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Juíza do caso do irmão de Sánchez denuncia alegados contactos da rede de Leire Díez com o narcotráfico para a atacar

Beatriz Biedma quer ser reconhecida como "lesada" por uma alegada rede do PSOE que terá contactado com criminosos para a prejudicar e que podem ter posto em risco a sua integridade física.

Joana Moreira
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A juíza Beatriz Biedma, que instruiu o processo que culminou na condenação de David Sánchez, irmão do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, a nove anos de inibição de cargos públicos por prevaricação, apresentou um requerimento no qual denuncia uma série de ações destinadas a desacreditá-la e a recolher informações sobre ela e o seu círculo de convívio.

A informação é avançada esta terça-feira pelo jornal espanhol El País, que reporta que Biedma sustenta que, face aos relatórios da Unidade Central Operativa (UCO) da Guarda Civil divulgados pela comunicação social, há indícios de que os arguidos tentaram obter informação sobre si para a “desacreditar pública e pessoalmente”. Por isso, quer ser reconhecida como “lesada” e pede ao juiz Santiago Pedraz que lhe permita constituir-se como assistente no chamado “caso Leire Díez” (ex-militante do PSOE que lideraria um plano do partido no poder espanhol para influenciar, coagir ou subornar juízes, procuradores e outras autoridades judiciárias para proteger o governo de Pedro Sánchez).

No requerimento entregue esta quarta-feira e ao qual o diário espanhol teve acesso, a juíza sublinha ter tido conhecimento, “através de informações que serão atempadamente entregues aos investigadores”, da “existência de contactos promovidos” pela alegada rede de Díez com “pessoas ligadas a um conhecido clã [do narcotráfico] sediado na cidade de Badajoz” para atuarem contra si, para boicotar investigações que afetavam o Governo ou o partido. Entende a magistrada que essa atuação pode ter “posto em perigo não só a sua reputação, mas a sua própria integridade física”.

A juíza baseia-se numa notícia do jornal Artículo 14 que revelava que na agenda de Díez consta uma anotação datada de 25 de março de 2025 ― “Juíza de Badajoz. Celsa. Heroína ou cigano” ― alegadamente “relacionada” com investigações que Biedma dirigia sobre clãs dedicados ao tráfico de droga na capital de Badajoz. A magistrada sublinha que a data é “especialmente relevante, uma vez que ocorreu dias depois de ter sido rejeitado” um pedido de recusa contra si, promovido alegadamente pela rede.

A magistrada acrescenta que, embora esses “contactos” com criminosos venham a ter de ser investigados pelos tribunais, a “gravidade” do assunto é “evidente”, em particular se se confirmar que essas aproximações visavam “obter informação” e “criar hostilidade” contra si para a “pressionar, desacreditar ou comprometer a sua segurança pessoal em virtude do exercício das suas funções jurisdicionais”.

Biedma sublinha ainda que a própria investigação da Audiência Nacional permitiu perceber que a alegada rede “desenvolveu uma atividade específica” de recolha de informação sobre a sua vida “pessoal, familiar e profissional”. Denuncia ainda que os arguidos moveram uma “intensa campanha de descrédito através de denúncias, publicações e ações” divulgadas em órgãos digitais e nas redes sociais enquanto investigava o caso David Sánchez. Sustenta também que o ex-presidente do clube de futebol de Badajoz, Joaquim Parra, que fazia parte de um grupo de WhatsApp em que estava também Leire Díez  declarou que esta pediu para serem promovidas denúncias contra a juíza junto da Procuradoria-Geral do Estado e queixas junto do Conselho Geral do Poder Judicial (CGPJ).

Além de pedir ao juiz Pedraz que a reconheça como lesada, Biedma exige o acesso a “todas as agendas, cadernos, anotações, documentos e dispositivos apreendidos” aos arguidos em que seja mencionada, bem como a todos os relatórios policiais juntos ao processo. A magistrada recorda ainda a existência de outros dois processos abertos nos tribunais de Badajoz com alegadas ligações ao caso Leire Díez, pedindo por isso que esses juízes se declarem incompetentes e apensem as suas investigações às da Audiência Nacional, por considerar que estão todas conexas.

O pedido de Biedma surge no âmbito do processo em que se investiga um duplo plano alegadamente urdido (por Leire Díez e Santos Cerdan, ex-secretário do PSOE) para boicotar investigações que visam os socialistas: por um lado, o contacto com pessoas capazes de fornecer informação comprometedora sobre agentes, juízes e procuradores envolvidos nas investigações que se pretendia “desestabilizar”, de forma a “minar” a sua “credibilidade”; por outro, uma tentativa de “promover” a abertura de “inquéritos internos” na Guarda Civil para criar um “clima” de intimidação entre os operacionais da UCO.