primeiro semestre e o seu presidente executivo Patrick Pouyanné já avisou que, se o imposto especial avançar, acaba com o teto aos preços.

A corrida dos franceses às bombas da Total é um dos motivos apontados para a situação de rutura em muitos postos de venda. De acordo com o Le Figaro, mais de 80% das estações da marca tinham ruturas. O ministro da Economia, Roland Lescure, afirmou que na manhã de segunda-feira 17% das mais de 9.000 estações de serviço no país tinham défice de pelo menos um combustível. 91% destas estações eram da Total. Apesar da maior pressão sobre os preços do gasóleo, a gasolina era o combustível que mais faltava em França.

A política comercial da maior petrolífera francesa não será o único fator por detrás da pressão no mercado. O país importa parte dos combustíveis que consome, em particular gasóleo, e a falta de água em muitos dos rios está a ter impacto local no transporte por barco de combustíveis.

Roland Lescure afasta para já um cenário de crise no abastecimento de combustíveis ao país. Os stocks estratégicos estão cheios, as refinarias estão a produzir em pleno e não haverá problemas nos próximos dois meses. Mas reconheceu também que o prolongamento do conflito no Médio Oriente faz aumentar os riscos de aprovisionamento do mercado.

E em Portugal?

A Galp diz que a refinaria de Sines reforça em cada momento a produção de jet fuel ou diesel (destilados médios) consoante as necessidades do mercado nacional e o balanço entre estes dois produtos. Estes têm sido os dois produtos onde o risco de escassez tem sido mais apontado.

A empresa acrescenta que se “encontram asseguradas importações até ao final do mês de outubro em linha com os timings de atuação em mercado. Encontram-se igualmente asseguradas as necessidades de jet e diesel do mercado nacional durante a paragem programada para manutenção de uma das suas unidades, ao longo do mês de outubro”.

https://observador.pt/2026/09/21/ministra-do-ambiente-diz-que-consumo-de-combustiveis-aumentou-e-apela-a-poupanca/

A ministra do Ambiente e Energia afastou em particular a falta de combustível para aviação cujas reservas estão atualmente a um nível superior ao do ano passado. Maria da Graça Carvalho alertou contudo para a importância de poupar no uso de combustíveis cujo consumo tem vindo a subir este ano, apesar da enorme subida dos preços.

De acordo com dados da Direção-Geral de Energia e Geologia, o consumo de gasolina subiu 4% até julho e o de gasóleo cresceu 1%, face a igual período do ano passado. O grosso deste acréscimo de procura concentra-se nos primeiros três meses do ano. Ainda assim, e a partir de abril a procura de combustíveis não mostra um recuo que seria de esperar perante a escalada constante dos preços dos últimos meses.