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Depois de televisões boicotarem cobertura de Trump, Casa Branca lança "Trump TV"

"Trump TV" estreou-se ao som dos The Buggles. É a retaliação à CBS, NBC, ABC e Fox que suspenderam cobertura presidencial em solidariedade com outros meios de comunicação banidos da Casa Branca.

Joana Moreira
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Chama-se “Trump TV” e foi lançada na madrugada desta terça-feira. O canal com o nome do Presidente dos Estados Unidos, disponível no site da Casa Branca, já se encontra a transmitir e vai reunir “os melhores momentos, anúncios e o mais recente e importante da administração, tudo num só lugar”. Numa publicação nas redes sociais da Casa Branca lê-se: “Nem todos os grandes momentos chegaram à sua televisão, agora podem chegar.”

A medida surge como retaliação do Presidente dos EUA, Donald Trump, à decisão das principais televisões norte-americanas de, numa ação conjunta inédita, suspenderem a cobertura conjunta dos eventos presidenciais, na sequência do anúncio de que alguns órgãos de comunicação social estão vedados de entrar na Casa Branca.

https://observador.pt/2026/09/21/cbs-nbc-abc-e-fox-suspendem-cobertura-de-trump-em-apoio-a-cnn/

Como o Observador escreveu, no final da semana passada, Trump anunciou que as estações televisivas CNN e MS NOW e o website Politico estavam proibidos de fazer cobertura noticiosa na Casa Branca. Através da sua rede social, Truth Social, Trump anunciou que ia banir “com efeito imediato” estes três meios de comunicação da Casa Branca, justificando que esta decisão surge “em resultado das suas constantes ‘notícias’ falsas”.

A resposta chegou na forma de ação judicial por alegada violação da Primeira Emenda. Num comunicado conjunto, os três órgãos visados divulgaram que avançariam com uma ação para “defender o princípio de que o Governo não decide o que a imprensa noticia ou publica”. Já esta segunda-feira, as restantes grandes televisões norte-americanas — CBS, NBC, ABC e Fox — solidarizaram-se com a CNN, anunciando que se recusam a substituir a CNN no grupo de cobertura televisiva que acompanha o Presidente e que vão suspender a cobertura televisiva partilhada dos eventos oficiais da presidência. Os jornais The New York Times e The Washington Post também decidiram adiar a publicação ou distribuição das fotografias tiradas no âmbito da cobertura conjunta da Casa Branca na segunda-feira até à meia-noite, como gesto de solidariedade.

Esta não é a primeira vez que Trump tenta impedir o acesso de jornalistas à Casa Branca. Durante o primeiro mandato como presidente dos EUA, revogou o acesso de Jim Acosta, antigo jornalista da CNN, levando a estação a recorrer à justiça. Já neste segundo mandato, tentou impedir o acesso de jornalistas da Associated Press a certas áreas da Casa Branca, o que também levou a agência a intentar uma ação judicial que entretanto continua em tribunal. Como aponta o New York Times, são vários os processos judiciais e ameaças de Donald Trump contra meios de comunicação social, mas é raro que organizações de comunicação social concorrentes se unam numa ação coletiva deste género.

Esta segunda-feira, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, considerou a medida de Trump de banir determinada imprensa “totalmente apropriada”. “Se tenciona fazer o que é, na prática, propaganda de extrema-esquerda, por que razão é que uma Casa Branca republicana lhe concederia acesso especial?”, disse.

Já o governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, denunciou os esforços da administração Trump para controlar a narrativa sobre o Presidente. “Primeiro, Trump baniu a informação independente da Casa Branca. Agora está a lançar aquilo que é, literalmente, televisão estatal, para tentar abafar o facto de que ele e a sua administração corrupta estão a falhar ao povo americano. Este é um comportamento verdadeiramente autocrático de um Presidente falhado”, escreveu no X.

https://twitter.com/CAgovernor/status/2102188172402987045

Por agora, o único conteúdo da “Trump TV” é um vídeo inaugural intitulado “Trump TV is Here” [“Está aqui a Trump TV”, em português], um minuto composto de uma sequência de imagens de séries de televisão norte-americanas, de Family Guy a Seinfeld, The Office ou Modern Family, bem como de filmes como Home Alone e The Dark Knight, ao som da canção dos The Buggles, Video Killed the Radio Star, com as palavras “Trump TV”.

[Dois meses após o desaparecimento, e já depois de o genro, Raymond Quendoz, lhes ter anunciado que ia divorciar-se dela, os Silva Pais recebem finalmente notícias da filha. Annie está bem. Recusa dar detalhes sobre o seu paradeiro mas há cada vez mais evidências de que fugiu do marido para se juntar à revolução cubana. E, se isso aconteceu, uma coisa é certa: Annie tem de ter tido a ajuda e o aval do próprio Fidel Castro. Resta apenas saber porquê. Já pode ouvir o segundo episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]