Portugal tinha no final de 2025 um total de 1.585.854 cidadãos estrangeiros a residir no país, mais 38 mil que no ano anterior, anunciou esta terça-feira a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA). Do total, 493.622 têm nacionalidade brasileira (31,1%), revela ainda a agência.
No “Relatório de Migrações e Asilo 2025”, esta terça-feira divulgado, a AIMA refere que o aumento ligeiro, em comparação com os anos anteriores, reflete a “estabilização das novas entradas em território nacional e a consolidação de uma comunidade estrangeira estruturalmente integrada na vida económica e social do país”.
“Durante o ano de 2025, a AIMA emitiu mais de 500.000 títulos de residência — com destaque para as concessões, com 337.880 títulos emitidos, e as renovações, com 189.331 títulos” e ao longo do ano, a agência “prosseguiu o trabalho de correção, validação e atualização estatística iniciado no ano anterior, assegurando maior precisão na caracterização da população estrangeira residente”, refere o relatório anual da AIMA.
“Tal como em anos anteriores, a data de emissão pode não coincidir com a data de entrada do cidadão no país, dada a complexidade e o volume dos processos em análise”, justifica a AIMA, que destacou ainda a “operação de atendimento e decisão administrativa sem precedentes na administração pública portuguesa”.
De acordo com o relatório, a maioria dos estrangeiros (1.324.411) possui um título de residência válido com data de validade posterior a 1 de julho de 2025, 66.740 são beneficiários de proteção temporária, 50.695 correspondem a processos de manifestação de interesse já atendidos e em fase de conclusão, 42.521 detinham autorizações de residência CPLP caducadas e já foram atendidos para renovação, 76.907 cidadãos possuem títulos de residência caducados e já efetuaram o pagamento das taxas administrativas para atendimento, e 24.476 cidadãos correspondem a processos de reagrupamento familiar já atendidos.
“No total, foram registados 671.273 agendamentos e realizados 605.890 atendimentos”, refere o relatório.
De acordo com o sumário executivo do documento, a Estrutura de Missão da AIMA, que foi criada para resolver pendências, “assegurou 409.799 agendamentos e 386.837 atendimentos, enquanto as Lojas AIMA realizaram 261.474 agendamentos e 219.053 atendimentos”.
“Estes números demonstram a capacidade da AIMA para gerir elevados fluxos de procura, assegurando simultaneamente previsibilidade, qualidade e proximidade no atendimento aos cidadãos”, refere o relatório.
Já no que diz respeito aos refugiados, “registou-se em 2025 um decréscimo no número de novos pedidos, com 1.765 solicitações de proteção internacional”, apesar de não estar em vigor a manifestação de interesse, um recurso que permitia a estrangeiros requerer autorizações de residência, já em Portugal, algo que muitos requerentes de asilo recorriam.
No relatório, a AIMA diz ter assegurado “a tramitação integral dos processos, a emissão das autorizações de residência provisórias e a concessão dos respetivos estatutos de proteção, reafirmando o compromisso de Portugal com uma abordagem humanista, responsável e alinhada com as obrigações internacionais”.
Na apresentação do relatório, o presidente cessante da AIMA, Pedro Portugal Gaspar, salientou que “o segundo semestre de 2024 e o início de 2025 representaram um período de enorme complexidade operacional, com a resolução de um volume histórico de processos pendentes que gerou um volume de atendimentos muito superior ao registado em anos anteriores”.
“O Relatório de Migrações e Asilo 2025 constitui um instrumento essencial para compreender a evolução dos fenómenos migratórios em Portugal e para reforçar a transparência e a confiança no serviço público”, escreveu Portugal Gaspar, salientando que o documento “reflete o compromisso da Agência com a prestação de um serviço público rigoroso, humanista e responsável”.
Em outubro do ano passado, a AIMA apresentou o relatório referente a 2024, concluindo que no final desse ano, estavam registados 1.543.697 cidadãos estrangeiros a residir em território nacional, o quádruplo desde 2017.
Para esse aumento contribuiu a figura da manifestação de interesse, que facilitou a regularização de estrangeiros, desde que tivessem contrato de trabalho e descontos.
Há mais quase dez mil brasileiros e uma redução da população indiana
Com quase meio milhão de pessoas, o número de brasileiros está em destaque no “Relatório de Migrações e Asilo 2025”.
Seguem-se Angola (99.050), Índia (91.405), Ucrânia (84.889), Cabo Verde (71.005), Nepal (53.304), Bangladesh (55.579), Guiné-Bissau (51.935), Reino Unido (47.726), Itália (42.418), Paquistão (42.042) e São Tomé e Príncipe (41.800) na lista dos países com maiores comunidades residentes em Portugal.
Em comparação com o ano anterior, há mais quase dez mil brasileiros a viver em Portugal, com uma redução da população indiana, que foi ultrapassada na tabela pelos angolanos, enquanto o aumento de cidadãos italianos (mais duas mil pessoas) colocou a Itália a fechar o top 10, ultrapassando Paquistão e São Tomé e Príncipe.
No total, os cidadãos dos países lusófonos (Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor-Leste) perfazem quase 50 por cento da população estrangeira a residir em Portugal.
“No contexto europeu, destacam-se as comunidades de Itália, Reino Unido e Ucrânia, que continuam a representar uma parcela significativa da população estrangeira residente”, uma situação que “reflete tanto a mobilidade intraeuropeia como a procura de Portugal enquanto destino seguro, estável e atrativo para viver, trabalhar e investir”, refere o relatório anual da AIMA.
Em comparação com 2024, a América do Norte e Central, com os EUA à cabeça, foi a região que contribuiu para maior crescimento de imigrantes, com mais 10%, enquanto a Ásia teve uma redução de 4,1%.
A maioria dos estrangeiros são homens (55,6%) e 84,6% estão em idade ativa (entre os 18 e os 64 anos) e 135.750 são menores (maioria do sexo feminino).
“A população jovem, entre os 0 e os 17 anos, representa 9,1% do total” de estrangeiros residentes em Portugal, contribuindo “para a vitalidade das escolas e para a construção de trajetórias de integração de longo prazo”, enquanto quem tem “65 ou mais anos representa 6,3%, um valor relativamente reduzido”.
A “leitura conjunta destes dados confirma que a população estrangeira residente em Portugal é jovem, ativa e socialmente dinâmica, desempenhando um papel central na vitalidade económica, na inovação e na coesão social”, pode ler-se no relatório.
Já no que diz respeito à distribuição no território, o distrito de Lisboa tem 605.895 estrangeiros residentes (cerca de 40% do total), seguindo-se Setúbal (173.885), Porto (167.498) e Faro (166.124).
Estes quatro distritos, “em conjunto representam 1.114.402 residentes estrangeiros, correspondendo a 70,3% do total nacional”, uma realidade que “traduz, maioritariamente, a atratividade económica e social destas regiões, condicionada à capacidade instalada de acolhimento, integração e oferta de oportunidades”.
No que respeita aos concelhos, Lisboa é o que tem mais estrangeiros residentes (200.073), seguindo-se Sintra (98.652), Porto (60.351), Cascais (53.683), Amadora (55.457), Loures (51.134), Odivelas (50.082) e Almada (39.098).
No que respeita aos pedidos de proteção internacional, que baixaram de 2.677 em 2024 para 1.765 em 2025, a maioria proveio da Colômbia (246), seguida da China (169), Angola (159), Venezuela (104) e Gâmbia (100).
O relatório adianta que “em 2025, registou-se ainda uma redução muito significativa no número de menores não acompanhados requerentes de asilo, com uma diminuição de 69,6% face ao ano anterior”, passando de 204 em 2024 para 62 em 2025, com a maioria destes casos com origem na Gâmbia, Marrocos e Guiné-Conacri.
“Portugal participou igualmente no Programa de Reinstalação da União Europeia, uma via legal e segura que permite a transferência de refugiados a partir de países terceiros para Estados-Membros que se comprometem a conceder proteção”, tendo sido reinstaladas 258 pessoas, a maioria da Síria (97), seguida do Afeganistão (50).
Dos quase 85 mil ucranianos residentes em Portugal, perto de 65 mil beneficiam de proteção temporária em Portugal, “um mecanismo excecional previsto no direito europeu e nacional, concebido para dar uma resposta rápida, eficaz e humanitária a fluxos massivos de pessoas deslocadas que não podem regressar em segurança ao seu país de origem”, pode ainda ler-se no relatório esta terça-feira divulgado.