Depois de mais um empate, o terceiro desde o início da temporada, a ideia de que a pausa para os compromissos das seleções chegou na altura certa para Rui Borges é uma evidência. Ainda assim, Frederico Varandas não quis que o silêncio se tornasse ensurdecedor e aproveitou uma aparição pública para deixar bem claro que o treinador não está em causa, em risco ou em dúvida em Alvalade.
“Sobre Rui Borges, é importante referir que todos erram. No dia a seguir [ao empate com o Arouca] vi em vários órgãos de comunicação social que teria havido uma reunião da administração da SAD em que se estava a decidir o futuro de Rui Borges. Acontece. Vocês podem ser levados ao engano. Não houve reunião alguma. O lugar de Rui Borges nunca esteve em causa. É a 17.ª vez em que o Sporting perde vantagem em ano e meio, é um facto, não há como desmentir. Posso dizer outros dados. É o treinador com mais vitórias em casa na Champions, o treinador com mais vitórias seguidas em Alvalade, com uma percentagem de derrotas menor na história do Sporting. Fez duas épocas, fez sempre 82 pontos, uma vez campeão nacional, ganhou uma Taça de Portugal. O dado estatístico dos 17 jogos é relevante, um pormenor. Mas se perguntar a qualquer sócio se gostaria que tivesse estes dados estatísticos o museu estaria espetacular”, disse o presidente do Sporting à chegada à Cidade do Futebol, em Oeiras, para a segunda edição dos Portugal Football Globes que decorre esta segunda-feira.
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Mais à frente, Frederico Varandas abordou diretamente a contestação clara que tem sido feita a Rui Borges neste início de temporada — e que até começou no fim da época passada e com a derrota na final da Taça de Portugal contra o Torreense. “Sobre a contestação, tenho de dizer que a contestação faz parte. Quem quer estar aqui sem contestação está no sítio errado. A contestação faz parte da emoção. Os adeptos têm esse privilégio de se sentirem defraudados, angustiados e frustrados com os resultados e passado uma ou duas semanas mudarem de opinião. Se a contestação condiciona a base da decisão? Não”, vincou, continuando com “exemplos”.
“Trincão andou dois anos a ser contestado. Paulinho chegou e não marcava, era flop. Fresneda vai à seleção espanhola e foi patinho feio dois anos. Amorim foi contestado após terminar em quarto. Suárez começou a ser esta época contestado e assobiado, agora gritam o nome dele. O Sporting não toma decisões com base em contestação, mas com uma análise objetiva e racional. Se estamos contentes? Não. Enquanto presidente faço uma análise do momento, uma análise racional e objetiva. Nos dois primeiros empates, o Sporting foi futebolisticamente muito superior ao adversário. A terminar os jogos o Sporting sofre dois autogolos em dois remates que não vão à baliza. No terceiro empate estamos a fazer um ótimo jogo frente ao Arouca. Estava 2-0, podia estar 3 ou 4. O Sporting foi muito superior até ao minuto 55 e de repente um jogador, com uma entrada completamente negligente, exclui-se do jogo e vê um cartão vermelho justo. Se eu alguma vez vou despedir um treinador à 7.ª jornada com três empates em que aconteceu isto? Não, não vou despedir”, garantiu, referindo-se à expulsão de Zeno Debast no passado sábado contra o Arouca.
Para o presidente leonino, portanto, o problema não é Rui Borges. “Se há coisa que corre muito bem são os reforços que vieram a substituir peças fundamentais. Vocês veem a qualidade de quem veio. Se aos 17 jogos em que o Sporting cede a vitória, se isso me faz despedir o treinador? Não. Se a estatística positiva me faz pensar que ele é ‘ad eternum’? Não. Mas o Sporting joga bem. Em três jogos que acabei de dizer houve autogolos e expulsões, automutilações que não podem acontecer. O que define a continuidade de Rui Borges não é o contrato, é acreditarmos no processo e na forma como a equipa joga”, sublinhou.
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“O Sporting acredita no seu treinador e que o seu treinador tem condições para atingir os objetivos, que é lutar pelos títulos e qualificar-se para a Champions. Era tão fácil o meu treinador nas duas últimas jornadas ir para a conferência de imprensa agarrar-se a coisas externas do clube, como outros treinadores e outras figuras fazem, com as quais não me identifico. Peço ao treinador para não o fazer e ele não faz. Tiro-lhe o chapéu. Não quero ter o meu treinador a fazer as figuras que outros fazem”, atirou, questionando ainda se “hoje alguém fala do Hjulmand” e defendendo que o Sporting contratou “o novo Diomande” em Ibrahima Ba, que se “sacrificou” para jogar antes, já que só estaria fisicamente apto para setembro.
“Se todos os treinadores ganhassem o que Rui Borges ganhou… O nosso selecionador é dos melhores treinadores com quem trabalhei. Ganhou o que Rui Borges ganhou? Quantos treinadores ganharam o que Rui Borges ganhou? Têm de ter responsabilidade no que dizem. Foi campeão, dobradinha, foi quem levou o Sporting mais longe na Liga dos Campeões. Estamos contentes com termos perdido seis pontos? Temos potencial para mais, o treinador acha que vai fazer mais e acreditamos no processo. Analisem como foram os três empates”, acrescentou, referindo-se a Jorge Jesus e antes de dar o próprio exemplo.
“Eu sairia há seis ou sete anos e o que aconteceu ao Sporting. Ganharia o que ganhou? A contestação acontece. O que seria do Sporting se os presidentes decidissem em função da contestação? Imagine só as pessoas que já foram contestadas. Elogio muito o meu treinador, peço-lhe para não falar de arbitragem e ele não fala. Entendemos que este é o caminho para onde o futebol português deve ir. É fácil? Não. É justo? Não”, terminou.