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Veículos autónomos em Portugal? Bolt não se atravessa com data. Brisa quer iniciar testes em autoestradas

A Bolt tem parceria para 25 mil robotáxis na Europa até 2035, mas avisa que a massificação vai demorar "valentes décadas". Brisa já quer testar nas autoestradas nacionais.

Marina Ferreira
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Já há “parcerias”, “projetos piloto” e “desenvolvimentos” na área da implementação de veículos autónomos em Portugal, mas a Bolt, uma das principais plataformas de TVDE a operar em território nacional, ainda não se atravessa com estimativas temporais para a chegada dos carros que operam sem condutores ao serviço de transporte de passageiros privado.

“É importante trazermos o tema e quebrarmos alguns mitos e tabus e explicar a este setor que este é um tema distante, sendo que para Portugal e para Lisboa não há prazo previsto“, afirmou ao Observador Mário de Morais, diretor-geral da Bolt no país, durante a conferência “Dia da Mobilidade 2026” promovida pela plataforma eletrónica.

Uma das parcerias anunciadas pela Bolt, com a Lucid e a Nvidia, prevê que passem a circular 25 mil robotáxis nas estradas europeias até 2035. Sofia Cartó, diretora de políticas públicas da Bolt Portugal, fez questão de destacar esta terça-feira, num painel da conferência dedicado ao tema, que ao contrário do que se possa pensar, “não vai ser já amanhã que vai haver centenas de milhares de veículos autónomos nas estradas europeias”. “Vai ser uma evolução muito gradual”, defendeu.

Já sobre a implementação deste tipo de veículos em Portugal concretamente, a diretora da plataforma eletrónica de transporte de passageiros destacou as características das cidades europeias e das suas “zonas mais antigas”, dando o exemplo do Bairro Alto, que tem ruas estreitas e acidentadas que “não se comparam às grandes avenidas nos EUA” onde atualmente já operam centenas de robotáxis.

Sofia Cartó previu ainda que nos primeiros 10 anos de implementação dos veículos autónomos para transporte de passageiros “vão ter de existir safety drivers e operadores remotos” a garantir a segurança das viagens, com uma “reconfiguração” total da experiência de viajar num veículo de TVDE.

“Quando a utilização de veículos autónomos estiver massificada, e arrisco-me a dizer que vai demorar umas valentes décadas para a massificação, penso que mesmo nessa altura vai haver sempre preferência pela relação humana e pessoas que querem um veículo com condutor”, defendeu ainda a diretora da Bolt.

Brisa quer primeiros testes de veículos autónomos nas autoestradas por serem “ambientes mais controlados”

No mesmo painel promovido pela Bolt, o Grupo Brisa anunciou esta terça-feira que vai apresentar ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) pedidos para iniciar testes de carros autónomos em autoestradas do território nacional.

“Os testes em autoestrada são mais favoráveis por serem ambientes mais controlados”, afirmou Cláudia Machado, diretora de Inovação da Brisa na conferência que decorreu no Técnico Innovation Center, em Lisboa. Acrescentou que os veículos autónomos devem ser testados para “comunicar com as infraestruturas que já existem” e que tal será possível nos próximos anos através de “projetos financiados pela União Europeia”.

Segundo a diretora da Brisa, os carros autónomos “poderão ter grande impacto para os corredores logísticos e combater a falta de mão de obra” na área do transporte de mercadorias.

Admitiu também que os carros autónomos poderão vir a facilitar a vida à própria Brisa. “Vamos deixar de ter tantas carrinhas de suporte porque, à partida, vai haver menos trânsito, ou um trânsito mais eficiente, e menos acidentes, sobretudo menos acidentes graves”, acrescentou ainda.

Também presente no painel desta terça-feira, Rui Velasco, que presta apoio ao conselho diretivo do IMT, afirmou que acredita que dentro de algumas décadas os veículos autónomos “vão reunir a experiência de milhões de horas de condução em estrada“. Ressalvando que o carro autónomo tem de ser “sobretudo seguro”.

Sobre o posicionamento de Portugal na corrida à implementação de veículos autónomos, Velasco considerou que “a parte da segurança é fundamental”, mas que se houver demora a avançar, é também mais tempo que estamos sem “evitar mortes e acidentes” que poderiam ser evitados com a circulação massificada de carros que se autoconduzem.

“Os acidentes com veículos autónomos vão sendo incorporados em bases de dados para não serem repetidos”, garantiu. Já o condutor humano “não é sempre o mesmo e diferentes condutores vão repetir os mesmos erros”.