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A agência de notícias Saba, ligada aos rebeldes houthis, avançou esta terça-feira que ataques da campanha militar da Arábia Saudita contra a cidade portuária de Mokha, no Iémen, resultaram na morte de seis pessoas.
“Seis civis, incluindo duas crianças e uma mulher, foram mortos, e outros oito — entre eles uma criança e uma mulher — ficaram feridos em ataques aéreos da coligação liderada pela Arábia Saudita contra Mokha”, noticiou a Saba.
“Aeronaves inimigas lançaram vários ataques aéreos contra residências civis na cidade de Mokha, província de Taiz, numa agressão direta e deliberada contra alvos civis”, informou nas redes sociais o porta-voz da tutela da Saúde dos houthis, Anis Alasbahi.
https://twitter.com/alasbahi_dr/status/2102176624225468690
O responsável acrescentou que “este crime sistemático revela a determinação da agressão saudita em atacar civis inocentes e destruir famílias iemenitas”.
Os houthis, combatentes pró-Irão que até então controlavam grande parte do norte do país — incluindo a capital, Sanaa, e Hodeida (oeste) —, avançaram em direção ao sul em poucos dias, tomando o porto de Mokha, no Mar Vermelho, no início de setembro.
Na segunda-feira, o líder dos rebeldes houthis advertiu a Turquia e o Paquistão para que não se envolvessem na campanha militar saudita no Iémen, após estes três países muçulmanos terem assinado um acordo de defesa conjunta.
“Aconselhamos os turcos e os paquistaneses a não se deixarem envolver pelos ganhos políticos e materiais do inimigo saudita”, afirmou Abdelmalik al Huti, num discurso transmitido pela televisão por ocasião do 12.º aniversário da conquista da capital, Sanaa, pelos houthis em 2014, altura em que eclodiu a guerra no Iémen e os rebeldes tomaram o controlo de grande parte do noroeste do país.
A Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia assinaram, a 7 de agosto, um acordo de defesa conjunta que estipula que qualquer ataque contra um destes países será considerado uma agressão contra os três.
Paralelamente à ofensiva contra as tropas governamentais no Iémen, os houthis vêm, há meses, a lançar mísseis e drones contra instalações militares e energéticas da Arábia Saudita, ao mesmo tempo que impõem um bloqueio a todas as embarcações ligadas a Riade que transitam pelo Mar Vermelho.
A ofensiva dos houthis reacendeu a guerra no Iémen, iniciada em 2014 após a tomada de Sanaa e que se encontrava congelada desde que as partes acordaram um cessar-fogo mediado pelas Nações Unidas no final de 2022, que se manteve em grande parte até agora.
Segundo a ONU, quase 130 mil pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas no Iémen nas últimas semanas, durante as quais o movimento insurgente aliado do Irão assumiu o controlo da costa e das ilhas no Mar Vermelho, consolidando o seu domínio sobre o estratégico estreito de Bab el-Mandeb.
Os houthis alegam que as operações militares no Iémen não procuram atingir a navegação comercial, exceto para os navios sauditas, que estão sujeitos a um bloqueio dos rebeldes desde julho.
Após anos de relativa calma no Iémen, a frágil trégua acordada em 2022 entrou em colapso em julho, quando os houthis desafiaram o controlo de Riade sobre o espaço aéreo iemenita, permitindo a aterragem no Iémen de um avião com representantes iranianos.
Nas últimas semanas, os houthis lançaram uma grande ofensiva militar contra as tropas do Governo reconhecido internacionalmente e apoiado por Riade, que está sediado em Aden.
Os houthis integram o chamado eixo da resistência, formado por grupos políticos e armados apoiados pelo Irão, a par do Hamas na Palestina, o Hezbollah no Líbano e milícias xiitas no Iraque.
Entre 2023 e 2025, atacaram navios comerciais no golfo de Aden e Mar Vermelho, como forma de apoio ao Hamas na guerra com Israel na Faixa de Gaza.